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Tragédia da Chape foi um dos dias mais tristes que vivemos como brasileiros

O dia 29 de novembro de 2016 foi um dos mais tristes do futebol mundial, principalmente para o brasileiro, para a cidade de Chapecó e para o clube Chapecoense. Mas nada iguala a dor dos familiares de todos aqueles que perderam suas vidas naquela tragédia.

Vou descrever a minha história relacionada a esse acontecimento criminoso que aconteceu com o voo da LaMia 2933.

Tudo começou no domingo (27/11/2016), que era a penúltima rodada do Campeonato Brasileiro, com o jogo no Allianz Parque entre Palmeiras e Chapecoense. O Verdão, dirigido por Cuca, já com o título na mão, receberia o time de Chapecó, com Caio Jr no seu comando.

Esse foi o jogo da televisão, porque o Palmeiras já era o campeão e a Chapecoense estava num momento mágico e, no meio daquela semana, iria disputar a segunda partida da final contra o Atlético Nacional de Medellín. Eu e o Cléber Machado fizemos essa transmissão, que terminou 1 a 0 para o Palmeiras, e depois o time do Caio Jr iria para a Colômbia jogar essa final histórica.

Meus pais moravam perto da minha casa e, como já eram idosos, eu dormia com o celular ligado caso precisassem de algo. Então, na manhã do dia 29/11, umas 6h30, recebi um telefonema de um dos meus filhos que me disse o seguinte:

"Pai, liga a TV que parece que o voo da Chapecoense sofreu um acidente."

Eu dei um pulo da cama, fui para a sala e liguei a TV. Eu moro sozinho e, em 2016, era o ano que eu tinha parado de beber definitivamente, mas ainda estava no meio do processo de recuperação, portanto eu ainda não tinha o controle das minhas emoções.

Assistindo aos resgates, comecei a ficar angustiado, aflito, trêmulo e preocupado. Tomei um banho e fui para a TV Globo para ficar por lá.

Quando cheguei, encontrei um ambiente muito tenso, triste e emocionalmente abalado. O Galvão estava lá entrando ao vivo desde a madrugada e, quando cheguei, ele foi para o hotel dar uma repousada para depois voltar e fazer o seu trabalho, porque à noite iria para o Rio e entrar no JN.

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Nesse meio tempo, eu fiquei no lugar dele e entrei ao vivo no JH, alguns flashes, GloboNews, até quando todo o horror ficou confirmado.

Depois, voltei para casa e fiquei acompanhando tudo, até o velório coletivo e toda a tristeza das famílias e da cidade. Foi de cortar o coração. Mulheres, filhos pequenos, pais, mães, tudo tinha desmoronado na cabeça de todos naquele instante. Até agora, as famílias esperam pagamento de indenização.

Eu e o Galvão iríamos para Porto Alegre para fazer a final da Copa do Brasil entre Grêmio e Atlético-MG, mas, obviamente, foi adiada para a semana seguinte.

Entre tantos mortos e tanta tristeza, teve o resgate dos três jogadores sobreviventes: Neto, Alan Ruschel, Jackson Follman e também o locutor Rafael Henzel.

Perdi muitos amigos naquele acidente. Mário Sérgio, que fomos adversários de clubes, mas jogamos juntos na seleção brasileira; o repórter Victorino Chermont; o narrador Deva Pascovicci; o comentarista Paulo Júlio Clement; o cinegrafista da TV Globo Ari Júnior (fizemos diversos trabalhos em eventos juntos); Guilherme Laars (que era o meu contato com o Esporte Espetacular); e um cara corintiano, um amigo que eu amava, que era Lilacio Pereira Jr., ou Jumelo, ou só Júnior.

Eu falava com ele quase todos os dias, fizemos a Copa de 98 na França juntos, ele pela ESPN (onde trabalhamos juntos entre 1996 e 1997) e eu pela Globo. Fomos eu, ele e mais quatro amigos no túmulo do Jim Morrison no cemitério Père Lachaise.

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Sem contar todos os jogadores que faleceram nesse acidente, que me fez refletir muito sobre a vida, porque passamos a vida em aviões para lá e para cá, e no meu, mesmo depois que parei por ter virado comentarista, a intensidade das viagens continuou a mesma, e passa na cabeça da gente que eu poderia estar naquele voo caso a Globo transmitisse essa partida ao vivo.

Depois de alguns meses, mais precisamente em janeiro de 2017, fomos eu, Galvão e o Caio, além da equipe técnica, para a cidade de Chapecó para fazermos o primeiro jogo da "nova" Chapecoense contra seu último adversário antes do acidente, que foi a Sociedade Esportiva Palmeiras.

Cheguei cedo no estádio, desci no gramado e fiquei do lado das famílias que foram chegando. Conversei com mulheres que perderam seus maridos mas lembro bem de ter conversado bastante com a Adriana Saroli, viúva do treinador Caio Jr.

E não tem como você não absorver a dor porque a empatia nos faz se colocar no lugar do outro. Nunca imaginaremos a dor real de uma perda repentina como foram todas nesse acidente mas a dor da gente ela se mostra no olhar, na fala, no toque das mãos.

Galvão e eu ainda fizemos a partida Brasil x Colômbia, no Maracanã, que teve a renda destinada às famílias. Nesse jogo, Rafael Henzel dividiu a narração com o Galvão. Rafael, infelizmente, morreu poucos anos depois após um ataque cardíaco.

oram meses de uma dor imensa no mundo mas sem comparação com a dos familiares
Hoje 29 de novembro de 2023 está fazendo 7 anos de acidente mas a dor, a saudade de quem se foi continua muito forte.

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Quero dedicar esse texto a todos os familiares das pessoas que se foram nesse acidente mas também para os sobreviventes companheiros de profissão Neto, Alan Ruschel e Jackson Folman.

Um beijo no coração de todos.

Paz e Amor a todos vocês.

Opinião

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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