PUBLICIDADE
Topo

Futebol

Capitão em sonho sul-americano, Lucho superou crise pessoal no Atlético-PR

Lucho, El Comandante: contrato renovado e liderança total no Furacão - Natacha Pisarenko/AP
Lucho, El Comandante: contrato renovado e liderança total no Furacão Imagem: Natacha Pisarenko/AP

Napoleão de Almeida

Colaboração para o UOL

11/12/2018 04h00

Era dezembro de 2017 e, sem a Libertadores pela frente, o Atlético-PR decidiu não renovar o contrato de Lucho González. Jogador de padrão internacional, campeão da Libertadores pelo River Plate, francês pelo Olympique e português pelo Porto, Lucho já ouvia propostas de clubes como o Peñarol e estudava voltar à Argentina, quem sabe para encerrar a carreira no Racing, clube do coração.

Lucho CAP 2 - Fernando Azevedo/Arquivo pessoal - Fernando Azevedo/Arquivo pessoal
Abraçado pelos atleticanos, Lucho vestiu a camisa
Imagem: Fernando Azevedo/Arquivo pessoal

Mas um verdadeiro furacão marcou a vida do capitão que sonha em levantar o título da Copa Sul-Americana pelo Atlético nesta temporada. Em uma semana, Lucho foi acusado de tentativa de assassinato pela hoje ex-mulher, Andreia Marques, e ficou sem ver os filhos. Mais: se viu sem o passaporte e sem documentos bancários, desaparecidos com a mulher.

Desempregado e vivendo uma crise pessoal, Lucho foi amparado pelo Atlético-PR. O clube decidiu renovar o contrato com o jogador, que ficou no Brasil. E ainda deu todo o suporte na mudança de casa. Lucho deixou o imóvel para a ex-mulher enquanto o Atlético o recolocou em outro local, evitando desgastes além dos emocionais que ele já havia vivido.

"Hoje o Lucho está com a guarda compartilhada das crianças e consegue conversar com a ex-esposa para fins de dividir o período de convivência com os filhos", conta Conrado Gama, que atua na defesa do jogador ao lado de Camille Wilsek Andrigo, ambos advogados. Lucho e Andreia chegaram a um acordo na hora da separação, mas ainda restam pendências. "Atualmente ainda permanece o processo que discute o valor de alimentos. As demandas que envolviam a guarda e convivência com os filhos foram resolvidas por acordo", explica Gama. 

Lucho CAP - Reprodução/TVCAP - Reprodução/TVCAP
Lucho na preleção antes do primeiro jogo: "Final se ganha"
Imagem: Reprodução/TVCAP

Lucho é visto como um exemplo no CT do Caju. Já comentou publicamente que "os treinamentos no Atlético ajudaram a prolongar a carreira". Foi indicado por Paulo Autuori, hoje no Atlético Nacional de Medellín: "Quando vislumbrei a possibilidade de levá-lo aí, não tive dúvidas. É um jogador que poderia agregar algumas coisas. O pressing (pressão na saída de bola) tá no DNA dele. E isso na altura ajudou muito a melhorar a equipe", comentou, sem deixar de valorizar outra característica: "É uma pessoa com uma humildade muito grande e um coração enorme. Ali dentro do clube todos sabem."

Aos 37 anos, teve o contrato renovado por mais uma temporada antes da decisão. "Se tem algo que eu aprendi, é que a final não se joga. A final se ganha", disse Lucho em discurso ao grupo pouco antes do primeiro jogo contra o Junior Barranquilla (1 a 1). O currículo, que acumula 24 conquistas, entre elas uma Libertadores, inspirou os jovens do elenco, que encontraram em Lucho um jogador que não deitou na fama.

Lucho agora poderá entrar para a história atleticana como o capitão da primeira conquista continental do clube. Neste caso, voltará a jogar uma Libertadores e ainda terá pela frente dois duelos com a outra equipe pela qual ganhou outro título sul-americano, o River Plate. Por lá, Lucho foi campeão da Libertadores em 2015. Como seu ex-time ganhou novamente a principal competição do continente em 2018, o argentino poderá ajudar o Atlético, em caso de título na Sul-Americana a medir forças com o campeão da Libertadores nos jogos pela Recopa, dias 20 de fevereiro e 6 de março.

Futebol