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Com futuro em jogo, Kleina precisou montar seis times em 20 meses. Relembre

Danilo Lavieri

Do UOL, em São Paulo

08/05/2014 06h01

Gilson Kleina reconhece que sua cabeça está a prêmio no Palestra Itália. Pressionado por parte da torcida e por alguns conselheiros, o treinador do Palmeiras sabe que as três derrotas consecutivas podem colocar fim a seu trabalho ainda nesta quinta-feira. O comandante, no entanto, ressaltou bastante na entrevista após a derrota por 2 a 1 para o Sampaio Corrêa, pela 2ª fase da Copa do Brasil, que precisou remontar o time muitas vezes para conseguir trabalhar.

Há aproximadamente 20 meses no comando, Kleina teve de reconstruir o time seis vezes. Na maioria delas, por motivos que fogem de seu controle. Jogadores que foram vendidos por decisão da diretoria, atletas que não tiveram o contrato renovado apesar de sua insistência, sem contar nas necessidades de contratação que não foram atendidas pelo presidente Paulo Nobre e sua diretoria.

“Quero muito a continuidade. A gente precisa dar o resultado. Nosso comandante, o Paulo, sabe que a pressão aponta para mim e para ele. As avaliações precisam ser minuciosas. E nós entendemos e sabemos esse caminho”, começou o treinador.

“São 20 meses. Não é possível que três jogos vão colocar tudo a perder”, disse ele, para depois ressaltar. “Se você pegar e fizer uma análise, você vai ver uma equipe no Paulista em 2013, uma na Série B, uma na Libertadores... Estamos sempre remontando. E estamos agora remontando de novo para Série A. E aí tem gente que começa a fomentar o discurso de que não tem comando, de que jogador não presta...”, lamentou.

O UOL Esporte levantou as montagens de equipe que o treinador precisou fazer:

A LUTA DESESPERADA EM 2012

Em 2012, Kleina tinha a missão de tirar o Palmeiras da péssima situação deixada por Luiz Felipe Scolari. Sua aposta foi unir a experiência de Marcos Assunção, líder em assistências e nas bolas paradas, ao faro de matador de Hernán Barcos, artilheiro do time, com a juventude pouco aproveitada pelo hoje comandante da seleção brasileira. Passou a dar chances para nomes como Bruno Dybal, João Denoni e Patrick Vieira.

Não adiantou muito, mas o comandante usou o fim da Série B para definir nomes que não ficariam com ele de jeito nenhum. Corrêa, Thiago Heleno, Artur, Obina e Leandro são exemplos disso.  Até Marcos Assunção acabou saindo.

07.fev.2013- Barcos beija camisa do Palmeiras na vitória sobre o Atlético Sorocaba pelo Campeonato Paulista - Fernando Donasci/UOL - Fernando Donasci/UOL
Barcos era a grande esperança para o início de 2013. Seu destino foi o Grêmio
Imagem: Fernando Donasci/UOL
A RECONSTRUÇÃO NO PAULISTA EM 2013

Ao começar a temporada em 2013, Kleina pôde contar com o importante reforço de Fernando Prass, a chegada badalada de Ayrton e tinha em Barcos sua grande esperança de gols. Até Souza ganhou uma chance e não decepcionou no início de temporada. O time não empolgou, mas mostrou que estava perto de uma reconstrução até que a diretoria achou melhor por perder o artilheiro e ídolo para uma economia.

Negociou Barcos com o Grêmio e comemorou a economia de várias despesas que teria, apesar de esperar até hoje o 5º jogador na negociação com o Grêmio. O time ainda sofreria um grande baque ao perder do Mirassol por 6 a 2, mas a diretoria foi firme ao segurar Kleina e apostar no seu trabalho.

14.05.2013 - Goleiro Bruno tenta agarrar a bola e não consegue, em falha "grotesca" que resultou no primeiro gol do Tijuana na partida - Ricardo Nogueira/Folhapress - Ricardo Nogueira/Folhapress
Bruno perdeu crédito e espaço, e pode ter nova chance com novo técnico
Imagem: Ricardo Nogueira/Folhapress

E SEM BARCOS, COMO FAZER NA LIBERTADORES?

A Libertadores era quase que um tormento no calendário. Um time que teria pouco dinheiro até para disputar a Série B acabava disputando o torneio sul-americano quase que por obrigação. Sem Barcos, o time perdeu sua grande referência à frente e parecia perdido dentro de campo.

Maurício Ramos era o líder, especialmente após Fernando Prass precisar ficar afastado. Vilson despontava bem e até Patrick Vieira e Vinícius poderiam formar uma boa dupla. A queda era questão de tempo, mas a competição servia para dar rodagem aos atletas que disputariam a difícil Série B.

A eliminação diante do Tijuana serviu para uma certeza: Bruno não poderia ser o titular da meta.

09.nov.2013 - Henrique tenta se livrar da marcação no duelo entre Palmeiras e Joinville pela Série B do Campeonato Brasileiro - Junior Lago/UOL - Junior Lago/UOL
Henrique ganhou a tarja de capitão e foi um dos líderes do Palmeiras na Série B
Imagem: Junior Lago/UOL
HENRIQUE VIRA REFERÊNCIA NA SÉRIE B

O zagueiro que já tinha ido muito bem na Copa do Brasil de 2012, com Felipão, virou, definitivamente, um grande nome da equipe. Ele compensava as falhas de Maurício Ramos, subia às vezes para marcar gols.

Balançar as redes, aliás, virou especialidade de Leandro, que teve até chance na seleção brasileira. No fim da disputa da Segundona, Alan Kardec era outro que chamava a atenção com um futebol que não conseguia mostrar no futebol europeu. No meio de campo, Charles foi uma boa aposta, assim como Wesley e Valdivia que, aos poucos recuperavam seu bom futebol.

02.fev.2014 - Alan Kardec vai para a torcida palmeirense após gol de pênalti contra o São Paulo, no Pacaembu - Danilo Verpa/Folhapress - Danilo Verpa/Folhapress
Alan Kardec era a grande experiência dos palmeirenses para o ano de 2014
Imagem: Danilo Verpa/Folhapress

É ANO DE CENTENÁRIO E QUEM SE LEMBRA DE BARCOS?

Houve um tempo em que a saída de Barcos era o ponto fraco para que a gestão de Paulo Nobre fosse criticado. Tudo isso acabou com a chegada de Alan Kardec. Depois de uma boa Série B, o atacante se firmou como nome da equipe no Paulistão, onde se sagrou artilheiro do campeonato e conseguiu até ter seu nome cogitado para a seleção.

Fernando Prass mostrou porque era ídolo no Vasco com excelentes atuações. O primeiro grande golpe foi na saída de Henrique. O jogador entrou na Justiça para cobrar uma dívida e caiu na desgraça com o presidente. A comissão brigou bastante pela sua permanência e, quando se deu por vencida, confiou que receberia uma reposição à altura.

Não foi atendido. Pior do que isso. Não conseguiu nem receber um lateral direito que tanto pediu, mas conseguiu em Wendel alguém que não comprometesse na posição. Luis Felipe, que poderia ser usado na ala, ainda estava brigado com a diretoria e também não poderia ser usado.

28-04-2014 - Paulo Nobre dá entrevista para explicar saída de Alan Kardec - Cesar Greco /Divulgação/AgÊncia Palmeiras - Cesar Greco /Divulgação/AgÊncia Palmeiras
Paulo Nobre, presidente do Palmeiras, tentou explicar, mas foi criticado por perder Kardec
Imagem: Cesar Greco /Divulgação/AgÊncia Palmeiras

O BRASILEIRÃO DE ALAN KARDEC?

Pela 6ª vez em 20 meses, o treinador precisaria remontar uma equipe. Ainda sem receber reposição para a saída de Henrique e tampouco um reforço para a lateral direita, o treinador perdeu Alan Kardec. Pior, para um rival. O diretor-executivo, José Carlos Brunoro, chegou até acertar a renovação com o artilheiro do time, mas foi barrado pelo presidente por causa de mais uma economia.

Economia que acabou custando a saída, mais uma vez, da referência. O time que já havia perdido Hernán Barcos e Henrique perderia Alan Kardec para o São Paulo.

Para ter ainda mais problema, Gilson Kleina precisaria acertar um substituto para Fernando Prass, que passou por operação. Tentou Bruno, mas parece ter preferido Fábio. Para piorar ainda mais o cenário do treinador, França foi afastado por excesso de noitadas, Bruno César se machucou e Leandro e Juninho caíram muito de produção. Josimar, Eguren, Mendieta, Tiago Alves, William Matheus, Bruninho, Serginho, Felipe Menezes, Mazinho e Diogo tiveram chances.  Victorino nem conseguiu sair do departamento médico. O lateral direito ainda não foi contratado.

Como se não bastasse tudo isso, o bastidor palmeirense voltou a virar notícia. Pressão de conselheiros, de oposição, questionamentos de negociações com Barcos, com Alan Kardec, com Henrique e até mesmo com a construtora do estádio tumultuaram o ambiente de Paulo Nobre, que precisa dar mais um passo na sua gestão nesta 5ª feira: ficar ou não com Gilson Kleina. 

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