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Goleiro que parou o Inter ficou 45 dias sem clube no começo da carreira

Jandrei, goleiro da Chapecoense, durante partida contra o Inter - Renato Padilha/AGIF
Jandrei, goleiro da Chapecoense, durante partida contra o Inter Imagem: Renato Padilha/AGIF

Felipe Pereira e Vanderlei Lima

Do UOL, em São Paulo

19/09/2018 04h00

Jandrei foi o grande assunto do futebol na terça-feira. Mérito de um goleiro que pegou pênalti e fez uma defesa decisiva nos acréscimos do segundo tempo. Dias de glória de um atleta que se viu sem clube no começo da carreira.

"Um mês e meio em casa sem previsão de ir para um clube. A gente chega a pensar... A gente confia, continua trabalhando o mental e o físico para quando a oportunidade chegar a gente amarrar da melhor maneira possível".

Ele tinha 21 anos quando saiu do Inter e viu o telefone ficar mudo durante 45 dias. Jandrei lembrou que sempre houve pressão na base e diz que este período moldou sua personalidade para aguentar todas as situações que enfrentou no restante da carreira. O apoio da família nesta fase também ajudou muito.

"Meus pais sempre me deram muita força. Sempre ouvi palavras de incentivo para que continuasse na carreira".

A chance que mudou a vida de Jandrei ocorreu em 2014, ano em que ele foi chamado para jogar pelo Novo Hamburgo (RS). O atleta passou duas temporadas na equipe e foi negociado com o Atlético Tubarão, clube de Santa Catarina. As duas contratações ocorreram a pedido do técnico Mabília, ex-jogador de Grêmio e Corinthians.

"Estou jogando série A graças a ele e ao treinador de goleiros do Tubarão".

Jandrei olha para bola - Ale Cabral/AGIF - Ale Cabral/AGIF
Imagem: Ale Cabral/AGIF

Reviravolta leva a Libertadores

A transferência para a Chapecoense é tão marcante que Jandrei lembra até o dia da semana. Ele fazia boa campanha pelo Atlético Tubarão quando recebeu a visita dos pais, que voltaram para Porto Alegre em uma terça-feira de 2017. O goleiro chegou ao treino e ouviu a boa notícia.

"Foi muito rápido. Cheguei no clube, o presidente falou da proposta e aceitei na hora. A Chapecoense tinha pressa, questão de BID. Queriam me inscrever na Libertadores e tinha até sexta".

Em 24 horas Jandrei passou de jogador de um time modesto de Santa Catarina para goleiro de uma equipe de Libertadores. Os pais foram avisados o mais rápido possível.

"Liguei para eles e disse 'volta'. Minha mãe não acreditava. Meu pai fez o retorno na rodovia e falou 'estamos chegando aí'. Fomos conversar com o presidente (do Atlético Tubarão). Foi empréstimo com opção de compra. O valor da venda de 60% do passe eu não lembro direito. Foi uns trezentos e alguma coisa mil reais".

O meia Everton cerca o goleiro Jandrei no jogo entre São Paulo e Chapecoense - Daniel Vorley/AGIF - Daniel Vorley/AGIF
Imagem: Daniel Vorley/AGIF

Sampdoria quis Jandrei

O jogador que ficou sem clube três anos antes estava realizando o sonho de jogar Libertadores, Campeonato Brasileiro da Série A e Copa do Brasil. Jandrei disse que tentou assimilar tudo o mais rápido possível porque sabia que precisava ir bem para continuar neste nível.

Prova de que cumpriu a missão é que em julho deste ano a Sampdoria tentou levar o goleiro para o futebol italiano. O valor da transação dá dimensão da evolução de Jandrei. O negócio envolveria 2,5 milhões de euros (R$12,1 milhões). A diferença para o preço pago ao Atlético Tubarão é gigante, mas a Chapecoense abriu mão de lucro para continuar com o jogador.

"A diretoria da Chapecoense fez muita força para que eu ficasse. A gente chegou num consenso e acertou minha permanência. Estava quase tudo certo, mas aconteceu de eu ficar. Eu estou feliz aqui. Se vierem outras oportunidades, também vou ficar feliz".

Mas Jandrei não se envolve em negociações por entender que poderia perder o foco na profissão. Qualquer possibilidade de contrato é assunto para o pai e o empresário. Os dois são as pessoas que o goleiro ouve na hora de tomar as decisões da carreira.

Leandro Damião no campo do CT Parque Gigante durante treinamento do Inter - Marinho Saldanha/UOL - Marinho Saldanha/UOL
Imagem: Marinho Saldanha/UOL

Damião era parceiro de treino de pênaltis

A terça-feira repleta de mensagens de parabéns de ex-companheiros de futebol que Jandrei viveu foi consequência de defender um pênalti batido por Leandro Damião nos acréscimos da partida de segunda à noite contra o Internacional. O curioso é que goleiro e atacante estiveram juntos na base do Colorado e costumavam treinar pênaltis juntos.

"Treinei algumas vezes com ele no Inter. Foi antes de 2014, ano que saí do time. Mas não foi o que me fez defender o pênalti. O que ajudou é que chega tudo mastigado pelos analistas. Elas passam todas as informações para a gente ter a melhor estratégia".

Jandrei procura não falar de metas de carreira porque entende que fixar um objetivo significa impor um limite. Ele prefere ter metas pessoais. Mas o goleiro não esconde que ter passaporte italiano ajuda a jogar na Europa e ressalta que o sonho de todo o jogador de futebol e participar de uma Liga dos Campeões.

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