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Tales Torraga

REPORTAGEM

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Os 7 motivos que fazem Marcelo Gallardo seguir no River Plate em 2022

Marcelo Gallardo é ovacionado pela torcida do River Plate no Monumental de Núñez - Divulgação River Plate
Marcelo Gallardo é ovacionado pela torcida do River Plate no Monumental de Núñez Imagem: Divulgação River Plate
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Tales Torraga

Jornalista e escritor, Tales Torraga nasceu em Mogi das Cruzes (SP), mas é, segundo os colegas, "mais argentino que os próprios argentinos". Morou em Buenos Aires e Montevidéu, girou pela imprensa brasileira e portenha e escreveu 15 livros ? o último deles, Copa Loca, é sobre a...Argentina nos Mundiais.

Colunista do UOL

08/12/2021 13h47Atualizada em 08/12/2021 14h43

Tarde de imensa festa para a torcida do River Plate. A notícia mais aguardada do futebol argentino nos últimos anos acaba de ser revelada: Marcelo Gallardo vai continuar no clube por uma temporada a mais. Em junho de 2022, ele completará nada menos que oito anos seguidos como técnico do River.

Sua presença ou saída gerou imenso debate no cotidiano argentino, tanto que até um especialista em linguagem corporal foi usado pelas TVs para elucidar o mistério, como a coluna contou há três semanas. E o veredito do consultado expert estava certo: Gallardo realmente ficou.

O "Napoleão" Gallardo versão 2022 será suficiente para transformar o gigante portenho em favorito ao título da próxima Libertadores? A coluna apurou os sete motivos que fizeram o técnico decidir pela permanência no River. São esses:

Pedido dos jogadores

Os próprios atletas demonstraram na festa do título do Campeonato Argentino que gostariam que o técnico permanecesse. E Gallardo levou em consideração a vontade dos seus comandados, o seu "grupo humano", como sempre repete.

Depois de tal gesto coletivo, ele considerou que era justo ficar no time um ano a mais e preparar melhor uma possível sucessão. Tal pedido dos atletas foi admitido pelo técnico na entrevista coletiva, embora ele tenha reforçado que sua ambição profissional acabou falando mais alto — e não uma mera tentativa de adoçar seus comandados.

Clamor popular

Tal fervor foi gerado também pela torcida, que comoveu o treinador nos últimos meses demonstrando em todos os momentos que a sua permanência seria bem-vinda. Por isso citamos no final de semana que o domingo seria a "noite da loucura" na tentativa de fazer o técnico continuar na equipe.

mune - Reprodução TV - Reprodução TV
Mosaico da torcida do River Plate em homenagem a Marcelo Gallardo
Imagem: Reprodução TV

Gallardo é o maior técnico da história do River, e sua permanência terá uma festa digna amanhã, quando o Monumental de Núñez, mesmo sem jogo, estará lotado para comemorar em dobro os três anos da "final de todos os tempos", o título em cima do Boca Juniors na Libertadores da América de 2018.

O anúncio da permanência do técnico foi acompanhado por um "buzinaço" de torcedores do River em diversos bairros portenhos. Muita gente parada nos semáforos não entendeu nada.

Presidente aliado

O River Plate tem novo presidente: Jorge Brito, aliado de Rodolfo D'Onofrio, o mandatário que sai de cena guardando uma relação umbilical com Gallardo.

Marcelo e Brito já trabalham juntos desde a chegada do treinador, em 2014, e a sua eleição recorde, com 70% dos votos, neste final de semana, gerou o ambiente perfeito para o técnico permanecer na equipe. O único que sai de cena é D'Onofrio. Todo o restante da diretoria que consagrou Gallardo seguirá no River.

Novo orçamento

O River terá mais dinheiro para investir na equipe, e nos bastidores fala-se de um reforço de peso na defesa, outro no meio-campo e mais um no ataque.

Quem deve ter sua volta confirmada nos próximos dias é o meia colombiano Juanfer Quintero, que está no Shenzhen, da China.

Um novo contrato com a Adidas (de US$ 8,3 milhões anuais), um novo "fan token" (de US$ 20 milhões) e o Monumental de Núñez sempre lotado e reformado gerarão novas receitas ao River, gerando a expectativa de um time mais competitivo para ser comandado pelo badalado técnico.

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Marcelo Gallardo comemora título argentino com o filho Benjamín
Imagem: Reprodução TV

Família

Gallardo não queria sair de Buenos Aires porque tem um filho de apenas dois anos, Benjamín, e é muito apegado ao pai, Máximo. Sua mãe, Ana, morreu há sete anos, quando ele assumiu o comando do clube. Marcelo é o argentino "típico", bastante ligado à família, e não achava justo sair do país e obrigar seus parentes a uma mudança de rotina.

Calendário curto

A temporada 2022 para o futebol argentino será mais curta, por conta da Copa do Mundo. Este ano a mais de Gallardo, na verdade, representa nove meses de trabalho, algo levado em consideração por ele ao esticar seu vínculo com o clube sem tamanha estafa.

Tecnologia e alívio

Uma das táticas de sedução do River ao tentar a permanência de Gallardo era diminuir suas incumbências no dia a dia do clube. Menos sobrecarregado e com uma tecnologia mais efetiva desde os profissionais até as divisões de base, como nos seus sempre solicitados "scouts", Marcelo poderá se concentrar na equipe principal e não assimilar todas as responsabilidades que vinha cumprindo e se desgastando, bem ao seu estilo obcecado e exigente.

Os 13 títulos de Gallardo em 7 anos de River

  • Três Recopas Sul-Americanas (2015, 2016 e 2019)
  • Três Copas Argentinas (2016, 2017 e 2019)
  • Duas Libertadores da América (2015 e 2018)
  • Duas Supercopas Argentinas (2018 e 2021)
  • Uma Copa Sul-Americana (2014)
  • Uma Copa Suruga Bank (2015)
  • Um Campeonato Argentino (2021)