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Tales Torraga

REPORTAGEM

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Boca joga decisão que impacta caminho brasileiro na Libertadores-2022

Boca Juniors perfilado na Bombonera em partida do Campeonato Argentino - Divulgação Boca Juniors
Boca Juniors perfilado na Bombonera em partida do Campeonato Argentino Imagem: Divulgação Boca Juniors
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Tales Torraga

Jornalista e escritor, Tales Torraga nasceu em Mogi das Cruzes (SP), mas é, segundo os colegas, "mais argentino que os próprios argentinos". Morou em Buenos Aires e Montevidéu, girou pela imprensa brasileira e portenha e escreveu 15 livros ? o último deles, Copa Loca, é sobre a...Argentina nos Mundiais.

Colunista do UOL

08/12/2021 08h26Atualizada em 08/12/2021 09h01

Uma das camisas mais pesadas do continente vive noite especial nesta quarta (8). A partir das 21h10 (de Brasília), no Estádio Madre de Ciudades, em Santiago del Estero, o Boca Juniors decide a Copa Argentina contra o Talleres, de Córdoba. A final é disputada em partida simples e vale uma vaga para o clube xeneize na fase de grupos da Libertadores de 2022.

Caso perca a final, o Boca ainda tem mais uma chance de alcançar os classificados diretos para o principal torneio continental. Seria pelo Campeonato Argentino, que realiza mais uma rodada antes do seu término. O Boca disputa com o Estudiantes de La Plata para ver quem avança direto e quem ficaria na pré-Libertadores. A soma dos pontos no Argentino na temporada 2021 hoje mostra o Estudiantes um ponto acima do Boca (61 a 60). Os dois postulantes jogam em casa na jornada final: o Estudiantes recebe o Aldosivi, e o Boca encara o Central Córdoba.

Os argentinos na Libertadores-2022

Os seis representantes do país no torneio continental já estão definidos: River Plate, Vélez Sarsfield, Colón, Talleres, Boca Juniors e Estudiantes. A única dúvida agora é a já mencionada (definir se Boca ou Estudiantes avançam à fase de grupos ou pré-Libertadores). O representante argentino da pré-Libertadores entraria na segunda fase e jogaria ao todo quatro partidas (duas da segunda fase e mais duas da terceira) em caso de avanço.

Para o Boca, ir à pré-Libertadores representaria o risco de enfrentar o Fluminense, Bragantino, América-MG, Santos, Ceará, Atlético-GO, São Paulo ou Inter. A definição da lista brasileira sai nesta quinta.

Caso avance à fase de grupos, os possíveis rivais do clube xeneize logo de cara poderia ser Flamengo, Athletico-PR, Corinthians, Palmeiras, Atlético-MG ou Fortaleza.

Para o Boca, jogar a pré-Libertadores teria uma "contrapartida": os jogadores suspensos pela briga do Mineirão contra o Atlético-MG já começariam a cumprir suas penas. Os que têm jogos a pagar são: Sebastián Villa e Cristian Pavón (seis jogos), Marcos Rojo (cinco), Cáli Izquierdoz (quatro), Pulpo González (três) e Javier García (dois).

Que Boca é este?

Apagado no cenário argentino por conta do sucesso do River Plate com Marcelo Gallardo, o Boca chega aos trancos e barrancos a esta decisão. Em enquete com leitores no site do jornal " Olé", o Talleres aparecia como favorito ao título por 60% a 40%, uma mostra de como a equipe comandada por Sebastián Battaglia não vem rendendo o que dela se esperava —vide o sufoco com a vaga na fase de grupos da Libertadores.

No papel, o time é interessante e conta com jogadores de experiência e reconhecida qualidade. O goleiro é Agustín Rossi, de comprovada maturidade, embora carregue a fama de falhar nas horas decisivas, como no gol de Julián Álvarez contra o River no último superclássico.

Os laterais jogam na seleção: Advíncula, pela direita, é do Peru, e Fabra, pela esquerda, da Colômbia. Os zagueiros são os respeitadíssimos Cáli Izquierdoz e Marcos Rojo.

seba - Divulgação Boca Juniors - Divulgação Boca Juniors
Sebastián Battaglia, técnico do Boca Juniors
Imagem: Divulgação Boca Juniors

O meio-campo combina a marcação do peruano Zambrano com a leveza de Almendra e Ramírez. O ataque também impõe respeito, com os colombianos Villa e Cardona e com a revelação Vázquez, que segundo Martín Palermo tem tudo para ser o melhor camisa 9 do futebol argentino.

A dificuldade é o ambiente. Zambrano, Cardona e Villa protagonizaram um caso de indisciplina na semana passada, e a relação entre Juan Román Riquelme, vice-presidente de futebol, e o técnico Battaglia não é das melhores. Uma derrota hoje certamente custaria seu cargo para a temporada 2022.