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13 feitos e fatos impressionantes sobre Emma Raducanu, campeã do US Open

Getty Images
Imagem: Getty Images
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Alexandre Cossenza

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais. Contato: ac@cossenza.org

Colunista do UOL

12/09/2021 04h00

É justo dizer que até junho deste ano Emma Raducanu era apenas mais uma adolescente com potencial no meio de tantas outras jovens que tentam sucesso no circuito mundial. Quando Wimbledon começou, a britânica de 18 anos, que nasceu no Canadá e tem pai romeno e mãe chinesa, era a tenista de pior ranking na chave e precisou de um convite da organização para estar entre as 128 participantes.

De lá para cá, a vida de Raducanu foi um tanto emocionante. Primeiro, chocou o mundo ao alcançar as oitavas de final de Wimbledon. Então, no dia 5 de julho, sentiu um mal-estar em quadra e se retirou da partida contra a australiana Ajla Tomljanovic. Agora, pouco mais de um mês depois, a jovem está com o troféu do US Open nas mãos e escreveu seu nome no livro de recordes com um punhado de marcas assustadoras. Vejamos, então, alguns fatos e feitos sobre a mais nova campeã de slam do circuito feminino.

1. Do quali ao título

Raducanu é a primeira pessoa a conquistar um título de slam após passar pelo qualifying. Antes dela, ninguém havia sequer alcançado a final. E mais: a britânica não só venceu as dez partidas que precisava para conquistar como o fez sem perder sets. Em sua campanha, superou, em sequência, Bibiane Schoofs (6/1 e 6/2), Mariam Bolkvadze (6/3 e 7/5), Mayar Sherif (6/1 e 6/4), Stefanie Voegele (6/2 e 6/3), Shuai Zhang (6/2 e 6/4), Sara Sorribes Tormo (6/0 e 6/1), Shelby Rogers (6/2 e 6/1), Belinda Bencic (6/3 e 6/4), Maria Sakkari (6/1 e 6/4) e Leylah Fernandez (6/4 e 6/3).

2. Uma final inédita sem cabeças de chave

A decisão deste sábado foi a primeira da Era Aberta (a partir de 1968) sem nenhum cabeça de chave. Raducanu, número 150 do mundo até este domingo, entrou via qualifying. Leylah Fernandez era a 73ª na lista da WTA. Foi também apenas a nona final de slam entre duas adolescentes na Era Aberta e a primeira desde o US Open de 1999, quando Serena Williams, então com 17 anos, bateu Martina Hingis, de 18, por 6/3 e 7/6(4).

3. A mais jovem britânica

Entre as quatro britânicas que alcançaram finais de slam na Era Aberta, Raducanu foi a mais jovem. As outras foram Virginia Wade, em 1968, Ann Jones, em 1969, e Sue Barker, em 1976.

4. Salto gigante no ranking

Número 150 do mundo quando o US Open começou, Raducanu aparecerá nesta segunda-feira como 23ª no ranking mundial. Ela assume a posição de #1 da Grã-Bretanha, ultrapassando Johanna Konta, que passou 310 semanas como a tenista mais bem ranqueada do Reino Unido.

5. De zero a milionária em três meses

Até antes de Wimbledon, Raducanu havia faturado apenas cerca de US$ 40 mil somando todos torneios profissionais de que participou. No slam da grama, a adolescente ganhou US$ 254 mil com sua campanha até as oitavas. Agora, com o título do US Open, Emma já pode se considerar oficialmente uma milionária. Ela recebe US$ 2,5 milhões pela conquista em Nova York. O valor equivale a mais ou menos oito vezes o que a jovem havia somado em toda carreira até o fim de agosto.

6. 275 mil seguidores em um dia

Na véspera da final do US Open, Raducanu somava 725 mil seguidores no Instagram. Após o título, na noite de sábado, o número já ultrapassava a casa de um milhão. Antes de Wimbledon, eram cerca de 2 mil.

7. Parabéns da Rainha

Emma recebeu até uma carta assinada pela rainha Elizabeth após a final. "Envio meus parabéns a você pelo sucesso na conquista do US Open. É um feito memorável em uma idade tão jovem e é prova de seu trabalho duro e sua dedicação. Não tenho dúvida de que seu desempenho extraordinário, assim como o de sua adversária, Leyla Fernandez, vai inspirar a próxima geração de tenistas. Envio calorosas felicitações a você e a seus muitos apoiadores."

8. Jejum de 44 anos

Raducanu é a primeira mulher britânica a conquistar um slam em simples desde 1977, quando Virginia Wade foi campeã de Wimbledon. Um jejum de 44 anos chega ao fim.

9. Lista ao lado de Guga

Raducanu entra para o minúsculo grupo de tenistas que conquistaram seu primeiro título de nível WTA (ou ATP) em um slam. A lista tem o sueco Mats Wilander, a letã Jelena Ostapenko, a polonesa Iga Swiatek e... sim, o brasileiro Gustavo Kuerten.

10. Escola é fundamental

Em 2018, Raducanu foi a número 20 do mundo como juvenil e disputou seis slams para tenistas de até 18 anos. Seus melhores resultados vieram em Wimbledon e no US Open, onde alcançou as quartas de final. A jovem, porém, nunca deixou de lado os estudos. Ela terminou o ensino médio recentemente e, hoje, diz que seguir na escola ajudou muito.

"Acho que continuar no colégio definitivamente me ajudou em termos de ter outro grupo de amigos que posso procurar. Era uma vida diferente. É como uma fuga para mim. Ter algo além do tênis manteve minha mente ocupada", disse em Wimbledon.

"Quando você treina, só tem um certo tempo por dia para isso. Você anda tem muito tempo para preencher. [A escola] ajudou a manter minha mente ativa. Acho que me ajudou em quadra também na maneira em que eu absorvo muita informação. Acho que em quadra eu sou mais inteligente taticamente do que algumas outras."...

11. Paixão por câmeras descartáveis

Em uma entrevista recente à LTA, a jovem Emma contou que tem o hábito de viajar com máquinas fotográficas descartáveis (sim, aquelas de filme que precisam ser revelados!). Ela diz quando volta das viagens é como se vivesse uma nova jornada por onde esteve. "São um pouco old school também, então gosto bastante."

12. Federação ajuda

O desenvolvimento de Emma como tenista tem participação da LTA (Lawn Tennis Association), a federação britânica de tênis. Hoje, ela faz parte do Pro Scholarship Programme da LTA, um programa que oferece apoio médico, financeiro e psicológico, além de acesso às instalações do Centro Nacional de Treinamento do país. O benefício é concedido aos melhores britânicos entre 16 e 24 anos. Lá, planejamento é mais do que preencher uma ficha de inscrição.

13. Do abandono em Londres à conquista em NY

Em Wimbledon, jogando em uma Quadra 1 cheia de empolgados torcedores britânicos nas oitavas de final, Raducanu teve problemas para controlar a respiração, pediu atendimento médico e abandonou a partida sem que o público recebesse uma explicação sobre o motivo da desistência.

No dia seguinte, Emma gravou uma entrevista que foi ao ar no canal oficial de Wimbledon e na BBC, explicando o que aconteceu. Sobre os motivos, ela disse não saber exatamente quais foram, mas deu um bom palpite: "Não sei o que causou. Acho que foi uma combinação de tudo que aconteceu nos bastidores na última semana e o acúmulo de empolgação, do buzz. Acho que é um grande aprendizado para mim, um grande passo adiante e da próxima vez estarei mais bem preparada."

A julgar pelo que aconteceu em Nova York, Raducanu estava certa.

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