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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

AO: quartas de final têm Serena e Osaka em forma; Djokovic faz mistério

Reuters
Imagem: Reuters
Alexandre Cossenza

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais. Contato: ac@cossenza.org

Colunista do UOL

15/02/2021 12h54

A rodada de segunda-feira, oitavo dia do Australian Open, definiu o resto das quartas de final do torneio. Após uma atuação com altos e baixos de Rafael Nadal na vitória sobre Fabio Fognini, vitórias tranquilas de Ashleigh Barty e Daniil Medvedev, as desistências de Casper Ruud e Matteo Berrettini, e a eliminação de Elina Svitolina diante da número 61 do mundo, Jessica Pegula, o cenário está completo.

Na chave feminina, Serena Williams e Naomi Osaka chegam em forma e cheias de moral após vitórias difíceis. O mesmo vale para Simona Halep. Entre os homens a surpresa das oitavas foi a queda de Dominic Thiem diante de Grigor Dimitrov. Os demais favoritos avançaram sem problemas. Isso inclui Novak Djokovic, que, após sair da quadra na terceira rodada dizendo que tinha um problema muscular, resolveu fazer mistério sobre a real gravidade de sua lesão e não falou muito após derrotar Milos Raonic nas oitavas. Vejam abaixo os confrontos e o que esperar dos próximos jogos.

Homens

[1] Novak Djokovic x Alexander Zverev [6]
[18] Grigor Dimitrov x Aslan Karatsev [Q]
[7] Andrey Rublev x Daniil Medvedev [4]
[5] Stefanos Tsitsipas x Rafael Nadal [2]

O grande ponto de interrogação aqui é a situação de Novak Djokovic, que derrubou Milos Raonic jogando mais à vontade do que na terceira rodada, quando aparentava sentir muito mais dor. Após a partida, o número 1 do mundo disse que se submeteu a diferentes tratamentos e medicamentos, além, claro, de analgésicos. Nole só não quis revelar qual é a lesão nem sua gravidade e justificou-se dizendo "ainda estou no torneio" - o que significa que ele não quer dar nenhuma ajuda adicional aos adversários. É uma conduta bastante normal entre jogadores que competem lesionados. O curioso é que após bater Fritz, Djokovic saiu da quadra dizendo que tinha uma ruptura em algum lugar.

Nole, pelo menos, disse estar ciente dos riscos e de que foi advertido pelos médicos de que sua sequência no torneio pode agravar a lesão. Seu próximo adversário será Alexander Zverev, alguém com mais recursos do que Raonic e que deve forçar Djokovic a disputar mais ralis - e mais longos. Será um teste muito mais exigente, que possivelmente deixará mais claras as condições de Nole de brigar por mais um título em Melbourne.

A surpresa da lista é o qualifier russo Aslan Karatsev, número 114 do mundo, que voltou a aprontar e fez o improvável, perdendo os dois primeiros sets e virando a partida sobre o canadense Félix Auger-Aliassime (#19). Dono de boas devoluções e uma interessante direita cruzada e angulada, o russo segue no papel do azarão diante de Grigor Dimitrov. O búlgaro, por sua vez, aproveitou-se de uma jornada abaixo da expectativa de Thiem (que disse ter problemas físicos) para conquistar uma chance rara: uma vaga nas quartas contra um qualifier podendo avançar para encarar um Djokovic lesionado (ou Zverev, claro) nas semifinais. Parece um cenário bem melhor do que o búlgaro imaginaria na semana passada.

A chave de baixo tem dois grandes jogos: o duelo russo entre Andrey Rublev, que vem tirando bom proveito das quadras mais rápidas na Austrália deste ano, e Daniil Medvedev, o grande favorito do quadrante; e o confronto entre Rafael Nadal e Stefanos Tsitsipas, que avançou por WO após a desistência do lesionado Berrettini. Duas partidas com claros favoritos, mas que devem render momentos bastante interessantes - e nenhum resultado é impossível aqui.

Mulheres

[1] Ashleigh Barty x Karolina Muchova [25]
[22] Jennifer Brady x Jessica Pegula
Sh-Wei Hsieh x Naomi Osaka [3]
[10] Serena Williams x Simona Halep [2]

A chave feminina teve demonstrações importantes de força por parte de Naomi Osaka, Serena Williams e Simona Halep. A japonesa salvou dois match point e fez um fim de partida espetacular para virar o placar de 3/5 para 7/5 e eliminar uma brilhante Garbiñe Muguruza (sim, a espanhola vacilou no game final, mas fez uma partida quase impecável até então). Em seguida, Serena Williams mostrou boa movimentação e até ganhou pontos se defendendo mais do que atacando. Era o necessário para superar Aryna Sabalenka, que também fez um jogão, em três sets. Por último, Simona Halep virou um duelo duríssimo contra Iga Swiatek, campeã de Roland Garros - e que eliminou a mesma romena no saibro francês. As três chegam fortíssimas às quartas, e duas delas - Serena e Simona - vão se enfrentar.

Na parte de cima da chave, duas surpresas: Jessica Pegula, que faz um torneio belíssimo desde que eliminou Azarenka na primeira rodada, tirou Svitolina nesta segunda; e Karolina Muchova, que, uma rodada após superar sua compatriota Karolina Pliskova, passou pela belga Elise Mertens. A favorita nessa metade do quadra continua sendo a número 1 do mundo, Ashleigh Barty, que superou Shelby Rogers sem grandes problemas.

Os brasileiros

Bruno Soares e Luisa Stefani ainda seguem na briga. O mineiro está vivo tanto nas duplas masculinas quanto nas duplas mistas ao lado da paulista. Nesta segunda, ele e Jamie Murray avançaram às quartas de final ao venceram um duro confronto contra Simone Bolelli e Máximo González: 6/7(5), 6/2 e 6/4. Cabeças de chave 6, eles vão enfrentar agora a parceria formada pelo salvadorenho Marcelo Arévalo e o holandês Matwe Middelkoop, que eliminaram o gaúcho Marcelo Demoliner na primeira rodada.

Marcelo Melo não teve a mesma sorte nesta segunda. Ele e seu parceiro temporário, o romeno Horia Tecau, foram eliminados pelo croata Ivan Dodig, ex-parceiro do mineiro, e pelo eslovaco Filip Polasek: 6/4 e 6/3.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL