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Federer fora do Australian Open: sinal preocupante e um choque de realidade

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Imagem: Getty Images
Alexandre Cossenza

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais. Contato: ac@cossenza.org

Colunista do UOL

28/12/2020 04h00

A confirmação chegou na noite de ontem: Roger Federer não vai disputar o Australian Open de 2021. Segundo seu empresário, Tony Godsick, citado em diversos jornais do país, o tenista suíço "teve grande progresso nos últimos meses com seu joelho e sua forma física. Porém, após consultar sua equipe, ele decidiu que a melhor opção a longo prazo é voltar ao tênis competitivo após o Australian Open."

O anúncio não chega a ser uma surpresa total para os fãs de tênis. Já faz tempo que ficou claro que a lesão no joelho direito de Federer não era tão simples. Isso ficou claro quando em junho deste ano ele anunciou a necessidade de passar por uma segunda artroscopia nesta temporada (a primeira foi em fevereiro). Além disso, nas poucas vezes que abordou a reabilitação em entrevistas, Federer, evitou dar detalhes e jamais disse estar perto de uma recuperação total.

Mesmo com essas "pistas" surgindo ao longo de 2020, o anúncio da ausência no Australian Open é preocupante por dois motivos. O primeiro deles tem relação com o timing da coisa. Se Federer já avisou desde agora, faltando quase dois meses para o torneio, isso significa que ele nem está tão perto assim do nível competitivo que gostaria de estar. Em outro caso, ele tomaria a decisão mais perto, no começo de fevereiro. Descartar a viagem a Melbourne em dezembro é mais um sinal de que o joelho não respondeu com a velocidade que seus fãs gostariam.

Essa demora, por sua vez, leva a outra avaliação preocupante, que deve chegar à maioria dos apaixonados por tênis como um grande choque de realidade. Roger Federer, 39 anos, não é mais um garotinho. Sim, todos sabem muito bem da idade do veterano, mas é fácil esquecê-la quando ele está em quadra, movendo-se com a leveza de um bailarino e destruindo rivais que nasceram quando ele já era campeão de slam. A lesão no joelho, as duas cirurgias de 2020 e a terceira ausência seguida em um slam são o doído-porém-necessário lembrete de sim, Federer é humano.

Coisas que eu acho que acho:

- Federer vem mantendo uma boa dose de mistério sobre sua recuperação. Foi assim com todos seus (poucos) problemas físicos em toda a carreira. É compreensível, ainda mais neste momento em que todos querem saber (e também temem saber) até quando o suíço vai competir. Desta vez, porém, a demora preocupa mais.

- Puro palpite de quem não recebeu nenhuma informação sobre a lesão, mas leu centenas de entrevistas de Federer nos últimos anos. A não ser que o problema no joelho seja gravíssimo (e, por algum motivo, não acredito nisso), não vejo Roger pendurando a raquete sem uma turnê de despedida. Logo, imagino mais uma visita a Melbourne no começo do ano. Se fosse para colocar minhas fichas em algo, apostaria que a demora para voltar ao circuito é resultado mais da exigência do próprio Federer, que não deve ver sentido em estar num slam sem ter chances de brigar por um título, do que de um problema físico insuperável.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.