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Finals conhece grupos, Linz tem quartas fortes e Bellucci vence nos EUA

Thomas Kronsteiner/Getty Images
Imagem: Thomas Kronsteiner/Getty Images
Alexandre Cossenza

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais. Contato: ac@cossenza.org

Colunista do UOL

13/11/2020 04h00

A ATP sorteou nesta quinta-feira os grupos do ATP Finals, torneio de fim de ano que reúne os oito primeiros tenistas do ranking. Em sua última edição em Londres e realizado com portões fechados, o torneio está desenhado assim: o Grupo Tóquio 1970 tem Novak Djokovic, Alexander Zverev, Daniil Medvedev e Diego Schwartzman; e o Grupo Londres 2020 reúne Rafael Nadal, Dominic Thiem, Andrey Rublev e Stefanos Tsitsipas.

De modo geral, é possível dizer que há certo equilíbrio. Djokovic, o número 1 do mundo, deve ter mais problemas contra Medvedev, que acaba de conquistar o Masters de Paris e reencontrou sem melhor tênis na hora ideal, e Sascha, que venceu os dois torneios de Colônia e somou 12 triunfos consecutivos (todos em quadra dura indoor, mesmas condições de Londres) até perder a final de Paris para o russo. Dieguito entra como o azarão que pode dar trabalho o suficiente para bagunçar o grupo, mas será uma grande (e, por que não, agradável!) surpresa se passar da fase de grupos.

Rafa, o número 2 do planeta, parece ter um grupo mais homogêneo. O espanhol, que não fez lá um grande torneio (para seus padrões) em Paris, é favorito junto com Rublev e Thiem. O russo vem no embalo dos títulos de São Petersburgo e Viena, mas é preciso fazer uma ressalva aqui: no torneio austríaco, três de suas vitórias vieram contra tenistas com problemas físicos. Sinner abandonou nas oitavas, ainda no terceiro game; nas quartas, Thiem teve bolhas nos pés e ofereceu menos resistência do que o habitual; e na semi, Kevin Anderson também abandonou. Espera-se um Thiem recuperado e mais forte em Londres. Tsitsipas, por sua vez, venceu um jogo e perdeu dois depois de Roland Garros. Após atuações e derrotas decepcionantes para Dimitrov (Viena) e Humbert (Paris), ele entra como azarão aqui - ainda que seja cruel aplicar o rótulo para qualquer tenista entre os oito melhores do mundo. Tanto Stefanos aqui quanto Schwartzman no outro grupo têm capacidade para irem além da primeira fase.

O torneio começa domingo e tem transmissão do SporTV. Será o último ATP Finals exibido pelo canal, que perdeu os direitos deste evento e de todos os Masters 1.000 para a ESPN. Saiba mais aqui.

Quartas interessantes em Linz

Em 2020, o circuito feminino não teve a longa sequência de torneios pela Ásia no segundo semestre nem terá o WTA Finals. Se serve de consolo, o WTA International de Linz, na Áustria, último evento do calendário, não está decepcionando. Aryna Sabalenka e Elise Mertens, cabeças de chave 1 e 2, estão fortes nas quartas de final.

A bielorrussa vive ótimo momento. Além de somar seis triunfos seguidos (foi campeã do WTA de Ostrava anteriormente), chegou às quartas fazendo 6/0 e 6/3 em cima de Stefanie Voegele (#124). Mertens teve mais problemas, mas também teve rivais mais difíceis. Na estreia, perdeu o set inicial para a afiada qualifier Anhelina Kalinina e teve de vencer de virada. Nas oitavas, encontrou resistência da veterana Vera Zvonareva, mas avançou por 6/4, 5/7 e 6/2.

As quartas Linz ficaram assim em Linz: Sabalenka x Dodin, Krejcikova x Sasnovich, Podoroska x Alexandrova e Mertens x Kudermetova. Sabalenka e Mertens são favoritas, mas nem tanto. Dodin venceu nove dos últimos dez jogos que disputou em quadra dura. Mesmo que cinco desses triunfos tenham acontecido no fraco W25 de Reims, confiança é algo que não pode ser subestimado. Mertens deve ter problema semelhante. Kudermetova venceu sete de seus últimos oito jogos, inclusive furando o quali em Ostrava, onde eliminou a cabeça 2, Karolina Pliskova.

Bellucci vai às quartas em Challenger americano

De volta ao circuito masculino, o ATP 250 de Sófia, na Bulgária, ainda movimenta a elite nesta semana. O torneio ficou ainda mais aberto porque os dois principais cabeças, Denis Shapovalov e Félix Auger-Aliassime, perderam na estreia. Shapo perdeu para Radu Albot, enquanto Félix tombou diante de Salvatore Caruso. Quem chega forte é Jannik Sinner, 19 anos, #44, que derrubou Alex De Minaur por 6/7(3), 6/4 e 6/1 nas quartas. Ele tem um duelo traiçoeiro com Adrian Mannarino (#35) na semi. A outra semi tem Richard Gasquet, que vem de vitória por 7/6(4) e 7/5 sobre Caruso, contra o "sacador" canadense Vasek Pospisil, que eliminou John Millman por 6/3 e 6/2 ganhando 86% dos pontos com o primeiro serviço.

Enquanto isso, no Challenger 80 de Cary (EUA, quadra dura), Thiago Monteiro (#80) cabeça 1, foi eliminado de virada nas oitavas pelo dinamarquês Mikael Torpergaard (#196). Em compensação, Thomaz Bellucci (#297) derrotou o russo Teymuraz Gabashvili por 6/3 e 7/6(7), vencendo seu sexto tie-break em oito disputados na temporada. O paulista, que ganhou nove de seus últimos 11 jogos em quadras duras, vem tentando somar pontos para voltar aos grandes torneios. Seu próximo rival é o cabeça 4, Prajnesh Gunneswaran, que bateu Jack Sock nesta quinta-feira por 6/7(3), 6/2 e 7/6(5).

Coisas que eu acho que acho:

- A ATP ainda não sorteou os grupos das duplas no Finals. Falta decidir uma vaga, que está em jogo em Sofia. A briga é entre Jurgen Melzer/Edouard Roger-Vasselin e Jamie Murray/Neal Skupski. O Brasil terá novamente Marcelo Melo e Bruno Soares.

- Mais sobre duplas: por algum motivo que nunca foi falado (mas a gente sabe que era medo de perder gente como Djokovic e Nadal), a ATP estabeleceu regras diferentes para simples e duplas na classificação para o Finals. Enquanto nas simples vale o ranking-ranking (que, por causa da pandemia, considera os resultados desde março do ano passado), nas duplas o que conta é a "Corrida", ou seja, apenas os pontos somados pelas parcerias em 2020. Isso provocou a seguinte (e constrangedora, na minha opinião) situação: Cabal e Farah, dupla número 1 do mundo, não está no Finals.

- Vale o lembrete: há algumas semanas, passei a escrever também para o The Player, a maior comunidade de apostas esportivas. Lá, além de análises sobre os torneios e suas respectivas chaves, dou também dicas de apostas, indicando favoritos e azarões que têm melhores chances de surpreender a cada semana. Visitem e confiram!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.