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Alemanha 3 x 0 Brasil: questão de patamar

Miriam Jeske/Heusi Action
Imagem: Miriam Jeske/Heusi Action
Alexandre Cossenza

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais. Contato: ac@cossenza.org

Colunista do UOL

08/02/2020 12h44

O confronto entre Brasil e Alemanha, válido pela fase classificatória da Fed Cup, chegou ao fim neste sábado, com mais uma vitória em sets diretos das visitantes. A número 1 germânica, Laura Siegemund (#73 do mundo) fez 6/1 e 6/2 sobre a número 1 brasileira, Gabriela Cé (#225) em Florianópolis.

Foi o terceiro ponto da Alemanha, que anotou duas vitórias na sexta-feira. Primeiro, com a própria Siegemund superando Teliana Pereira (#359) por 6/3 e 6/3. Depois, com Tatjana Maria (#91) derrotando Cé por 6/3 e 7/6(5). Com esses resultados, o time europeu se classifica para a fase final da Fed Cup, que pela primeira vez será disputada em sede única, como na Copa Davis. O evento será de 14 a 19 de abril, em Budapeste.

Mesmo diante de um time B, que veio ao Brasil sem a ex-número 1 do mundo Angelique Kerber (#20) e Julia Goerges (#31), não era realista esperar algo diferente. Do mesmo modo, não cabe aqui criticar o time da capitã Roberta Burzagli. São duas equipes com uma enorme disparidade de técnica e experiência, e isso ficou óbvio no resultado. Todos sets foram vencidos pelas visitantes, ainda que com torcida contra (e o público, infelizmente, foi pífio) e no piso escolhido pelo Brasil.

São times, lembremos, que disputam circuitos diferentes. Enquanto Siegemund já foi top 30 e Maria soma 80 jogos de grand slam na carreira, Gabriela Cé tem no currículo apenas dois jogos de qualifying em slams. Perdeu ambos em sets diretos. O mais recente, por 6/0 e 6/1 para Sachia Vickery (#150), este ano, em Melbourne. Teliana, a #2 brasileira neste confronto, tem experiência de top 50, mas afastou-se por um longo tempo do circuito e não voltou ao nível de antes. Bia Haddad Maia, que seria a líder do time, cumpre suspensão provisória desde julho do ano passado em um caso de doping.

A dura realidade, expressão que já usei ontem, mas que faz-se necessária novamente, é que o tênis feminino brasileiro ainda está longe da elite. Como a própria Teliana destacou em um papo que tivemos há pouco mais de um ano, faltam torneios, falta apoio, falta divulgação e, claro, faltam tenistas. É um cenário que sofreu viu mudanças significativas nos últimos anos e que vive de brilhos isolados como o auge da carreira de Teliana Pereira e da promessa de Bia Haddad Maia, que recebeu muito apoio de patrocinadores, técnicos e da Confederação nos últimos anos.

Os brilhos do passado já são tão distantes - e nem precisa voltar a Maria Esther Bueno - que são citados com mais frequência em TCCs do que em programas de TV ou textos jornalísticos. Hoje, disputar a fase classificatória já é feito e tanto para um time que nasce e cresce nesse cenário árido. Para usar uma expressão da moda, as finais da Fed Cup, hoje, estão em outro patamar.

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