PUBLICIDADE
Topo

Banido do tênis, Feijão nega manipulação e vai recorrer de decisão ao TAS

Divulgação/Marcello Zambrana
Imagem: Divulgação/Marcello Zambrana
Alexandre Cossenza

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais. Contato: ac@cossenza.org

Colunista do UOL

25/01/2020 16h30

João Souza, o Feijão, não vai desistir de lutar pelo direito de continuar competindo no circuito mundial. No mesmo dia do anúncio da sentença que baniu o tenista ex-número 1 do Brasil pelo resto da vida, o advogado do atleta, Michel Assef Filho, manteve a versão de que seu cliente jamais participou de manipulação de resultados e, por isso, vai recorrer ao Tribunal Arbitral do Esporte (TAS).

O comunicado enviado à imprensa pela Unidade de Integridade do Tênis (TIU, na sigla em inglês) informa que Feijão foi considerado culpado não só de manipulação de resultados em várias partidas, mas também de destruir provas, pedir a outros jogadores que não se esforçassem ao máximo e deixar de relatar abordagens para fraudar jogos.

Em conversa por telefone com o autor desta coluna, Assef Filho disse que tem 20 dias úteis para apresentar a defesa de Feijão e destacou que nela vai enfatizar que o tenista jamais destruiu provas. "O Feijão, na primeira vez que foi abordado por um agente da TIU, ele imediatamente entregou o celular e a senha. Tudo que a TIU pediu: extratos bancários, senha de Facebook e tudo mais. Então essa afirmação é absurda. Ele entregou na hora, nem questionou. Isso não é atitude de quem tenha praticado algum ato de corrupção."

Por outro lado, o advogado admitiu que Feijão deixou de relatar à TIU uma abordagem de alguém interessado em manipular resultados, mas alegou que o atleta se portou assim por medo de represálias. "Aconteceu. Ele não reportou porque tinha medo. Ele já ouviu falar tanta história… Há fatos, há precedentes que são muito ruins, então ele ficou com receio e preferiu não reportar."

Situação parecida aconteceu com o tenista argentino Federico Coria, que ficou suspenso do circuito por dois meses e pagou US$ 2 mil dólares de multa. Ele não manipulou resultados, mas deixou de informar a TIU sobre uma proposta recebida. No ano passado, durante o Challenger de Campinas, Coria disse ao Globoesporte.com que teve medo de represálias.

"No meu depoimento, eu disse que não tinha como denunciar. Na minha opinião, deveriam ter vários regulamentos porque não é o mesmo viver na América do Sul do que na Suíça ou na Alemanha. Recebemos ameaças, pessoas que dizem o nosso endereço, que sabem onde a gente vive. Não sei, mas acho que eles (TIU) não entendem que aqui no Brasil ou na Argentina nos matam por um celular. Eles não entendem e vão muito ao limite das regras. E as regras são assim. Eles têm razão, eu também acho que eu tenho razão"

O advogado também confirmou que Feijão deixou de se esforçar ao máximo em algumas partidas ligadas a alertas de apostas - comunicados enviados à TIU por casas de apostas parceiras quando estas percebem padrões de apostas ou volumes de dinheiro incomuns investidos em determinados jogos.

"O João, de fato, deixou de usar os seus melhores esforços em alguns jogos. Os tenistas costumam fazer isso. Em alguns jogos de dupla, quando o tenista é eliminado nas simples, ele perde o interesse na competição e joga sem seus melhores esforços nas duplas. Só que o João ainda tinha um agravante. Ele estava com problemas pessoais, estava em processo de separação da ex-mulher e tudo mais. Inclusive ele já entrava no jogo com passagem marcada, e ele admitiu isso. A gente falou: 'Em alguns jogos, ele não usou os melhores esforços, mas não por causa de corrupção.' E não tem nenhuma evidência nos autos de que ele tenha recebido valores. Nada. Ele abriu todos extratos bancários. Não tem absolutamente nenhuma evidência."

Assef Filho também relata um trecho da conversa com o supervisor do torneio de Morelos, do México - um dos eventos em que Feijão teria agido de má fé.

"Eu perguntei: 'Era evidente que o João não estava usando os melhores esforços? Ele estava tentando esconder?' 'Nada, estava na cara que ele não estava jogando para ganhar.' Então eu falei: 'Isso não é uma atitude de quem estava praticando um ato de corrupção.' Quem vai ganhar algum dinheiro com aquilo não vai deixar evidente o que está fazendo, né? Qualquer um que olhasse estava vendo que o Feijão estava jogando sem seus melhores esforços. A gente vai levar esses temas para o TAS e vamos ver como isso vai ser julgado."

João Souza, o Feijão

Saque e Voleio