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A atípica e vulnerável versão do Inter na dramática vitória na Libertadores

Jogadores do Internacional comemoram gol contra o América de Cali em jogo da Copa Libertadores 2020 - Liamara Polli-Pool/Getty Images
Jogadores do Internacional comemoram gol contra o América de Cali em jogo da Copa Libertadores 2020 Imagem: Liamara Polli-Pool/Getty Images
Rafael Oliveira

Comentarista de futebol com passagens por Esporte Interativo e ESPN. Atualmente no Dazn. Sempre interessado em informações e análises do jogo em qualquer parte do planeta.

Colunista do Uol

16/09/2020 21h28

A atuação do Internacional, na dramática vitória por 4x3 sobre o América de Cali, deixa diferentes sensações, até porque os tempos foram distintos. Muito pelas consequências das adaptações do adversário, mas a versão do time de Coudet foi atípica.

É verdade que o começo foi o ideal, com o gol logo de cara. E não parou por aí. O primeiro tempo foi bom. Especialmente na primeira metade, havia um caminho muito definido para avançar e gerar perigo.

Os laterais e atacantes eram os protagonistas. O América buscava pressionar a saída de bola, mas não encaixava. Com Lindoso entre os zagueiros e os pontas colombianos mais avançados, era muito simples encontrar espaços para acionar Saravia e Uendel. Nonato direcionava as ações.

Não por acaso, Uendel foi tão importante, com a assistência do primeiro gol e o lançamento na origem do segundo. Pérez e Vergara não impediam os passes e também não retornavam, o que dava ampla vantagem ao Inter para avançar.

Se o lateral do América saísse para o combate, quebrava a linha de defesa e era castigado pela boa movimentação da dupla de ataque. Thiago Galhardo e Abel Hernández se alternaram bem nas funções de pivô e de ataque em profundidade. Eram um incômodo constante até então.

Por outro lado, não foi o jogo mais seguro do Inter. Se a equipe de Coudet costuma permitir poucas finalizações no Brasileirão, desta vez a sensação foi de maior vulnerabilidade, especialmente nas arrancadas de Duván Vergara.

Mas o jogo muda mesmo é com a troca na abordagem do América. Quando a equipe parou de tentar pressionar com três atacantes, o meio ficou mais encorpado. Isso diminuiu espaços e conteve a natural progressão do Inter com a bola.

Com apenas Adrián Ramos avançado, os zagueiros já não eram tão incomodados, mas também não encontravam opções tão abertas de passes. A saída passou a ser tentar bolas mais longas e diretas. E o América cresceu, equilibrou e tornou o cenário mais complicado.

Um cenário diferente do habitual, já que o Inter costuma ser um time que tem a posse não exatamente pela paciência para construir, e sim como consequência de um intenso trabalho de pressão sem bola. Não é o time mais criativo, mas tem organização, qualidade e físico para controlar a partir da intensidade, sólido e capaz de forçar erros.

Contra o América, curiosamente, o Inter teve minutos iniciais de um produtivo funcionamento ofensivo, mas depois cedeu muito mais defensivamente do que de costume. Viu uma vitória que parecia nas mãos quase escapar e ainda correu o risco de tomar a virada. No fim, comemora três importantes pontos, mas de uma atuação que fugiu do padrão do bom trabalho de Coudet.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.