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Parece estranho, mas Kanté de "primeiro volante" é novidade

N"Golo Kante disputa bola com Jack Grealish em duelo Chelsea x Aston Villa - Molly Darlington/Pool via Getty Images
N'Golo Kante disputa bola com Jack Grealish em duelo Chelsea x Aston Villa Imagem: Molly Darlington/Pool via Getty Images
Rafael Oliveira

Comentarista de futebol com passagens por Esporte Interativo e ESPN. Atualmente no Dazn. Sempre interessado em informações e análises do jogo em qualquer parte do planeta.

21/06/2020 14h40

O Chelsea venceu o Aston Villa de virada. Mason Mount foi o destaque técnico. Só que outro detalhe chamou atenção: a posição de Kanté. Embora frequentemente associado ao papel de "primeiro volante", o francês não costuma jogar desta forma. Mas foi como atuou no domingo.

Vale um passeio pelos diferentes momentos. No Leicester campeão com Claudio Ranieri, atuava alinhado a Drinkwater em uma dupla central no 4-4-2. Era um time que trabalhava pouco a posse, mas que explorava Kanté pela agressividade na marcação e pela capacidade de conduzir a bola, puxando as transições da defesa para o ataque.

No Chelsea, jogou ao lado de Matic na maior parte do tempo com Antonio Conte. Era geralmente um 3-4-2-1, também forte nos contra-ataques, ainda que com mais posse que o Leicester.

Quando Sarri chegou, o estilo mudou radicalmente. O 4-3-3 pedia um primeiro passe que fosse o termômetro da distribuição. Jorginho foi contratado para executar a função que conhecia bem na engrenagem do técnico nos tempos de Napoli. Coube a Kanté virar um meio-campista mais adiantado, o que não era novidade pelos espaços que ocupava ou pelo fôlego para pressionar sem bola, mas sim por desempenhar tal função em um time mais presente no ataque.

Na época, muito se questionou sobre deixar de jogar como um volante, função que, na realidade, não havia executado com qualquer frequência na Premier League. Não como volante único, pelo menos.

Com Lampard, o Chelsea tem um treinador mais versátil em relação aos sistemas. Ainda assim, a escolha contra o Aston Villa foi uma novidade. Na ausência de Jorginho, Kanté foi o mais recuado dos meio-campistas no 4-3-3. De fato, um "primeiro volante", para usar o termo que, no Brasil, muitas vezes confunde função com posição.

Ao jogar mais recuado, não necessariamente tem uma função mais defensiva. A bola, inclusive, passa mais por ele, exigindo maior capacidade de passe para fazer o time progredir diante de um adversário fechado. No cenário de ataque contra defesa, ele também funciona como quem recupera e mantém a posse no campo ofensivo.

Embora a comparação com Makelélé seja tradicional, foi uma das primeiras oportunidades de ver Kanté na "posição Makelélé", como ficou conhecido o trabalho de "primeiro volante" do antigo jogador na Premier League. Resta observar se foi algo pontual ou se Lampard pretende dar sequência à novidade. E se o encaixe será tão natural quanto parece, já que a ideia para muitos é de que ele já fazia isso há vários anos.