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Em tempos de coronavírus, VTs de futebol nos dão final feliz que buscamos

Eduardo Tironi

Eduardo Tironi é jornalista desde 1992, tendo passado por Notícias Populares, LANCE! e ESPN Brasil. Atualmente é participante e editor do podcast Posse De Bola (com Arnaldo Ribeiro) e comentarista na Rádio Band. Tem um canal no YouTube com Arnaldo Ribeiro. Fora do esporte, faz o podcast SonzeraFC sobre música e futebol.

Colunista do UOL

14/04/2020 18h14

"De triste, basta a vida." Esta é a frase que resume o sentido de as TVs reprisarem jogos de futebol do passado nesses tempos de coronavírus e confinamento.

Quando nos sentamos na frente da TV para assistir a um jogo desses basicamente estamos buscando o final feliz. O mesmo que queremos que aconteça com a pandemia mundial: no final, tudo vai ficar bem.

A decisão da Copa de 2002, por exemplo: só deu aquela audiência toda porque o Oliver Kahn solta a bola no pé do Ronaldo e depois o Rivaldo faz aquele lindo corta-luz que resulta no segundo gol. Caneco erguido e aquele orgulho de ser brasileiro.

Para entender a divisão de forças do futebol de hoje seria mais interessante ver outro Brasil x Alemanha, o de 2014. Foi muito mais representativo da atualidade, do que aquele disputado há quase 18 anos. Só que ali não tem final feliz. É gol atrás de gol, como se o coronavírus vencesse no final. Quem quer um desfecho desses?

O mesmo vale para jogos de clubes. O palmeirense adora rever a final do Paulista de 1993, o que acabou com a fila de títulos justamente contra o arquirrival Corinthians. Evair, Edmundo, Zinho, Mazinho, Roberto Carlos… que sonho...

O são-paulino quer rever a vitória no mundial contra o Barcelona na final de 1992. É como ler as notícias sobre a febre espanhola vencida no começo do século e cravar: nós vamos passar por isso.

Mas é fato que essas reprises todas têm uma pitada de impossibilidade. O Brasil não é campeão do mundo há quase 20 anos, o São Paulo de Pablo e Pato não pode bater o Barcelona de Messi e Suarez nem o Palmeiras tem Edmundo, Evair e Roberto Carlos. E também não é mais possível ver tanta gente aglomerada num só ambiente.

Disso tudo o que aconteceu, a única certeza é da volta das aglomerações, desde que surja uma vacina ou remédio eficaz contra o coronavírus. O resto é passado.