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Posse de Bola

Renato cada vez mais se parece com o "desafeto" Telê

Lucas Uebel/Grêmio FBPA
Imagem: Lucas Uebel/Grêmio FBPA
Arnaldo Ribeiro

Arnaldo Ribeiro é jornalista desde 1990. Passou por Notícias Populares, Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo. Na revista Placar, foi editor especial e redator chefe. Passou 13 anos na ESPN. Desde 2019, é responsável (com Eduardo Tironi) pelo podcast Posse de Bola. Também é comentarista do Sportv, além de colunista do site torcedores.com.

Colunista do UOL

08/12/2020 10h17

Renato Portaluppi recuperou o posto de melhor treinador brasileiro em atividade em 2020.

O seu Grêmio está vivo nas três principais competições da temporada: Libertadores, Copa do Brasil e Campeonato Brasileiro. Voltou a jogar o futebol sedutor das melhores temporadas, com uma mescla muito interessante de juventude e experiência. É um time cascudo e ao mesmo tempo vigoroso. Pode sonhar, sim, com a Tríplice Coroa.

Renato, que recentemente passou a ser o técnico com mais partidas na história do Grêmio, passou uma parte da temporada afastado do elenco por ser do "grupo de risco". Ficou no Rio de Janeiro jogando futevôlei, para desespero de muitos.

Mas ao contrário do que poderia se imaginar, não teve uma "recaída". Retornou ao trabalho concentrado. Enquanto o time não engrenava, bancou seus jogadores no discurso, nas entrevistas folclóricas, na base da bravata, ao seu estilo.

E o Grêmio enfim deslanchou. Renato já completou quatro anos à frente do Grêmio na sua terceira passagem pelo clube, onde fez história como jogador também. Tem até estátua lá. Está cada vez mais próximo do "recorde" de Telê Santana, que ficou mais de cinco anos no São Paulo dos anos 90.

Curioso lembrar que Telê era justamente seu principal desafeto. Tudo pelo corte para a Copa de 1986 por indisciplina. Os dois só fizeram as pazes quase dez anos depois, em 1995. Pois Renato está cada vez mais parecido com Telê como técnico. A guinada na terceira passagem pelo clube de coração foi decisiva. Ele mudou a forma histórica de o time jogar. O Grêmio de Renato joga o futebol-arte, como os times de Telê. Os jogadores do Grêmio são trabalhados à perfeição nos fundamentos, como eram os de Telê. O passe é o elemento mais precioso do jogo - como amava Telê.

Telê foi um ótimo jogador e um técnico excelente. Renato pode supera-lo no "combo". Por enquanto, foi um jogador excepcional e é um grande técnico. Pode se afirmar como o melhor técnico brasileiro de sua geração. Alguém duvida?