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Posse de Bola

No futebol, o bom senso vale mais que a regra (e o tapetão)

Arnaldo Ribeiro

Arnaldo Ribeiro é jornalista desde 1990. Passou por Notícias Populares, Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo. Na revista Placar, foi editor especial e redator chefe. Passou 13 anos na ESPN. Desde 2019, é responsável (com Eduardo Tironi) pelo podcast Posse de Bola. Também é comentarista do Sportv, além de colunista do site torcedores.com.

Colunista do UOL

26/11/2020 14h15

A lambança dos homens da arbitragem e, sobretudo, da equipe do VAR no Ceará 1 x 1 São Paulo podem colocar o Brasileirão em xeque. Evidentemente houve erro de direito na partida, porque o árbitro Wagner Magalhães reinicia o jogo após validar (via VAR) o segundo gol do São Paulo e depois volta atrás após novo chamado (que corrige enfim a decisão) . A questão agora é simples: o São Paulo vai recorrer ao Tapetão para anular a partida, como pode também fazer o Ceará. É justo? É legítimo? É legal? É moral?

Antes de responder as perguntas, cito aqui um post do meu colega Mauricio Barros no Twitter . "O VAR consegue bagunçar até os defensores da coerência. Tipo: 'foi bola na mão acidental clara, mas tá na regra e é pênalti. Ponto. Ser 'legalista' agora pode ser driblar a moral. Bom senso e respeito literal às regras nem sempre estão de mãos dadas. Como é que fica, Brasil?".

Não fica...

Como diria meu xará famoso, a "regra é clara". Mas a regra não é a coisa mais importante do futebol. Longe disso. A regra apenas baliza o jogo mais popular do planeta, que é baseado no bom senso. Sim. No bom senso.

Quem defende a regra pela regra, sem bom senso, tem de ser a favor da anulação do jogo de Fortaleza, se quiser ter um pouco de coerência na vida.

Eu não defendo. Para mim, o resultado do campo "tem de ser sagrado". Para mim, o São Paulo deveria "dar exemplo" e, mesmo tendo a razão na causa, não recorrer ao Tapetão.

E eu sou talvez o maior crítico ao VAR e a essa busca inócua e patética por "Justiça", num jogo baseado no bom senso. O VAR, no Brasil, piorou a arbitragem, errou até em impedimentos (também em jogo do São Paulo). Tem sido um desastre. Aumentado o número de interpretações. Virou ferramenta clubista. Ah... o problema não é o VAR, são as pessoas que operam. Pois bem: somos humanos e não robôs. O futebol é um jogo de humanos.

Essa culpa eu não carrego. E os defensores contumazes do VAR e do "legalismo", da "Justiça", devem estar num baita dilema. Se continuarem nesta "seita" são obrigados a defender o Tapetão e a anulação do jogo São Paulo x Ceará, porque afinal "a regra neste caso é absolutamente clara". E agora? (Por Arnaldo Ribeiro)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.