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Quem gosta de Zico não pode gostar de Romário...

Arnaldo Ribeiro

Arnaldo Ribeiro é jornalista desde 1990. Passou por Notícias Populares, Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo. Na revista Placar, foi editor especial e redator chefe. Passou 13 anos na ESPN. Desde 2019, é responsável (com Eduardo Tironi) pelo podcast Posse de Bola. Também é comentarista do Sportv, além de colunista do site torcedores.com.

Colunista do UOL

07/04/2020 13h04

Romário superestimado. Careca subestimado. Meu "Sincerão" no UOL virou tema. Quem diria... Andre Rocha falou sobre o assunto. Vários colegas comentaram. Tostão escreveu coluna defendendo o Baixinho. Ledio Carmona enalteceu Careca no seu blog. Juca Kfouri e Mauro Cezar me desafiaram no Posse de Bola #27. E a discussão continua...

Resolvi tirar Careca da conversa. Tudo para que a coisa não descambe para o bairrismo antigo e surrado. Careca não jogou no Rio. Romário não jogou em São Paulo. Logo...

Para "finalizar" sobre Careca: o cara foi campeão brasileiro como protagonista pelo Guarani (!) em 1978 ainda moleque. Oito anos depois, já como melhor jogador do país, repetiu o feito pelo São Paulo. Artilheiro do campeonato, marcando em todas as partidas decisivas. Foi para o Napoli formar uma dupla incrível com o argentino Maradona. Segundo Diego, seu melhor parceiro. Foi o principal jogador da seleção nas Copas de 1986 e 1990 - não jogou 1982 porque se contundiu. Mas não foi campeão mundial.

Quem não foi campeão mundial também foi Zico. E aí eu proponho mais uma comparação com Romário. Os dois habitaram o mesmo local, o sagrado Maracanã. Fica mais fácil discutir. Dentro e fora de campo.

Quem gosta de Zico não pode gostar de Romário. E vice-versa. Os dois foram craques. Isso ninguém discute. E as semelhanças morrem aí. Um é a antítese do outro.

Romário ganhou Copa. Zico, não. Romário vestiu três camisas no Rio. Zico, uma só. Romário sempre foi individualista, egocêntrico, autosuficiente, por vezes egoísta em campo. Procurou o caminho "mais fácil", ao largar a Europa e o melhor futebol no mundo no auge da carreira para ficar perto da praia, dos amigos e das facilidades daquele futebol brasileiro. Para que treinar? Dizia... Não precisava mesmo. Agrediu um companheiro dentro de campo: Andrei, do Fluminense.

Zico foi o contrário. Solidário. Líder. Batalhador. Incansável. Sequelado nos joelhos, lutou, treinou e jogou até quando foi possível. Atuou na Itália no auge do futebol naquele país, enfrentando Platini, Maradona e que tais.

Zico comandou Romário na Copa de 1998. E defendeu o corte do Baixinho, que não tinha condições de entrar em campo, assim como em 1990 (como ficou evidente). Zico sabia o que era ter um jogador fora das melhores condições num Mundial. Lembrou de seu flagelo em 1986. Romário não o perdoou. Até caricatura ofensiva em porta de banheiro mandou fazer.

O Brasil de Zico não ganhou o Mundial em 1998, de novo. E Romário saiu de novo por cima. O cara da Copa de 1994 é mesmo iluminado. Depois de uma Copa brilhante, fez uma final contra a Itália abaixo da crítica. Mas a sua cobrança de pênalti bateu na trave e entrou. A de Zico, em 1986, foi defendida pelo goleiro francês.

Romário venceu. Zico, nem tanto. Mas quem gosta de Zico não pode gostar de Romário. Aqui temos, mais uma vez, um superestimado e um subestimado. Escolha o seu.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.