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Aposentado aos 31, Rosberg foi de campeão da F1 à luta por carros 'verdes'

Nico Rosberg, durante participação em evento - Hendrik Schmidt/picture alliance via Getty Images
Nico Rosberg, durante participação em evento Imagem: Hendrik Schmidt/picture alliance via Getty Images
Julianne Cerasoli

Fã de Fórmula 1 desde a infância, Julianne Cerasoli nasceu em Bragança Paulista (SP) e hoje vive em Londres (Inglaterra). Atua como jornalista desde 2004, tendo trabalhado com diversos tipos de mídia ao longo dos anos, sempre como repórter esportiva e com passagem como editora de esportes do jornal Correio Popular, em Campinas (SP). Cobrindo corridas in loco na Fórmula 1 desde 2011, começou pelo site especializado TotalRace e passou a colaborar para o UOL Esporte em 2015, e para sites e revistas internacionais. No rádio, é a repórter de Fórmula 1 da Sistema Bandeirantes de Rádio desde 2017, e também faz participações regulares no canal Boteco F1, o maior dedicado à categoria no YouTube. Em 2019, Julianne criou o projeto No Paddock da F1 com a Ju, na plataforma Catarse, em que busca aproximar os fãs da Fórmula 1 por meio de conteúdo on demand e podcast exclusivo com personagens da categoria. Neste espaço: Única cobertura in loco de toda a temporada da Fórmula 1 na mídia brasileira, com informações de bastidores, entrevistas exclusivas, análises técnicas e uma pitada de viagens.

Colunista do UOL

27/06/2020 04h00

Nico Rosberg chocou a Fórmula 1 quando se aposentou da categoria aos 31 anos, cinco dias depois de ter conquistado o título, em 2016. Completando 35 anos neste sábado, o alemão vem usando sua aposentadoria precoce para alavancar uma nova carreira como empreendedor de sustentabilidade, como se intitula. E YouTuber polêmico nas horas vagas.

O interesse de Rosberg pela mobilidade elétrica vem desde quando ele ainda estava na Fórmula 1 e se tornou um dos primeiros investidores na Fórmula E, categoria com carros 100% elétricos. E, ano passado, ele lançou um festival voltado exclusivamente à promoção de tecnologias verdes, chamado Greentech Festival. O evento foi primeiramente associado à etapa de Berlim da Fórmula E, mas neste ano está marcado para setembro, também na capital alemã.

Projetos voltados à sustentabilidade não são os únicos apoiados por Rosberg, que recentemente anunciou a doação de sua moto elétrica customizada para a Cruz Vermelha, e promove também as Metas Globais, 17 pontos, que vão da preservação do meio ambiente à erradicação da pobreza, com os quais líderes mundiais se comprometeram em evento em 2015.

Não que Rosberg tenha deixado a F1 para buscar esses novos horizontes. Quando anunciou a aposentadoria, o então piloto da Mercedes disse ter chegado ao máximo que poderia como piloto e afirmou que se dedicaria a cuidar da recém-formada família. Não demorou, no entanto, para ele voltar ao paddock da F1 como convidado de algumas TVs e YouTuber. Foi um caminho trilhado aos poucos até ele focar mais no ramo empresarial.

"Estudei psicologia por 10 anos enquanto eu estava na F1, e um dos aprendizados mais importantes para mim foi compreender que vale muito a pena gastar o máximo do tempo servindo aos outros. É uma decisão que tomei e, na minha segunda vida agora, depois da F1, quero desenvolver esse caminho, e foi algo que se misturou com a sustentabilidade", explicou o ex-piloto, que tem uma fortuna estimada em mais de 50 milhões de dólares. "Sempre fui super focado - e essa era uma das minhas maiores qualidades como piloto. Todo o resto não existia. Foi só depois da F1 que comecei a abrir meus horizontes e me tornei mais consciente dessa grande ameaça climática e isso se tornou o centro do meu propósito como empreendedor."

Rosberg não deixou F1 para trás

A maneira como deixou a F1 e a Mercedes repentinamente não ajudou a imagem de Rosberg dentro da categoria. Ele até tentou se estabelecer como embaixador da marca alemã, que apoiou sua carreira desde a adolescência, mas teria exagerado nas negociações salariais e não manteve sua associação com a marca.

O próximo passo foi atuar como comentarista da TV alemã, o que faz em algumas provas, e focar em se tornar um influenciador digital. E o fato de ter entrado de cabeça na estética especialmente do YouTube lhe rendeu alguns memes, e as fotos tratadas para simular que ele estava em momentos-chave das corridas, como posando ao lado do carro de Max Verstappen quando ele cruzava a linha de chegada para vencer o GP da Alemanha, não pegaram bem. Além das polêmicas com seus ex-companheiros de pista.

rosberg instagram - Instagram/Reprodução - Instagram/Reprodução
Nico Rosberg usa montagem em suas mídias sociais
Imagem: Instagram/Reprodução

Seus principais alvos costumam ser o ex-rival Lewis Hamilton e Verstappen. E os dois já deixaram claro que não gostam nada das provocações do alemão, que levou uma alfinetada de Hamilton ano passado. "Infelizmente, pilotos se tornam irrelevantes depois que eles se aposentam e no final das contas eles têm de se manter em evidência usando a fama dos outros, é assim que o esporte funciona", disse o inglês, enquanto Verstappen o chamou de "o novo Villeneuve", comparando-o ao campeão do mundo de 1997, conhecido pelas opiniões polêmicas.

A vida de influenciador lhe deu dor de cabeça até com a detentora dos direitos comerciais da F1, que o baniu do paddock por algumas corridas depois que ele usou a sua credencial para dar acesso ao fotógrafo que fazia imagens para seu Instagram no grid, além do ex-piloto ter tido problemas por fazer filmagens dentro do paddock, o que é proibido para quem não tem os direitos de transmissão.

Com o pequeno número de pessoas permitido nas primeiras corridas do calendário, Nico Rosberg não deve marcar presença na primeira corrida da F1 de 2020, que será no próximo final de semana, na Áustria.

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