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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Sheilla merece e deve ter uma grande despedida das quadras no Brasil

Sheilla foi bicampeã olímpica com a seleção brasileira em Pequim-2008 e Londres-2012 - REUTERS/Marcelo Del Pozo
Sheilla foi bicampeã olímpica com a seleção brasileira em Pequim-2008 e Londres-2012 Imagem: REUTERS/Marcelo Del Pozo
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

Colunista do UOL

25/04/2022 13h00

Esta é a versão online da edição desta segunda-feira (25/4) da newsletter Olhar Olímpico, seu resumo sobre o que de mais importante aconteceu e vai acontecer nos esportes olímpicos durante a semana. Para assinar o boletim e recebê-lo no seu e-mail, clique aqui.

Ser a bola de segurança da seleção brasileira na melhor fase do vôlei nacional não é para qualquer uma. No futuro ficará mais claro se Sheilla Castro foi a melhor jogadora que já vestiu a camisa verde-amarela, mas por enquanto sua presença no time das maiores é incontestável. Sua aposentadoria, logo, é um marco para o esporte.

O último jogo 'oficial' (entre algumas aspas) aconteceu há duas semanas, em uma liga dos Estados Unidos que tenta transformar o vôlei em espetáculo — os times não são fixos, variando os elencos de uma semana para outra, e ganha a jogadora que somar mais pontos, atribuídos a cada ação ofensiva ou defensiva.

Em resumo, é um showbol bem organizado, e que não perdeu a oportunidade de transformar o jogo de despedida de Sheilla (uma irrelevante vitória do time azul sobre o time roxo por 75 a 54) em espetáculo. Teve vídeos com amigas exaltando a trajetória da bicampeã olímpica e até uma câmera fixa nela.

Feita a homenagem nos Estados Unidos, é preciso uma agora no Brasil. É verdade que muitas das campeãs olímpicas de 2008 já encerraram a carreira sem muito barulho — algumas simplesmente foram parando — mas Sheilla merece um tratamento diferenciado. Em Pequim, foi ela a maior pontuadora da trajetória rumo ao ouro. Em Londres, seus 27 pontos fizeram a diferença no histórico jogo contra a Rússia nas quartas de final, quando o Brasil salvou cinco match-points.

"Existem pessoas que transcendem o esporte. Você é uma delas! Você inspirou o mundo todo! Todo mundo que ama ou joga voleibol queria ter um pouco da sua força, da alegria ou da sua paixão. Era bonito vê-la jogar (é difícil escrever isso no passado), não só por você ser tecnicamente a melhor, mas pela paixão que demonstrava dentro e fora de quadra", escreveu Gabi Guimarães no Instagram.

"Pela última vez entrou em quadra jogando profissionalmente uma das maiores atletas de todos os tempos!", postou Fabi. "Sheilinha, tu és gigante, é um exemplo de amor e dedicação por esse esporte que tanto amamos", exaltou Fê Garay.

As três devem estar presentes na festa de despedida que está sendo organizada para alguma data entre agosto e setembro, em Belo Horizonte. Keyla Monadjemi, diretora do Minas Tênis Clube, já conversou com o técnico José Roberto Guimarães para conseguir que as jogadoras da seleção brasileira, que estará em preparação para o Mundial que começa em 23 de setembro, possam estar presentes. A ideia é também reunir a nata de hoje e do passado do vôlei brasileiro.

Sheilla fez parte da seleção até o ano passado, quando, mesmo longe da melhor forma e jogando apenas pontualmente na liga norte-americana, foi chamada pelo técnico Zé Roberto. Valeu a tentativa, mas ficou claro que a ciclo dela havia terminado na seleção, e Sheilla ficou fora da Olimpíada de Tóquio.

Depois disso, passou a trabalhar como assistente técnica de Nicola Negro no time feminino do Minas, equipe em que foi revelada e jogou a temporada 2019/20. No novo cargo, pode se sagrar campeã nacional na próxima sexta, quando acontece o segundo jogo da final da Superliga — o primeiro foi vencido pelo Minas por 3 a 1 sobre o Praia Clube. Se necessária, uma terceira partida será no dia 29 de abril, em Brasília.

Quando a série melhor de três terminar, também terá chegado ao fim a carreira da central Walewska, campeã olímpica de 2008, que vai se aposentar aos 42 anos, com a camisa do Praia. Aos 37, Fabiana Claudino deve jogar mais uma temporada em Osasco.

Flamengo investe na ginástica masculina e contrata olímpico Diogo Soares

Sem muito barulho, o Flamengo acertou na semana passada uma contratação de peso. Base da seleção feminina de ginástica artística há alguns anos, o clube rubro-negro anunciou o jovem Diogo Soares, de 20 anos, caçula do time masculino que foi a Tóquio, e maior revelação da ginástica nacional desde Rebeca e Flavinha. Ele treinava em estrutura precária em Piracicaba para ficar perto do técnico Daniel Biscalchin, e fechou com o Flamengo levando junto o treinador.

Diogo Soares e o técnico Daniel Biscalchin - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Diogo Soares e o técnico Daniel Biscalchin
Imagem: Arquivo pessoal

Ouro radical

O modelo de competição diferente do olímpico não permite grandes comparações com outros torneios, mas o ouro de Rayssa Leal nos X-Games de Shiba (Japão) reforçam que ela parece ser o grande nome deste ciclo olímpico no street. Mas uma nova geração bate à porta, com nomes como a australiana Chloe Covell, de 12 anos, que foi bronze. Pelo Brasil, Pamela Rosa foi sexta e Gabi Mazetto a sétima. Yndiara Asp até foi para a final do park, mas terminou em oitavo.

Mais X-Games

No masculino, o cara do Brasil para o ciclo é Lucas Rabelo, prata no último Mundial de street, e que ficou em sexto em uma final do X-Games paralisada pela chuva depois de ser terceiro na classificação. No park masculino, ninguém chegou à final. Luiz Francisco foi nono e Gui Khury o 10º. O garoto de 13 anos ganhou duas medalhas no vert, prata e bronze, mas o vert não é prova olímpica. No park, Gui ainda não tem resultados no mesmo nível.

Cada vez mais jovem

Aliás, boa parte da imprensa brasileira noticiou que, com a prata que ganhou no vert, Gui se tornou o mais jovem medalhista da história dos X-Games. Curioso, porque ano passado ele já havia sido medalhista. Só se ele ficou mais novo de lá para cá...

Salto para o futuro

Vale ficar de olho em Vanessa Sena, de apenas 16 anos. Atleta do Centro Olímpico de São Paulo, ela saltou 6,35 m para ganhar o Brasileiro sub-20 de atletismo no salto em distância, no fim de semana, e assumiu a liderança do ranking mundial sub-18. Como comparação, o ouro na Olimpíada da Juventude de 2018, competição sub-18, ficou em 6,31 m. É uma enorme esperança para o futuro.

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