PUBLICIDADE
Topo

Lei em Campo

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Avança PL que muda legislação esportiva e ataca corrupção no esporte

Lei em Campo

Andrei Kampff é jornalista formado pela PUC-RS e advogado pela UFRGS-RS. Pós graduado e mestrando em Direito Desportivo, é conselheiro do Instituto Ibero Americano de Direito Desportivo e criador do portal Lei em Campo. Trabalha com esporte há 25 anos, tendo participado dos principais eventos esportivos do mundo e viajado por 32 países atrás de histórias espetaculares. É autor do livro "#Prass38".

20/02/2021 00h40

Por Ivana Negrão

O ano mal começou no Senado Federal e o esporte ganhou um retorno há tempos esperado. O projeto da nova Lei Geral do Esporte recebeu parecer do senador Roberto Rocha (PSDB), relator da proposta na Comissão de Constituição e Justiça da casa.

"O voto é pela constitucionalidade, juridicidade e regimentalidade do Projeto de Lei do Senado 68/2017", diz o documento de 59 páginas, que traz a aprovação da matéria com o acréscimo de 40 emendas.

A maioria delas com atualizações do texto original, escrito há mais de 4 anos. "No geral, o senador aperfeiçoa e atualiza a redação, mexe em termos e nomenclaturas. Mesmo assim, preserva o trabalho da comissão de juristas na sua essência", avalia Wladimyr Camargos, um dos autores do anteprojeto que originou a proposta de lei.

A primeira alteração citada é a da inclusão do enxadrismo e dos jogos eletrônicos no conceito de esporte. O parecer também valida a tipificação da corrupção privada como crime, além do "marketing de emboscada", para vedar qualquer proveito publicitário indevido e ilegítimo. E aumenta a pena por má gestão, considerada "excessivamente branda" por Roberto Rocha, de um para dois anos de reclusão, no mínimo.

Há ainda o acréscimo da punição para a torcida organizada em caso de invasão aos espaços de treinamento e concentração ou prática de atos ilícitos contra esportistas, mesmo em dias e horários em que não ocorram os jogos. As disposições já estão previstas na Lei nº 13.912, de 2019 e seriam incorporadas a nova Lei Geral do Esporte.

Quanto ao direito de arena, tema amplamente discutido em 2020 em razão da Medida Provisória 984, o parecer mantém o entendimento de que os direitos de transmissão são exclusivos do mandante.

"O ponto que merece maior reflexão diz respeito a questão do Fundo Nacional do Esporte, que desidrata com o parecer", alerta Wladimyr Camargos. Diferentemente do que acontece com a saúde e a educação, o esporte não tem recursos próprios para repasse aos estados e municípios, o que prejudica o estímulo ao desenvolvimento das práticas esportivas.

As verbas das loterias haviam sido remanejadas do esporte para a segurança pública e, mesmo depois de restabelecidas, deixaram de estar previstas na Lei Pelé, motivo pelo qual o senador Roberto Rocha desconsidera tais recursos no parecer.

"Poderia ter atualizado este trecho e mantido a lógica ao citar as mudanças legislativas e determinar os recursos hoje previstos na Lei 13.756/2018, do Fundo de Segurança Pública. Mas é possível ainda discutir isso no Senado", considera Wladumyr

De qualquer forma, a manifestação do senador Roberto Rocha, com o encaminhamento do parecer na CCJ, atende aos anseios de modernização da legislação esportiva, como o Lei em Campo mostrou em uma série de reportagens em dezembro passado. Na época, o PLS 68/2017 completava quatro anos de inatividade no Congresso.

"Embora o Brasil tenha uma das mais avançadas legislações esportivas do mundo, alguns aspectos de nosso diploma legal estão ultrapassados e merecem uma abordagem mais concatenada com a evolução do esporte em geral e do futebol em particular", avaliou Luiz Felipe Santoro, diretor jurídico da CBF e ex-presidente do Instituto Brasileiro de Direito Desportivo.

Agora a proposta da nova Lei Geral do Esporte, com as considerações do relator, será apreciado pela Comissão de Constituição e Justiça. Se aprovado, o texto segue para a Comissão de Educação, Cultura e Esporte em caráter definitivo. Ou seja, se não houver recurso de algum senador, segue direto para a Câmara sem passar pelo plenário. Caso os deputados apreciem o texto sem alteração, o mesmo vai para sanção presidencial. Do contrário, retorna ao Senado.

"Torço para que seja aprovado. E isso só será possível com a mobilização do setor esportivo, incluindo os atletas, como aconteceu na época da elaboração do texto inicial", finaliza Wladymir Camargos.

Nos siga nas redes sociais: @leiemcampo

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL