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É preciso falar de Marcus Rashford, atacante do United e herói inglês

Lei em Campo

Andrei Kampff é jornalista formado pela PUC-RS e advogado pela UFRGS-RS. Pós graduado e mestrando em Direito Desportivo, é conselheiro do Instituto Ibero Americano de Direito Desportivo e criador do portal Lei em Campo. Trabalha com esporte há 25 anos, tendo participado dos principais eventos esportivos do mundo e viajado por 32 países atrás de histórias espetaculares. É autor do livro "#Prass38".

08/09/2020 10h00

Antes mesmo do começo da nova temporada do futebol inglês, o atacante Marcus Rashford fez mais um golaço e virou manchete, O jogador do Manchester United deu um grande passo na luta contra a fome infantil. Dessa vez, formou uma força-tarefa com algumas das maiores marcas de alimentos do Reino Unido para tentar ajudar a reduzir a pobreza alimentar das crianças.

Sim, precisamos, de novo, falar de Rashford.

Em entrevista à BBC, o atleta contou como teve a ideia e por que esta engajado de maneira tão firme na luta por uma melhor alimentação das crianças.

"Tivemos que pensar na melhor maneira de fazer isso, pensar em como essas famílias podem se alimentar a longo prazo e não ter problemas", afirmou.

Em julho desse ano, a Universidade de Manchester anunciou que Rashford receberá o título de doutorado honorário pelo trabalho que tem feito contra a pobreza e a fome infantil. O jogador de 22 anos se tornará a pessoa mais jovem a receber esta distinção, já concedida a Alex Ferguson e a Bobby Charlton, duas lendas dos Diabos Vermelhos, entre outros nomes de diversas áreas.

O prêmio veio por uma vitória fantástica que ele alcançou um mês antes.

Com a pandemia, o atacante começou uma campanha para que as crianças pobres inglesas recebessem a merenda escolar mesmo durante as férias, algo que o Governo havia cortado.

O jogador escreveu uma carta pública ao parlamento no qual relembrou a infância difícil e se mostrou preocupado com o corte da merenda para as famílias carentes na Inglaterra em meio a pandemia do coronavírus.

A campanha cresceu, ganhou apoio da sociedade e o Governo cedeu. O feito assegurou que cerca de mais de um milhão de crianças na Inglaterra poderão requerer merenda escolar mesmo durante as férias de verão.

O porta-voz oficial do primeiro-ministro britânico Boris Johnson disse a repórteres que "O Primeiro-Ministro congratula-se com sua contribuição ao debate sobre a pobreza e respeita o fato de ele estar usando seu perfil como um esportista de destaque para destacar questões importantes".

A façanha fez com que Rashford passasse a ser exaltado por técnicos e atletas ingleses.

"Ele mudou a vida de tantas crianças neste verão, o que é mais importante do que qualquer partida de futebol que ele provavelmente jogará", disse Ole Gunnar Solskjaer, técnico do United.

Quando o lockdown aconteceu, a política do governo britânico foi de fornecer ticket de alimentação, em substituição a merenda escolar, para famílias pobres durante o período de lockdown, porém limitado ao calendário escolar. Assim, não fosse a campanha de Rashford, milhares de famílias e crianças não teriam opção durante as férias.

Após essa belíssima vitória fora dos gramados, a discussão continua: o que é pior? Ser pobre em país pobre ou ser pobre em país rico?

Luiz GG Costa, advogado em Londres e colunista escreveu no Lei em Campo que "a campanha de Rashford não só salvou vidas de milhares de crianças, mas também joga o holofote de volta à questão da pobreza no Reino Unido".

De acordo com o jornal The Guardian, aproximadamente 14 milhões de pessoas estão abaixo da linha de pobreza. Mais de um a cada cinco pessoas da população britânica, das quais 4 milhões são crianças e 2 milhões são idosos. Um crescimento de 400 mil e 300 mil nos últimos cinco anos, respectivamente. Uma família é considerada pobre caso sua receita seja menor do que 60% da receita média de famílias do mesmo porte/tipo, depois de custos com moradia. Esses são os dados apresentados pela publicação em fevereiro deste ano.

Com o lockdown com toda certeza este número aumentou consideravelmente.

De família pobre, Rashford explica que a sua mãe teve dificuldades para "colocar comida na mesa" para seus cinco filhos enquanto ele era adolescente. Em entrevista à BBC ele disse que sua mãe telefonou para ele "umas 10 vezes" enquanto sua campanha era mencionada na TV. "Foi bom vê-la sorrir", disse Rashford. O atacante também tem sido um dos atletas no mundo a se posicionar de maneira forte contra o preconceito, combatendo firmemente também o racismo.

A missão do atleta é competir, e o desafio é vencer. Para isso ele se prepara e segue regras. Mas ele também pode ir muito além de uma quadra, de um campo, de uma pista. Ele pode, além de alegrar e entreter pessoas, transformar vidas. E esse jovem atacante do United tem dado repetidos exemplos desse poder.

Marcus Rashford, 22 anos, jogador do United e um herói de todos os ingleses.

Como não falar nele!?

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL