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Julio Gomes

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Liga das Nações é chance de ouro para a Bélgica, enfim, levantar uma taça

Lukaku comemora gol marcado pela Bélgica contra a Estônia - REUTERS
Lukaku comemora gol marcado pela Bélgica contra a Estônia Imagem: REUTERS
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Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

06/10/2021 04h00

A Liga das Nações é um pesadelo para seleções como Brasil e Argentina, que quase não têm mais chance de jogar contra países do mesmo patamar. Uma ótima ideia da Uefa, porém, que colocou seleções de diferentes níveis para jogar mais vezes entre elas. Caiu no gosto, foi levada a sério e, em sua segunda edição, chega ao "final four" com fortes seleções do continente.

A Itália, campeã da Europa, recebe as semifinais e a final. Nesta quarta, a anfitriã joga em Milão contra a Espanha (15h45). Amanhã, tem Bélgica x França, em Turim. No domingo, os vencedores decidem o título no San Siro. O primeiro campeão da Liga foi Portugal, em 2019, também logo após o título da Euro e também como anfitrião da fase final.

Coincidências que podem animar os italianos. Mas, mais do que elas, o que conta é o time mesmo, que é mais forte do que a jovem Espanha. Bom lembrar que a semifinal da Euro, entre elas, acabou sendo decidida nos pênaltis. Em relação ao time campeão, a Itália jogará sem Immobile na frente. Já a Espanha levará a campo um time jovem, dando sequência ao trabalho de renovação de Luis Enrique, mas sem duas peças fundamentais na campanha surpreendente da Euro: Pedri e Olmo. E também sem Morata, Thiago, Carvajal, Moreno, enfim, bastante gente.

Do quarteto de países que chegam para decidir o título, quem me chama mais a atenção é a Bélgica. E explico.

Quer queira quer não, a Itália já ganhou o que mais importa neste ano, a Euro. A Espanha é um time para o futuro. E a França, apesar da decepção na Eurocopa, é a campeã do mundo. Creio que está na Bélgica o peso maior de conseguir o título. Não é que haja uma pressão do tipo as que vemos por aqui ou mesmo nos outros países citados. Mas é um peso que certamente os próprios jogadores estão colocando sobre eles mesmos.

A tal geração belga, eu já falei várias vezes, não é um acidente de percurso. É uma construção. E já tem gente boa vindo aí, os belgas seguirão competitivos por bastante tempo. Mas o fato é que este grande "segredo", que foi a construção de um futebol de base com níveis altíssimos de exigência, método e qualidade, já foi copiado pelos países vizinhos - que, diga-se, têm mais matéria-prima e dinheiro.

O fato é que a janela de oportunidade para a Bélgica ser campeão de alguma coisa pela primeira vez está se fechando. A lista de jogadores com 30 ou mais anos vai aumentando. Se esses caras não forem campeões da Nations League, a Copa do Mundo do ano que vem vira uma espécie de "última chance" para muitos. Convenhamos, não se ganha uma Copa do Mundo assim, quando se quer.

A maior glória do futebol belga é uma medalha de ouro olímpica nos Jogos que o país recebeu, em Antuérpia, mais de 100 anos atrás (1920). Em Copas, o melhor momento foi chegar à semifinal de 86, caindo para a Argentina, de Maradona - até repetir o feito em 2018. Em Euros, uma final perdida em 1980 foi o auge.

A geração de ouro causa impacto pela primeira vez ao chegar às quartas da Copa do Brasil, em 2014. Na Euro de 2016, uma grande oportunidade, decepciona ao perder para Gales nas quartas. Na Copa de 2018, já com o técnico atual, Roberto Martínez, dá um salto, elimina o Brasil e perde uma semifinal parelha contra a França. Já na Euro deste ano cai para a campeã, Itália.

A Bélgica era a número 71 do ranking da Fifa em 2007, sua posição mais baixa até hoje. Em 2015, chegou ao topo pela primeira vez - e lá ficou por poucos meses. Em setembro de 2018, voltou à primeira colocação e lá está desde então - porque os títulos podem até não vir, mas a Bélgica passa por cima de todo mundo em eliminatórias e amistoso.

É claro que o número 1 do ranking da Fifa não dá a ela favoritismo contra a França, amanhã, ou numa eventual final contra a Itália, domingo. Mas a seleção belga não fica atrás de nenhuma outra no mundo. O que falta mesmo é ser campeã, é acertar uma semana mágica, é carimbar esta década de bons resultados, é fazer valer o nome dado a esta geração ("de ouro").

Se Hazard não é mais o mesmo e Kompany já se aposentou, a Bélgica ainda conta, sem ir muito longe, com possivelmente o melhor meio-campista do mundo (De Bruyne) e com o melhor centroavante do mundo (Lukaku).

"Decepcionamos em 2016, fizemos uma boa Copa em 2018, mas agora é a hora de realmente ir bem na Nations League e chegar ao ápice no ano que vem, no Mundial", disse Lukaku em entrevista ao site da Uefa.

Sem dúvida, acionar Lukaku de frente para o gol e com espaço, que é como ele gosta de jogar, será uma das chaves contra a França, na quinta-feira.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL