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Julio Gomes


Atlético volta a ser Atlético e adormece o todo-poderoso Liverpool

Técnico Diego Simeone gesticula em partida do Atlético contra Liverpool pela Liga dos Campeões - Soccrates Images / Colaborador
Técnico Diego Simeone gesticula em partida do Atlético contra Liverpool pela Liga dos Campeões Imagem: Soccrates Images / Colaborador
Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

18/02/2020 19h30

Estava com saudades do Atlético de Madrid? É, os torcedores também estavam. Depois de todas as contratações caras do início da temporada, depois de toda a decepção, depois de tantos empates, depois de tantos jogos sem conseguir fazer um gol... o time de Simeone voltou.

E voltou na hora certa. "Adormeceu" o todo-poderoso Liverpool que, se não perde de ninguém na Premier League, volta a ficar contra as cordas na Champions League - já perdeu uma e empatou outra contra o Napoli na fase de grupos, chegando à última rodada com chance de eliminação.

O Liverpool é um time que gosta de espaço, de velocidade, de ritmo frenético. Simeone tirou tudo isso de Klopp. O time do argentino não deixou o time do alemão ter absolutamente NADA do que gosta de ter.

O gol do Atlético saiu em um lance bobo de bola parada, logo aos 4min. Escanteio, a bola bate em alguém do Liverpool, vai para trás e sobra nos pés de Saúl para marcar. O meia estava praticamente embaixo do gol.

A partir daí, o Atlético fez um daqueles jogos que são a marca da era Simeone. Com inacreditável concentração, sincronia, a defesa começa a mandar na partida.

Parece que é um massacre, mas não é. Parece que o adversário vai marcar a qualquer momento, mas não marca. Parece um sofrimento danado, mas não é - para quem está no campo, lógico.

O todo poderoso Liverpool teve quase 70% de posse de bola e foi obrigado a fazer o jogo que não gosta de fazer, que na verdade nem sabe direito como fazer.

Passa a bola para cá, para lá e nada. Tenta achar os laterais e nada. Tenta encontrar uma bola parada e nada - até porque o Atlético consegue evitar até o recurso mais óbvio de quem se defende: fazer faltas.

O Liverpool passou o jogo inteiro com a bola, mas não obrigou Oblak a fazer praticamente nada. Do outro lado, o outro time correu 7km a mais. Não é qualquer coisa.

Como disse Klopp antes do jogo, contra o Atlético você precisa estar totalmente dentro do jogo para, talvez, ter uma chance.

Poucos times do mundo são tão competitivos quanto o de Simeone. O problema, claro, é manter esse nível de concentração semana sim, semana também. É diferente enfrentar o Getafe e o Liverpool.

Na hora H da temporada, sempre podemos contar com um Atlético combativo e competitivo. O Liverpool, se já não sabia disso, agora sabe. E vai ter que suar sangue para conseguir a vaga em Anfield.

Julio Gomes