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Fábio Seixas

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Hamilton vence, encosta em Verstappen e leva trunfo para últimos GPs

Lewis Hamilton, da Mercedes, durante o GP do Qatar, antepenúltima etapa do Mundial de F-1  - Mercedes
Lewis Hamilton, da Mercedes, durante o GP do Qatar, antepenúltima etapa do Mundial de F-1 Imagem: Mercedes
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Fábio Seixas

Fábio Seixas é jornalista com mestrado em Administração Esportiva e passagens por veículos como Folha de S.Paulo, SporTV e TV Globo. Cobriu mais de 170 GPs de F-1, esteve em duas temporadas da Indy e chegou a pilotar um Benetton em Paul Ricard. Voltou para os boxes rebocado.

Colunista do UOL

21/11/2021 12h28

Verstappen que se cuide. Hamilton chegou.

O inglês venceu o GP do Qatar, 20ª e antepenúltima etapa do Mundial, e reduziu de 14 para 8 pontos sua desvantagem no Mundial de Pilotos.

É sua sétima vitória na temporada, a segunda consecutiva, a 102ª da carreira.

Como se não bastasse, a Mercedes deu um xeque na Red Bull no fim de semana. Hamilton dominou a sessão de classificação e a corrida sem lançar mão do motor a combustão que estreou em Interlagos. Correu em Losail com um propulsor antigo, o mesmo que vinha usando desde o GP da Turquia, em outubro.

Ou seja, o inglês terá um motor quase novo à disposição para as duas últimas etapas do campeonato, os GPs de Arábia Saudita e de Abu Dhabi. Um trunfo que pode ser decisivo.

"Vamos continuar acelerando. Podemos conseguir isso", disse o inglês, assim que cruzou a linha de chegada, claramente se referindo à busca pelo oitavo título mundial.

A Verstappen, restou se conformar com o segundo lugar no GP. Alonso foi o terceiro, seu 98º pódio da carreira, o primeiro desde o segundo lugar no GP da Hungria de 2014, ainda pela Ferrari.

O agito em Losail começou logo cedo, antes mesmo da largada. Verstappen e Bottas foram punidos por desrespeitarem bandeiras amarelas na classificação, no momento do estouro do pneu de Gasly. O holandês caiu de segundo para sétimo no grid porque ignorou bandeira amarela dupla. Bottas saiu de terceiro para sexto _no caso dele a bandeira era simples.

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A largada do GP do Qatar, em Losail, com Lewis Hamilton saindo da pole e Verstappen em sétimo
Imagem: Mercedes

Na largada, Hamilton segurou bem a ponta. Alonso partiu para cima de Gasly. O francês endureceu, mas o espanhol conseguiu pular à frente curvas depois. Verstappen também foi muito bem, escalando de sétimo para quarto na primeira volta.

O top 10 ao fim da primeira volta tinha Hamilton, Alonso, Gasly, Verstappen, Norris, Ocon, Sainz, Tsunoda, Pérez e Stroll.

Na quarta volta, Verstappen passou Gasly e assumiu o terceiro lugar. Na volta seguinte, superou Alonso e voltou ao segundo lugar, sua posição original no grid. Lançou-se, então, na sua principal missão do dia: tentar chegar em Hamilton, 4s1 à sua frente.

Uma missão inglória. Não estava nada fácil para o holandês, que pelo rádio se queixava do comportamento do carro. As imagens mostravam muitas faíscas saindo de sua Red Bull e a asa dianteira balançando mais do que o normal. A equipe pediu que ele ficasse afastado das zebras.

Não por coincidência, Hamilton abria vantagem. Na décima volta, a diferença entre os dois era de 5s5. Na 12ª, bateu nos 6s. Na 14ª, chegou a 7s. Duas voltas depois, atingiu 8s.

Na 18ª, Verstappen entrou nos boxes. Tirou os pneus médios e foi para os duros. A Mercedes foi na bola de segurança e chamou Hamilton na volta seguinte, com estratégia idêntica.

Na volta à pista, 8s5 separavam os rivais pelo título, que tinham mais um pit pela frente.

Ficou confortável para o inglês. Verstappen precisou se resignar. E o GP ficou morno.

"Aparentemente vou chegar em segundo", disse Verstappen pelo rádio. "Cuide dos pneus", respondeu o engenheiro. "Boa noite", completou o holandês.

As poucas emoções ficaram por conta da disputa pelo terceiro lugar.

Planejando apenas um pit, Bottas assumiu a posição após a parada de Alonso. Parecia tranquilo na corrida, mas na 34ª volta seu pneu dianteiro esquerdo foi pro espaço. Pérez passou para terceiro, com 5s8 de vantagem para o espanhol da Alpine.

Com uma estratégia de apenas um pit, Alonso retomou a posição quando Pérez foi para os boxes fazer sua segunda parada. Garantiu, assim, seu primeiro pódio em sete anos.

Na 42ª, Verstappen fez seu segundo pit e foi conservador: colocou pneus médios. Hamilton, claro, parou na volta seguinte e colocou pneus da mesma cor.

As últimas voltas ainda tiveram Bottas abandonando com o carro danificado, além de Russell e Latifi com pneus estourados _o carro do canadense ficou à margem da pista, exigindo o acionamento do safety car virtual.

Na penúltima volta, Verstappen passou pelos boxes para colocar pneus macios e tentar garantir o ponto extra pela melhor volta da corrida.

"Vai ser difícil até o final", resumiu o holandês, na entrevista pós-GP.

"Chegar a este ponto do campeonato com esta boa forma é muito bom. Estou muito feliz para as últimas corridas do ano", disse Hamilton.

Sua expressão traduzia essa felicidade. Após a corrida de classificação em Interlagos, ele estava 21 pontos atrás de Verstappen. Oito dias depois, a diferença é de apenas 8 pontos. O momento é todo dele.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL