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Cinturão do peso-mosca é do Brasil

Diogo Silva

Diogo Silva foi campeão mundial universitário, medalhista de ouro dos Jogos Pan-Americanos e participou dos Jogos Olímpicos de Atenas-2004 e Londres-2012 no taekwondo. Hoje, faz parte do grupo de rap Senzala Hi-Tech.

20/07/2020 16h56

No último sábado (18), tivemos o UFC Fight Night, na Ilha da Luta, em Abu Dhabi, capital do Emirados Árabes Unidos, com seis brasileiros competindo e alguns novatos estreando.

O paraense Deiveson Figueiredo foi o grande destaque da noite ao conquistar o cinturão do peso-mosca e quebrar incômodo jejum de três anos sem que um brasileiro levasse um cinturão entre os homens no UFC

Card principal

O congolês Marc Diakiese, radicado na Inglaterra, enfrentou Rafael Fiziev, do Quirguistão, pelo peso-leve. Esta foi uma grande luta, com muita trocação e golpes potentes.

De leve, os lutadores só traziam os nomes. Marc é muito forte, nitidamente parecia um lutador de 80 kg, mas o atleta do Quirguistão é muito bruto. Cada chute na linha do abdômen, explodia mais do que fogos de artificio.

Rafael mostrou que é muito ágil — com esquivas típicas de filmes de muay thai —, ganhou a luta e também o prêmio da Luta da Noite de US$ 50 mil, dando um show no octógono — o bônus também foi cedido ao adversário.

As brasileiras Luana 'Dread' e Ariane Lipski se enfrentaram na disputa do peso-mosca. Com duas trocadoras de origem no muay thai, imaginávamos que a luta seria bem movimentada e sangrenta, já que a curitibana Ariane carrega o codinome de Rainha da Violência. Mas, no primeiro round, Ariane encaixou uma chave reta de joelho em Luana, que, pela expressão de dor, teve os ligamentos do joelho avariados. Assim, Ariane conquistou a vitória e bônus de US$ 50 mil (cerca de R$ 270 mil).

O carioca Alexandre Pantoja fez o confronto do peso-mosca contra o russo Askar Askarov. Aliás, a Rússia tem levando a melhor contra o Brasil nos últimos combates na Ilha da Luta. Askarov não deixou Alexandre lutar, cansou o brasileiro, levando-o sempre para as grades na luta corpo a corpo. Desta forma, levou a melhor e garantiu a vitória por pontos.

Pantoja seria o substituto de Deiveson Figueiredo, caso o paraense não passasse na pesagem ou testasse positivo para o exame de Covid-19.

A penúltima luta da noite, pelo peso-médio, foi entre o norueguês Jack Hermansson e o americano Kelvin Gastelum. Com envergadura e porte físico superiores a de Kelvin, Jack parecia que usaria a estratégia de lutar de pé, mas Kelvin está acostumado a lutar com oponentes maiores.

Vencedor do The Ultimate Fighter 17, o americano tem a mão pesada e é um nocauteador. No início da luta, a exatos 1min19seg, o norueguês aproveitou uma distração do americano e aplicou uma chave de calcanhar, que no jiu-jitsu brasileiro é conhecido como botinha, para finalizar Gastelum.

Cinturão

A disputa do cinturão do peso-mosca foi a grande luta da noite, entre o paraense Deiveson Figueiredo e o americano Joseph Benavidez, de 35 anos — número dois da categoria.

O brasileiro teve alguns problemas antes do desafio. Em fevereiro, no UFC Norfolk, Deiveson já poderia ter conquistado o cinturão dos moscas. Ele venceu por nocaute Benavidez no octógono, mas perdeu para balança. Como não conseguiu passar na pesagem pela primeira vez, a disputa do cinturão ficou para o mês de julho.

O segundo grande desafio para o paraense foi a Covid-19, Figueiredo foi contaminado em maio, e os organizadores do UFC não tinham certeza se o brasileiro conseguiria se recuperar a tempo e passaria no teste de Covid antes da luta.

Depois de todas as expectativas, Deiveson venceu a Covid e passou na pesagem.

No primeiro round da luta de sábado, o brasileiro foi muito agressivo. Com potência em seus punhos, levou o americano para o chão. Benavidez é um grande especialista em wrestling e conseguiu escapar de três mata-leões que Figueiredo havia aplicou na sequência.

Os dois ficaram de pé, mas a luta em cima não durou muito tempo. Figueiredo levou novamente o americano para o chão e, desta vez, foi fulminante, desmaiando o adversário em mais um mata-leão.

Deiveson Figueiredo conquistou o cinturão do peso-mosca e quebrou um jejum de três anos sem brasileiros conquistando títulos no UFC. Desde junho de 2017 que o país não tinha um cinturão entre os homens. De bônus, o paraense também leva o prêmio de Performance da Noite, embolsando US$ 50 mil.