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Diego Garcia

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Cartola denunciado do São Paulo recebeu R$ 77 mil de fonte não identificada

Leonardo Serafim - Divulgação
Leonardo Serafim Imagem: Divulgação
Diego Garcia

Repórter desde 2010, passou por Folha de S. Paulo, ESPN, Terra e Placar. Ganhou dois prêmios Aceesp (2014 e 2016) e foi indicado aos prêmios Comunique-se (2019), República (2017, 2018 e 2021), Folha (2018 e 2019) e Fenacor (2020). Cobriu Copa do Mundo, Olimpíadas, Mundial de Clubes e outros grandes eventos. Contato: garciadiegosilva@gmail.com

com Pedro Lopes e Thiago Braga

10/10/2021 04h00

Ex-diretor jurídico e peça importante da atual gestão do presidente Julio Casares no São Paulo, o advogado Leonardo Serafim recebeu R$ 77 mil em dinheiro, de fonte não identificada, aponta quebra de sigilo feita pelo Ministério Público de São Paulo em investigação sobre atos praticados no clube entre 2014 e 2016.

Em relatório, o MP chamou a atenção que o valor, somado a outros R$ 70 mil recebidos por Serafim da empresa de Cinira Maturana, então namorada do ex-presidente Carlos Miguel Aidar - ambos denunciados por corrupção -, compõe a maior parte de tudo que recebeu no período da quebra do sigilo, entre maio de 2015 e dezembro de 2016.

"De todos os créditos recebidos por Leonardo, 70% correspondem aos depósitos em dinheiro e às transferências recebidas da empresa TML (de Cinira)", destacou o MP.

Mais do que isso, o órgão ressaltou que pouco mais de R$ 50 mil dos R$ 77 mil em espécie caíram na conta do dirigente em maio de 2015. A movimentação é atípica e não se repetiu em nenhum outro mês do período analisado.

"Curioso notar que, justamente no mês seguinte, em junho de 2015, o São Paulo começou a pagar, supostamente de forma indevida, as parcelas do contrato com o escritório de advocacia José Roberto Cortez Advogados", diz o relatório.

Serafim foi indiciado pelo recebimento de R$ 70 mil em depósitos feitos pela empresa da ex-namorada do ex-presidente do São Paulo Carlos Miguel Aidar. Segundo o Ministério Público, o repasse teria sido divisão de comissões pela contratação do escritório de advocacia José Roberto Cortez. O cartola foi denunciado por crime patrimonial e em lavagens de capitais, enquadrado em artigos do código penal que mencionam furto qualificado, com abuso de confiança e mediante concurso de duas ou mais pessoas. Os R$ 77 mil em dinheiro não foram incluídos na denúncia, que ressalta que os fatos praticados no período permanecem sob investigação.

O São Paulo pagou R$ 4,675 milhões em um ano ao escritório do advogado José Roberto Cortez durante a gestão Carlos Miguel Aidar, em operações denunciadas pelo Ministério Público de São Paulo como indícios de lavagem de dinheiro por parte dos envolvidos.

Sobre as informações da reportagem, Serafim afirmou o seguinte:

"Em primeiro lugar, é importante dizer que as informações constantes do relatório objeto dos questionamentos da matéria são sigilosas por lei, independentemente do segredo de justiça das investigações e do processo. Sobre o conteúdo do relatório, o que posso dizer nesse momento é que os esclarecimentos foram prestados e a denúncia sequer menciona algo a esse respeito. Sobre o restante do processo, reitero que me manifestarei primeiramente nos autos e no momento oportuno a vocês".

O advogado de Aidar, José Luis Oliveira Lima, disse à coluna que "a acusação nada mais é do que uma peça de ficção criada pelo Ministério Público, que não é capaz de narrar um único fato criminoso em face do presidente Carlos Miguel Aidar. Depois de mais de cinco anos de investigação conduzida pelo MP, absolutamente nada foi demonstrado contra Aidar, que sempre pautou a sua vida pela correção e ética".

Cinira não comenta as acusações do Ministério Público.