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Diego Garcia

REPORTAGEM

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Atlético-MG alega crise financeira na pandemia para pagar menos a agente

Jogadores do Atlético-MG comemoram gol de Diego Costa em empate contra o Red Bull Bragantino - Diogo Reis/AGIF
Jogadores do Atlético-MG comemoram gol de Diego Costa em empate contra o Red Bull Bragantino Imagem: Diogo Reis/AGIF
Diego Garcia

Repórter desde 2010, passou por Folha de S. Paulo, ESPN, Terra e Placar. Ganhou dois prêmios Aceesp (2014 e 2016) e foi indicado aos prêmios Comunique-se (2019), República (2017, 2018 e 2021), Folha (2018 e 2019) e Fenacor (2020). Cobriu Copa do Mundo, Olimpíadas, Mundial de Clubes e outros grandes eventos. Contato: garciadiegosilva@gmail.com

com Thiago Braga, colaboração para o UOL

26/09/2021 04h00

Em discussão por uma dívida com o empresário André Cury na Justiça de São Paulo, o Atlético-MG citou a crise financeira ocasionada pela pandemia da Covid-19 para brigar contra uma condenação de R$ 7 milhões, em discussão pela transferência do zagueiro Frickson Erazo, ocorrida em 2017.

Em petição enviada ao Judiciário neste mês de setembro, o Galo afirmou que as prestações assumidas no contrato se tornaram excessivamente onerosas em razão da pandemia, que reduziu as receitas em substancial quantia e acarretou expressiva desvalorização do real perante moedas estrangeiras.

"Em razão de Decretos Municipais que comandaram a suspensão total das atividades de clubes recreativos em Belo Horizonte, o Clube Apelado viu-se compelido a fecharasportas, por longo prazo, do Labareda Clube e da Vila Olímpica, duas filiais de grande expressão, acarretando assim perdas devastadoras", disseram os advogados do clube.

Segundo o Galo, por força dos mesmos Decretos Municipais, o clube teve sua participação no faturamento do Shopping Diamond Mall reduzida ao piso, em decorrência do fechamento global de lojas que não se dedicam aos serviços essenciais.

O recurso do Atlético veio após Cury apresentar apelação tentando fazer com que a sentença mudasse a data da conversão do euro, de 2017 para o ano em que ocorresse o pagamento.

O empresário tenta se basear em declaração assinada pela diretoria do clube no ano passado. Dessa forma, a conversão do euro, que em 2017 estava em R$ 4 para cada euro, subiria para quase R$ 7 pela transformação atual da moeda, muito pela desvalorização cambial ocorrida na crise econômica causada pela Covid-19.

Uma sentença de julho determinou que o clube desembolse 1,1 milhão de euros, com cotação da época, conversão e juro de 1% ao mês, o que ultrapassa R$ 7 milhões. Caso a conversão pedida por Cury for aceita pelo tribunal, a dívida ficaria perto de R$ 11 milhões. A Justiça ainda não analisou a solicitação do empresário.

A briga de Cury com o clube foi adiantada pelo UOL em março. Hoje, a dívida se aproxima de R$ 40 milhões. Como estão negociando um eventual acordo, em processo referente ao atacante Franco Di Santo, os advogados do empresário pediram a suspensão de um pedido de penhora das contas atleticanas para que as partes pudessem discutir o acerto.

O empresário possui mais de 24 processos abertos contra o Atlético-MG no momento. As cobranças são pelas transferências de Guilherme Arana, Luan, Lucas Pratto, Marcos Rocha, Vina, Rómulo Otero,, Eduardo Vargas, Rosinei, Maicosuel, Frickson Erazo, Dylan Borrero, José Welison, David Terans, Leandrinho, Denilson, Mansur e Rafael Dudamel.