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Diego Garcia

REPORTAGEM

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Caboclo diz que recurso de funcionária é 'estratégia sórdida' de Del Nero

Rogério Caboclo, presidente afastado da CBF - Lucas Figueiredo/CBF
Rogério Caboclo, presidente afastado da CBF Imagem: Lucas Figueiredo/CBF
Diego Garcia

Repórter desde 2010, passou por Folha de S. Paulo, ESPN, Terra e Placar. Ganhou dois prêmios Aceesp (2014 e 2016) e foi indicado aos prêmios Comunique-se (2019), República (2017, 2018 e 2021), Folha (2018 e 2019) e Fenacor (2020). Cobriu Copa do Mundo, Olimpíadas, Mundial de Clubes e outros grandes eventos. Contato: garciadiegosilva@gmail.com

com Igor Siqueira, do Rio de Janeiro (RJ), para o UOL

17/09/2021 20h29

O presidente afastado da CBF Rogério Caboclo acredita que o recurso apresentado pela funcionária que o acusa de assédio faz parte de uma "estratégia sórdida" para afastá-lo ainda mais do cargo que ocupava na CBF.

Em nota enviada à coluna, o dirigente voltou a dizer que a iniciativa partiu do ex-presidente Marco Polo Del Nero, banido do futebol por corrupção. Segundo Caboclo, Del Nero "alardeia aos quatro ventos ter domínio" sobre a Comissão de Ética.

A defesa do ex-presidente também enviou nota dizendo que a iniciativa da funcionária tem "motivações políticas" e que não havia previsão estatutária na CBF para que um novo recurso pudesse ser apresentado.

A defesa da funcionária que acusa Rogério Caboclo de assédio moral e sexual aguarda para os próximos dias uma resposta da Comissão de Ética do Futebol Brasileiro ao embargo de declaração relacionado à sentença que afastou o dirigente da presidência da CBF por 15 meses.

A entidade também está na expectativa para, então, marcar a assembleia geral com as federações, cujo objetivo será deliberar sobre a sanção imposta a Caboclo.

Confira, abaixo, a nota enviada por Caboclo:

O presidente da CBF, Rogério Caboclo, não tem dúvida que o recurso interposto pela funcionária faz parte da sórdida estratégia de utilizar a Comissão de Ética para lhe criar entraves e mantê-lo afastado da presidência da entidade.

Com efeito, nem a Comissão de Ética da CBF, nem a justiça comum criminal, condenou Rogério Caboclo pelas acusações de assédio que lhe foram dirigidas, estando quite em relação a referida acusação.

Não é de hoje que é sabida a estratégia de Marco Polo Del Nero, ex-presidente da CBF banido do futebol, para manter Rogério Caboclo afastado do cargo, utilizando-se da Comissão de Ética sobre a qual, comenta-se nos bastidores da entidade, alardeia aos quatro ventos ter domínio.

Del Nero e sua equipe têm dito a terceiros que criarão embaraços à Defesa de Caboclo na Comissão, prorrogando seu afastamento pelo menos até abril, quando ocorrerão as eleições da entidade, desprezando a competência do órgão judicante realmente legítimo para julgar a questão, o Centro Brasileiro de Mediação e Arbitragem ("CBMA").

Ao mesmo tempo, despreza o direito da Assembleia Geral de ratificar ou não qualquer decisão sobre o afastamento do Presidente. Nas novas eleições, Marco Polo Del Nero planeja eleger um aliado e assim assumir o controle da Confederação indiretamente.

Confira, a seguir, a nota enviada pelos advogados do presidente afastado:

É risível a tentativa de utilização dos Embargos de Declaração como grau de recurso, interposto perante a própria Comissão de Ética, visto que não há previsão regulamentar ou estatutária para isso e que tal artifício tampouco poderia ser utilizado como ferramenta para alterar o resultado do julgamento, notadamente com vistas a aumentar a pena imposta.

A toda evidência, com motivações políticas, a Defesa da acusadora vem lançando mão de expedientes inadequados por não se conformar com decisões recentemente proferidas.

A Comissão de Ética não identificou assédio no caso, e na Justiça Criminal comum Rogério Caboclo não foi formalmente acusado.

A defesa do Presidente da CBF continua trabalhando para que ele retorne o mais rápido possível ao exercício do cargo.