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Diego Garcia

REPORTAGEM

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Oficial de Justiça vai à Vila Belmiro e penhora ônibus do Santos por dívida

Diego Garcia

Repórter desde 2010, passou por Folha de S. Paulo, ESPN, Terra e Placar. Ganhou dois prêmios Aceesp (2014 e 2016) e foi indicado aos prêmios Comunique-se (2019), República (2017, 2018 e 2021), Folha (2018 e 2019) e Fenacor (2020). Cobriu Copa do Mundo, Olimpíadas, Mundial de Clubes e outros grandes eventos. Contato: garciadiegosilva@gmail.com

Colunista do UOL

02/07/2021 04h00

Um oficial de Justiça compareceu à Vila Belmiro nos últimos dias e penhorou um ônibus do Santos para garantir a quitação de uma dívida de R$ 81 mil pela produção de um documentário pela empresa Red Vision, contratação que gerou polêmica nos bastidores do clube.

O oficial foi recebido por um advogado do clube, que agora foi à Justiça contestar a cobrança da empresa, contratada pelo ex-presidente Orlando Rollo na véspera da eleição do ano passado. O ônibus penhorado é da marca Scania, modelo M Polo Parad GVR, ano de fabricação 2000, cor branca e avaliado em R$ 90 mil.

O Santos confirmou à coluna a penhora, disse que o ônibus foi oferecido como garantia para poder discutir o mérito do processo, mas que o veículo segue com o clube.

Em embargos apresentados para retirar a penhora, o time alvinegro afirmou que uma instituição como o Santos não precisaria pagar nada por um vídeo, pois recebe inúmeras propostas de documentários e filmes. Ainda mais um sem roteiro, como é o caso, segundo os advogados do clube.

O Santos afirmou à Justiça que o material entregue traz imagem de um país asiático, além de vídeos de gols de fácil acesso na internet e com erros de digitação. E pediu pela extinção da execução aberta pela empresa.

A briga com a Red Vision foi antecipada pela coluna, que revelou o acordo de R$ 220 mil, assinado por Rollo, com entrada de R$ 50 mil paga dois dias antes da eleição presidencial. A data e o valor total do contrato - ainda com multa de R$ 30 mil - são motivos de contestação.

O time alvinegro não quitou as parcelas após a mudança da diretoria, o que gerou um processo na Justiça contra o clube. O acordo foi assinado em 17 de novembro, 25 dias antes do pleito. A entrada foi paga no dia 10 de dezembro, e a eleição ocorreu dia 12.

Posteriormente, a coluna mostrou que a Red Vision foi fornecedora de vídeo para campanhas políticas nas últimas eleições federais e municipais. Além disso, segundo fontes ouvidas pela coluna, o dono da Red Vision já teria prestado serviços em campanhas eleitorais envolvendo Orlando Rollo no clube - nenhum dos dois respondeu sobre isso.

O assunto é discutido nas demonstrações financeiras do clube. Em auditoria independente, ao qual a coluna teve acesso, o Santos diz que o acordo de 2020 fere o estatuto social do clube em pelo menos cinco artigos.

Em documento enviado ao Conselho, Orlando Rollo diz que a questão com a Red Vision "é mais uma ilação maldosa e irresponsável" da Comissão Fiscal do Santos. E que os valores remanescentes do contrato seriam pagos dentro da previsibilidade de fluxo de caixa e de acordo com o orçamento aprovado pelo Conselho Fiscal.