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Diego Garcia

REPORTAGEM

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Santos tem contas bloqueadas por dívida com time de futebol americano

CT Rei Pelé, centro de treinamento do Santos - Reprodução/Twitter/Santos
CT Rei Pelé, centro de treinamento do Santos Imagem: Reprodução/Twitter/Santos
Diego Garcia

Repórter desde 2010, passou por Folha de S. Paulo, ESPN, Terra e Placar. Ganhou dois prêmios Aceesp (2014 e 2016) e foi indicado aos prêmios Comunique-se (2019), República (2017, 2018 e 2021), Folha (2018 e 2019) e Fenacor (2020). Cobriu Copa do Mundo, Olimpíadas, Mundial de Clubes e outros grandes eventos. Contato: garciadiegosilva@gmail.com

Colunista do UOL

05/06/2021 04h00

Com Thiago Braga, colaboração para o UOL

O Santos teve suas contas bloqueadas por uma dívida adquirida no descumprimento de sentença em briga judicial com o time de futebol americano Tsunami. No total, o clube da Vila Belmiro teve penhorados R$ 385 mil, em ação que corre em segredo de Justiça.

A decisão contrária ao Santos que gerou a multa é de fevereiro de 2019. Na ocasião, a diretoria entrou em litígio com o time de futebol americano, que conseguiu medida cautelar para voltar a utilizar o centro de treinamento do clube, sob pena de multa de R$ 10 mil por descumprimento.

A decisão foi favorável ao time de futebol americano por cláusula contratual que proibia a rescisão do acordo caso o Tsunami estivesse disputando algum torneio, o que estava acontecendo na ocasião.

Quando a liminar saiu, o Santos afirma que cumpriu a decisão e disponibilizou o CT. Após o time ser eliminado do campeonato, parou de ceder o espaço ao Tsunami, pois entendia que o contrato estava desfeito. O acordo em questão era válido até dezembro do ano passado.

O Tsunami exigiu judicialmente as multas que foram se acumulando e hoje são responsáveis pelo bloqueio de R$ 385 mil. A ação transitou em julgado em dezembro de 2020, pois não houve recurso contra sentença de primeira instância proferida em novembro.

Antônio Soares Júnior, presidente do time de futebol americano, diz que nunca pediu dinheiro ao Santos na Justiça.

"O Santos Tsunami não entrou pedindo dinheiro de nada, dizendo que queria tanto por ter impedido de treinar ou pelos danos morais. Nunca! O juiz deu a medida cautelar, baseado no contrato e todas as informações, e o Santos tem de cumprir. O custo financeiro antes era só o de abrir o portão para os nossos treinos", afirmou Soares.

Quando as partes entraram em conflito, o então presidente José Carlos Peres acusou o Tsunami de estragar a grama do centro de treinamento.

"Rescindimos o contrato com o Tsunami porque eles moem os gramados do CT Meninos da Vila, mas entraram com uma liminar para utilizar o local. Eles arrebentam tudo, mancham o gramado com tinta forte... Recorremos. O juiz aceitou a mentira deles de que houve rescisão por política. Levamos as provas para análise e entramos para derrubar a liminar", afirmou Peres, na época, à Gazeta Esportiva.

O ex-presidente foi procurado pela coluna, mas disse que não iria se manifestar. Fontes próximas a Peres apontam que o cartola tentou diálogo com o time várias vezes antes de proibir a entrada no CT, o que é rebatido pelo time de futebol americano.

O Tsunami diz que usava no CT a mesma tinta usada pelo Santos e acrescentou que jamais foi procurado pela antiga gestão por acordos. "Isso é mentira, temos testemunhas. Nunca aconteceu", diz Rodrigo Galvão, diretor do Tsunami. Ele ainda relembrou casos de perseguição, como proibir evento beneficente do time em shopping, desligar a água e jogar fora o gelo nos treinos. Assim, aponta que as alegações são mentirosas e que o clube desrespeitou a ordem judicial.

O Santos afirmou que não comenta casos judiciais e diz estar negociando de boa-fé com os gestores do Tsunami.