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Diego Garcia

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Corinthians de Mancini leva uma surra a cada 15 jogos e coleciona vexames

Vagner Mancini em partida contra a Inter de Limeira - Marcello Zambrana/AGIF
Vagner Mancini em partida contra a Inter de Limeira Imagem: Marcello Zambrana/AGIF
Diego Garcia

Repórter desde 2010, passou por Folha de S. Paulo, ESPN, Terra e Placar. Ganhou dois prêmios Aceesp (2014 e 2016) e foi indicado aos prêmios Comunique-se (2019), República (2017, 2018 e 2021), Folha (2018 e 2019) e Fenacor (2020). Cobriu Copa do Mundo, Olimpíadas, Mundial de Clubes e outros grandes eventos. Contato: garciadiegosilva@gmail.com

Colunista do UOL

14/05/2021 07h57

O Corinthians viajou com um time alternativo para enfrentar o Peñarol. O que por si só já foi um erro, pois não faz sentido priorizar o Paulistinha em detrimento de uma competição internacional. Se a ideia era empatar ou perder com dignidade e se despedir do torneio, só não avisaram o adversário. Levou 4 e foi pouco. Quem paga por mais esse vexame?

A surra do Peñarol é a 3ª em 44 jogos de Mancini, média de um vexame a cada quase 15 partidas. Segundo levantamento do site Meu Timão, Tite só levou uma goleada em 378 jogos pelo Corinthians. Já Carille perdeu assim apenas uma vez em 183 partidas.

Não foi uma simples derrota, e sim a pior da história do clube em competições internacionais. Depois do jogo, Mancini disse que se tratou de um "acidente de percurso". Não foi: é a terceira goleada por 4 gols de diferença em menos de sete meses. Coincidência ou não, desde que ele chegou ao clube.

Para se ter uma ideia, segundo Diego Salgado, do UOL, o Corinthians só perdeu por placares tão elásticos seis vezes nos últimos 10 anos. Ou seja: metade aconteceu agora.

A primeira delas, em outubro, um deprimente 5 a 1 do Flamengo. Não foi só uma acachapante derrota para um rival regional, mas também a maior da história do clube dentro da Arena. Não basta ser humilhado, tem que bater recorde.

Vale lembrar que, da última vez que um técnico corintiano levou goleada do Flamengo, foi demitido. Carille não resistiu àquele 4 a 1 no Maracanã. E estamos falando de um técnico vencedor pelo clube.

Em janeiro, mais um vexame, "só" contra o Palmeiras. Levar 4 do arquirrival, em outros tempos, era sinônimo de caça às bruxas. Não passava impune. Mas, nesse Corinthians que vem se acostumando com humilhações, foi só mais um dia.

Há 17 anos não apanhava tanto em um Derby. Aliás, Oswaldo de Oliveira caiu no mesmo mês em 2004, quando também perdeu de 4 a 0. E estamos falando de mais um técnico vencedor pelo clube.

Para efeito de comparação, o inverso, uma vitória corintiana com quatro gols contra o rival verde, foi em 2003, 4 a 2. Por quatro de diferença, então, faz mais tempo ainda, completa 40 anos no ano que vem, 5 a 1 pelo Campeonato Paulista de 1982, com três gols do hoje comentarista Casagrande.

Antes da pancada contra o Peñarol, a maior derrota em torneios internacionais era um 4 a 1 para o San Lorenzo, pela extinta Mercosul, em 2001. Naquela ocasião, Vanderlei Luxemburgo caiu 15 dias depois. E estamos falando de mais um técnico vencedor pelo clube.

Também não vamos nos esquecer que não é só o 4 a 0 desta quinta: no placar agregado, foi 6 a 0 para o Peñarol! Sinceramente, não tenho lembranças de ver o Corinthians apanhar tanto de um mesmo time em um único torneio.

Aliás, foi do Palmeiras, no Brasileirão de 2020. No primeiro turno, perdeu por 2 a 0, com Tiago Nunes no banco. Qual é o denominador comum do jogo de volta com o massacre do Peñarol?

Claro que Mancini não é o culpado de todas as mazelas do Corinthians. O clube está quebrado, há anos sofre com administrações pífias e o elenco é pouco competitivo. Xavier e Camacho não têm condições de serem titulares. Fábio Santos e Jô já fizeram muito pelo clube, mas infelizmente não são os mesmos de anos atrás. Isso falando somente dos que jogaram no Uruguai.

Por outro lado, um time dessa grandeza não pode relativizar tantos vexames. E domingo pode ter outro Derby pela frente. O que esperar?

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL