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Diego Garcia

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Lucro de fundo da Neo Química Arena despencou 98% com a pandemia

Neo Química Arena antes do dérbi entre Corinthians e Palmeiras, pelo Campeonato Paulista - Marcello Zambrana/AGIF
Neo Química Arena antes do dérbi entre Corinthians e Palmeiras, pelo Campeonato Paulista Imagem: Marcello Zambrana/AGIF
Diego Garcia

Repórter desde 2010, passou por Folha de S. Paulo, ESPN, Terra e Placar. Ganhou dois prêmios Aceesp (2014 e 2016) e foi indicado aos prêmios Comunique-se (2019), República (2017, 2018 e 2021), Folha (2018 e 2019) e Fenacor (2020). Cobriu Copa do Mundo, Olimpíadas, Mundial de Clubes e outros grandes eventos. Contato: garciadiegosilva@gmail.com

Colunista do UOL

04/05/2021 04h00

As finanças da Arena Corinthians foram bastante abaladas pela pandemia. É o que mostram análises nos registros do Fundo Arena Investimentos Imobiliários, que capta recursos para o estádio. O lucro despencou 98%, indo de R$ 53,1 milhões em 2019 para apenas R$ 1,2 milhão no ano passado, com os impactos da crise sanitária.

Os números são citados em documentos enviados pela BRL Trust, que administra o fundo, à CVM (Comissão de Valores Imobiliários) e são referentes ao exercício de 2020. A captação com operações imobiliárias foi de R$ 7,5 milhões no ano passado, com outras receitas de R$ 113 mil, mas as despesas chegaram a quase R$ 6,4 milhões.

Para efeito de comparação, no resultado contábil de 2019, o Fundo Arena registrou lucro de R$ 53,1 milhões.

O documento explica que o ponto forte do local é a existência de "um grande clube como âncora e uma das maiores torcidas do país, garantindo alguns benefícios como boa ocupação dos assentos e um retorno de imagem forte". Porém, a localização e acesso do imóvel são definidos como desvantagem em relação à concorrência, no que concerne a locação para eventos.

Na ocasião da publicação do informe, dezembro de 2019, os administradores previam aumento significativo na venda de cadeiras, camarotes, parceiros e anunciantes. Ainda não era esperado que a pandemia, que teve início naquele mesmo período, na China, tomaria proporções mundiais como de fato ocorreu.

Contudo, os gestores já alertavam que era necessário observar as projeções econômicas do Brasil e o momento do Corinthians, pois as expectativas com relação à economia do país e ao desempenho do clube em campo poderiam alavancar as vendas e atingir essas metas. As expectativas eram tidas como incertas.

O consultor em planejamento estratégico e professor do Ibmec Thiago de Moraes Moreira disse à coluna que o resultado financeiro do fundo está vinculado ao fato de não ter receitas dos jogos.

"Isso afeta a receita do fundo e essa rentabilidade tem relação direta com as restrições de venda de ingresso, do jogo, dado que é específico do estádio do Corinthians", afirmou Moreira.

O Corinthians não joga com público na Arena desde o dia 26 de fevereiro do ano passado, quando empatou com o Santo André por 1 a 1. Neste domingo, novamente sem torcida, o time da casa empatou com o São Paulo por 2 a 2.

Procurado para comentar o relatório, o Corinthians disse que, como se trata de uma empresa com administração própria, não vai se manifestar. A BRL Trust não respondeu.