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Danilo Lavieri

REPORTAGEM

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Presidente fala sobre reformulação no Fortaleza e analisa saída de Ceni

Marcelo Paz, presidente do Fortaleza - Reprodução/Twitter
Marcelo Paz, presidente do Fortaleza Imagem: Reprodução/Twitter
Danilo Lavieri

Danilo Lavieri começou a carreira em 2008 e trabalha com futebol desde 2010. Já cobriu Copa, Olimpíada, escreveu a biografia do goleiro Marcos (Nunca Fui Santo) e ganhou prêmio de furo do ano da Aceesp em 2019.

Colunista do UOL

02/03/2021 12h03

Depois de uma temporada com vários feitos marcantes para a sua história, o Fortaleza terminou o Brasileirão de 2020 lutando contra o rebaixamento. Com o susto sendo parte do passado, o presidente da equipe, Marcelo Paz, faz questão de ressaltar que o torcedor precisa lembrar de todas as dificuldades que o time atravessou para continuar na elite do futebol brasileiro.

Em entrevista ao blog, o dirigente prometeu uma reformulação na geração que ele vê com o ciclo encerrado após feitos como disputar uma competição internacional e alcançar a melhor posição de um Brasileirão de pontos corridos com o 9º lugar de 2019.

Paz falou do efeito da saída de Rogério Ceni para o Flamengo e ainda deixou claro que espera um 2021 com novas dificuldades financeiras impostas pela pandemia. Ele descartou a volta de público antes de que toda a população tenha acesso à vacina contra a covid-19.

Confira a entrevista completa com Marcelo Paz:

Danilo Lavieri - Em 2019, vocês ficaram em 9º no Brasileirão. A expectativa esse ano era alta, mas a realidade foi uma luta até a última rodada para não cair. Como você avalia a temporada de 2020?
Marcelo Paz:
A gente tem que analisar o ano como um todo, não só o Brasileirão. Pela primeira vez o Fortaleza disputou cinco competições em um só ano. A gente teve competição internacional, fomos bicampeões do Estado, ficamos no terceiro lugar da Copa do Nordeste e chegamos às oitavas da Copa do Brasil. E foi um duelo equilibradíssimo com o São Paulo. O Brasileirão a gente sofreu, mas atingimos o objetivo de ficar na Série A. Então todos os objetivos foram cumpridos. No Brasileirão sofremos muito, tivemos essa queda de performance no segundo turno, mas no geral a temporada teve os pontos positivos. Mas como terminou a gente acende a luz para fazer melhorias e mudanças.

Que tipo de mudanças? No elenco? De estrutura? No comando do time?
Paz:
A permanência na Série A possibilita que a gente invista em estrutura. A gente também vai dar uma reformulada no elenco. Nós liberamos alguns jogadores com mais tempo de casa e estamos formando um elenco novo. Essa geração que foi muito bem no Fortaleza de 2018 para cá, que viveu o melhor ciclo esportivo do clube, essa geração terminou. Nós agora mudamos o elenco. A gente está fazendo a maior mudança dos últimos anos.

Rogério Ceni em ação durante jogo do Fortaleza contra o Botafogo - Thiago Ribeiro/AGIF - Thiago Ribeiro/AGIF
Imagem: Thiago Ribeiro/AGIF

A saída de Rogério Ceni trouxe mais dificuldades do que você imaginava para o time?
Paz:
Sim, trouxe uma grande dificuldade. Imaginávamos que a saída dele, depois de mil dias no clube, traria dificuldades mesmo. Porque ele já tinha uma forma de trabalhar e não só com o time. Mas ele tinha o dia a dia do departamento de futebol. Com a saída dele, perdeu-se o comando. Não estou querendo dizer que os outros comandantes não sabiam fazer. Mas é um jeito diferente de trabalhar, é uma transição e essas mudanças refletem diretamente no campo. E isso somado à questão física. Nós temos um time com média de idade avançada e que mudou a forma de jogar por conta do cansaço do fim da temporada. Isso é inegável. Agora a gente quer voltar a ter as melhores performances.

O que você já pode falar sobre saídas e chegadas ao elenco?
Paz:
Saíram alguns jogadores já. Nós liberamos o Derley, o Roger Carvalho, o Ederson, o Gabriel Dias... Todos esses que a gente não renovou. O Bérgson vai para o exterior. Já chegaram o Éderson, o Lucas Crispim, Robson e Matheus Jussa. E ainda vamos trabalhar para a chegada de mais nomes.

Em 2020, os times sofreram muito com a pandemia, especialmente no aspecto econômico. Qual sua expectativa para 2021? Você imagina que o público volta quando?
Paz:
Não tenho expectativa nenhuma de volta de público. Acho que só vai voltar com vacina. Com muito boa sorte, boa fé, pode ser que a gente tenha a população vacinada até o final do ano. Não conto com essa receita para 2021.

E como você pretende gerar novas receitas para tentar minimizar esse impacto?
Paz:
A gente vai tentar equilibrar os pacotes de sócio-torcedor, vamos estudar de dar mais benefícios aos que estiverem nos planos, mesmo que eles não possam ir para o jogo. Temos que deixar esse torcedor ao nosso lado. E continuar constantemente pensando em outras alternativas para gerar mais receita.