PUBLICIDADE
Topo

Coluna

Campo Livre


Fogaça: Grêmio tem o pior desempenho no Gaúcho dos últimos anos?

Renato Gaúcho orienta jogadores do Grêmio durante treino - Lucas Uebel/Grêmio FBPA
Renato Gaúcho orienta jogadores do Grêmio durante treino Imagem: Lucas Uebel/Grêmio FBPA
Gustavo Fogaça

Gustavo Fogaça

Conhecido como Guffo, é comentarista da DAZN Brasil, analista de desempenho e cineasta

27/02/2020 10h10

A derrota para o Caxias na final do turno, junto com vários desempenhos individuais e coletivos que decepcionaram a torcida, trouxe várias dúvidas sobre alguns aspectos do Grêmio. Mas, pegando apenas os dois primeiros meses do ano, será que 2020 está sendo o pior Campeonato Gaúcho tricolor dos últimos anos?

Neste mesmo período do ano passado, o Grêmio havia jogado oito partidas também. E o time estava voando: seis vitórias e dois empates. Invicto, aplicou goleadas em quem apareceu na sua frente. Dois 4 a 0 sobre o Novo Hamburgo e São Luiz e um sonoro 6 a 0 sobre o Avenida.

A incrível média de 2.9 gols por jogo colocava o time de Renato como o melhor ataque do Brasil naquele momento. Ainda mais que a média de Gols Esperados era de 1.42xG. Ou seja, o time marcava 1.5 gol A MAIS do que esperado. Cada finalização tinha média de 12% de probabilidade de gol. Uma máquina.

Defensivamente, apenas um gol sofrido e média de 0.49 Gol Sofrido Esperado (xGA). O time levava três vezes menos gol do que esperado! Além de 51% de vitórias nas disputas e 56% de acerto nos desarmes. O bicampeonato era iminente, como terminou acontecendo.

Não dá para dizer a mesma coisa do Gauchão de 2018, quando no mesmo período de dois meses e oito partidas foram apenas duas vitórias e um empate, com cinco derrotas. Era um Grêmio que produziu média de 1.45 Gol Esperado e fez 1.5 gol por jogo. Com média de 10% de probabilidade de gol por finalização. Uma equipe que criava chances não tão grandes mas que marcava o que produzia.

O problema estava no quesito defensivo: média de 1.9 gol sofrido com 1.07 Gol Sofrido Esperado (xGA). Ou seja, o time praticamente sofria o DOBRO de gols que era dele esperado pela produção dos adversários. E mesmo tendo média de 66% de vitória nos desarmes e 54% nas disputas, era muito pouco para o baixo nível do Gauchão.

Mesmo assim, o time engrenou, venceu o Brasil de Pelotas na final e foi campeão.

Chegamos então aos oito jogos dos dois primeiros meses de 2020. Foram quatro vitórias, um empate e treês derrotas. Média de 1.4 gol marcado e 1.95 Gol Esperado (xG). Com 11% de probabilidade de gol por finalização. O problema este ano é marcar MENOS gols do que esperado.

Defensivamente, sofreu 0.9 gol por jogo com 1.18 Gol Sofrido Esperado. Levou MENOS do que esperado. Em comparação com 2018, não deixa de ser um bom sinal.

Um detalhe importante é o aproveitamento das Chances Criadas. A média nos três anos nesse período é exatamente a MESMA: seis chances criadas por jogo. Mas se em 2018 27% eram convertidas em gols, em 2019 saltou para 51%. Neste ano, caiu para 23%.

Sendo assim, podemos concluir que o problema do Grêmio neste começo de Gauchão claramente está no ataque, que tem o PIOR aproveitamento das chances dos últimos três anos. A comparação mantém o contexto, pois pega jogos do mesmo período contra adversários do mesmo nível.

Pensando que Renato Portaluppi tem um elenco qualificado tecnicamente nas mãos, é questão de encaixar as dinâmicas ofensivas coletivas e começar a converter em gols as chances criadas e esperadas. Mas precisa ser logo, pois a Libertadores é logo ali.

Campo Livre