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Fogaça: Haaland e como o futebol adora ironias e novos fenômenos da bola

Soccrates Images/Colaborador
Imagem: Soccrates Images/Colaborador
Gustavo Fogaça

Gustavo Fogaça

Conhecido como Guffo, é comentarista da DAZN Brasil, analista de desempenho e cineasta

20/02/2020 10h27

No jogo mais esperado da primeira rodada das oitavas de final da Champions League, o Borussia Dortmund conseguiu vencer ao PSG com dois gols de um jovem norueguês de apenas 19 anos e que está empilhando números impressionantes nesta temporada.

Mas antes, precisamos voltar à Manchester em 2003. Alf-Ing Haaland, um volante norueguês, meio duro no trato com a bola, realiza seu último jogo pelo City e decide pendurar as chuteiras, voltar pra Noruega e curtir a família. Naquele mesmo ano, os Citizens contrataram o norte-americano Claudio Reyna para jogar em seu lugar.

Quase dezessete anos depois, em um jogo importantíssimo em Dortmund, o filho de Claudio, Giovanni Reyna, conduz a bola na intermediária do ataque em direção ao gol de Kaylor Navas. Seu time empata em 1 a 1 com o PSG de Neymar e Mbappé. Reyna levanta a cabeça e dá uma assistência para um garoto loiro, alto e rápido que finaliza de fora da área e marca um golaço.

O autor do foguete que deu a vantagem final ao BVB é filho daquele volante brucutu que pendurou as chuteiras em Manchester, e a conexão com o jovem Reyna vai além de uma coincidência histórica. É o próprio futebol criando mitos.

Erling Haaland começou no pequeno Bryne FK, em que não marcou gols. Logo foi para o Molde, também da Noruega. Lá seu talento despontou. Marcou 20 gols em duas temporadas e chamou a atenção do ambicioso RB Salzburg, com quem assinou contrato em 2018 com apenas 17 anos.

A partir daí, a ascensão meteórica foi um rasgo em comum com todos os grandes atacantes que viraram craques mitológicos do esporte. Títulos, jogos memoráveis e 29 gols em duas temporadas (sem contar os NOVE gols marcados contra Honduras no Mundial Sub20) que mostraram ao mundo que a fruta cai longe da árvore SIM.

Voltando para fevereiro de 2020, já defendendo as cores da Muralha Amarela de Dortmund, as estatísticas de Haaland são realmente diferenciadas. Ainda mais se compararmos com os artilheiros das grandes ligas europeias.

Na Bundesliga, tem média de 2.38 gols a cada 90 minutos jogados. Lewandowski, artilheiro do campeonato, tem média de 1.06. Na Inglaterra, James Vardy, do Leicester, tem média de 0.73 Na França, o artilheiro é Ben Yadder, do Mônaco, com média de 0.75 gol/90min. E Ciro Immobile, que faz gol até de costas na Itália, pela Lazio, tem média de 1.26.

Por fim, é preciso falar da inteligência tática para jogar de Erling Haaland. Como ele consegue detectar o espaço vazio, percebe pra onde os defensores olham ou posicionam seus corpos e consegue se antecipar aos movimentos para sempre levar vantagem posicional. E principalmente, a qualidade técnica para finalizar, como for e de onde for. Um craque na essência.

Para ter o norueguês em seu elenco e passar na frente de gigantes como Real Madrid e Manchester United, o Dortmund fez malabarismos como longas conversas entre jogadores do elenco e ele por WhatsApp, uma oferta irrecusável de patrocínio individual da Puma e a incrível assistência IN LOCO de dirigentes alemães em 28 jogos dele na Áustria, só pra mostrar interesse.

Quando papai Haaland saiu da Inglaterra para se aposentar e curtir a família, não imaginava que o filho fosse se tornar um artilheiro de primeiro escalão e menos ainda que ele QUASE terminaria jogando no lado vermelho de Manchester. O futebol adora ironias e principalmente, novos fenômenos da bola.

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