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De fracasso a esperança - a virada de Markelle Fultz na carreira

fultz - Christian Petersen / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / AFP
fultz Imagem: Christian Petersen / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / AFP
Fábio Balassiano

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17/01/2020 06h01

O ano era 2017 e o Philadelphia tinha a primeira escolha do Draft da NBA. Era a chance de dar mais um passo em sua reconstrução que hoje está aparentemente consolidada. O escolhido foi Markelle Fultz, armador que vinha de Washington e que prometia fazer uma dupla animada com o australiano Ben Simmons. O primeiro jogo de Fultz, já na temporada 2017/2018, mostrou um pouco disso: 10 pontos e 3 rebotes vindo do banco de reservas. Foi o começo - e quase o fim.

Na sequência de sua animadora estreia veio uma lesão no ombro que praticamente colocou tudo a perder na carreira de Fultz. Ele ficou um tempo parado, uma série de rumores apareceram sobre sua condição física e também mental (diziam que ele havia perdido a confiança em seu arremesso e que tinha procurado ajuda de um psicólogo inclusive). À época manda-chuva do Sixers, Bryan Colangelo sugeriu que o armador não retornasse para a temporada, mas não foi o que aconteceu. O atleta jogou e aí virou um mico mundial por erros em sequência e por uma mecânica de lance-livre assustadora...

Na temporada seguinte o técnico Brett Brown tentou dar um voto de confiança a ele, colocando-o de titular, mas isso durou dois meses de campeonato. O rendimento de Fultz era pífio (8 pontos, 22% nas bolas de três). Para piorar, seu agente, Raymond Brothers, disse em novembro de 2018, justamente quando Fultz foi pro banco de reservas, que seu cliente não mais jogaria pelo Sixers enquanto a lesão no ombro não tivesse 100% curada. O time informou através de comunicado que Fultz não tinha lesão alguma. Climão e última posição do banco de reservas pra ele até que em fevereiro de 2019 ele foi trocado pro Orlando.

Menos de dois anos completos após ser selecionado pelo Sixers como número 1 de Draft Fultz foi trocado e logo em sua chegada a Flórida o técnico Steve Clifford, sempre muito rigoroso, disse que o novo armador só jogaria na temporada seguinte. Muita gente duvidava, até, que Fultz entraria em quadra pelo Orlando Magic. E aí a mágica (com o perdão do trocadilho com o nome da franquia) aconteceu. Fultz começou a temporada no banco de reservas, mas aos poucos foi ganhando a confiança de Clifford e se tornou titular. Se em alguns momentos ainda parece tímido e travado, seu desempenho vai crescendo a cada dia. No campeonato a sua média é de 11,7 pontos, 4,6 assistências e 3,7 rebotes, além de 46% nos arremessos de quadra.

Se as bolas de 3 não caem nem por decreto (28%), ele desperdiça muito pouco a bola (2 por partida nos 27 minutos em que atua) e nessa semana emplacou 3 ótimas exibições seguidas: 15 pontos e 6 assistências contra o Phoenix, 16 pontos contra o Sacramento e 21 pontos, 10 assistências e 11 rebotes (triplo-duplo portanto) na surpreendente vitória do Magic contra o Lakers fora de casa por 119-108.

Ainda é cedo pra dizer em que caminho irá a carreira de Markelle Fultz, que ainda tem 21 anos, não custa lembrar. A reviravolta que ele está escrevendo, porém, é bem bonita e vale ficar atento. Ele estava com um pé fora da NBA após micos em sequência no Sixers. O Orlando lhe abriu as portas e ele está demonstrando bom valor. Que assim continue.

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