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Com basquete parado, São Paulo e Corinthians repensam futuro da modalidade

Lance da partida entre São Paulo e Corinthians, pelo NBB, em outubro do ano passado - Beto Miller/Corinthians
Lance da partida entre São Paulo e Corinthians, pelo NBB, em outubro do ano passado Imagem: Beto Miller/Corinthians

Demétrio Vecchioli e Diego Salgado

Do UOL, em São Paulo

07/05/2020 20h18

Arquirrivais no futebol e, agora, também no basquete, São Paulo e Corinthians estão repensando o futuro de suas equipes na modalidade, com posturas por enquanto diferentes. No clube do Parque São Jorge o projeto está paralisado, para ser rediscutido quando o cenário for mais claro. No São Paulo o time continua, dentro de novos limites financeiros.

O São Paulo sonha com a possibilidade de jogar uma "Libertadores". Como estava no terceiro lugar da fase de classificação do NBB quando a competição foi paralisada (e, agora, encerrada de forma definitiva), o time pode ficar com uma vaga na Champions League América, equivalente da Libertadores para a modalidade. A distribuição das vagas ainda será definida pela Fiba Américas, mas a possibilidade anima o clube.

O modelo do projeto ajuda o São Paulo. O diretor de marketing do clube, João Francisco Rossi, era presidente da Liga Nacional de Basquete (LNB). Três dos principais nomes do elenco, Georginho, Jeferson e Shamell, têm contratos de duas temporadas e continuam ligados ao clube. Além disso, a maior parte dos contratos de patrocínio firmados para o futebol são casados com o basquete. Manter o time é um compromisso com os patrocinadores.

Isso não significa que a grana não esteja mais curta. Dirigentes de todos os clubes do NBB se reuniram virtualmente ontem no fim de tarde, como têm feito toda quinta-feira, e o tema da conversa foi de incertezas quanto as condições financeiras da liga e dos times. A impressão geral é de que haverá menos dinheiro. Isso somado à provável demora para a retomada dos jogos, e ao custo de possivelmente precisar realizar testes em massa deverá encurtar a temporada. E também os salários.

No basquete brasileiro, os contratos começam a valer em agosto/setembro e terminam entre abril e junho, dependendo das pretensões dos clubes. Nessa fase do ano, entre uma temporada e outra, após o fim do NBB, costuma ser de vai-e-vem no mercado. Desta vez, porém, os clubes estão com o pé no freio. Os novos contratos devem ser menores, em tempo e valores. E poucos clubes ficarão ativos.

Lei de oferta e demanda. Corinthians e Pinheiros estão entre os clubes que já avisaram que não vão contratar ninguém agora. Rio Claro, Basquete Cearense, Brasília e outros também não devem se mexer. Dificilmente a próxima temporada terá os mesmos 16 clubes que a 2019/2020. Menos clubes, menos vagas de trabalho, mais desemprego, mais gente aceitando jogar por menos para não ficar sem time.

No Corinthians, o cenário é de incerteza. Com o fim de todos os contratos profissionais, hoje o clube não tem nenhum atleta profissional de basquete. E não terá até que fique claro quando o NBB volta e em que condições. Aí as opções serão colocadas sobre a mesa. Entre os fatores que podem ser decisivos está a eleição do clube, programada para dezembro. No Corinthians, diferente do São Paulo, o basquete é bancado por um caixa único.

No Pinheiros, onde também não há patrocinador forte, a diretoria já avisou que não fará contratações. O time profissional inteiro foi dispensado em abril e o elenco para a próxima temporada será formado por garotos das categorias de base. No Corinthians, a base está paralisada, inclusive com as bolsas suspensas, mas a promessa é de que o departamento continua normalmente quando as coisas voltarem ao normal, se voltarem.

Outro clube de camisa, o Botafogo pretende manter o projeto de basquete profissional, mesmo devendo salários desde janeiro. O clube alega que demorou a enviar documentação para a Lei de Incentivo ao Esporte do estado e, quando o fez, o setor foi paralisado por causa da pandemia. A promessa é que tão logo a verba seja liberada, os jogadores recebam.

O patrocinador, que faz aporte via Lei de Incentivo, tem compromisso verbal de continuar apoiando o projeto para a próxima temporada. O dinheiro cobre quase a totalidade do gasto, exceto imprevistos, que precisam sair dos cofres do clube. Como venceu a Liga Sul-Americana, o Botafogo também tem vaga na Champions League do ano que vem e, confiante, pretende se movimentar no mercado com a mesma volúpia da pós-temporada passada.

Errata: o texto foi atualizado
Ao contrário do que informado anteriormente, João Francisco Rossi não é mais presidente da Liga Nacional de Basquete (LNB). O atual presidente é Kouros Monadjemi. O erro foi corrigido.

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