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Ebola matou sua família e ele foi morar na rua. Mas sonho de pódio continua

Jimmy foi eleito o melhor atleta de Serra Leoa e ainda quer brilhar como velocista - Reprodução/Gofundme
Jimmy foi eleito o melhor atleta de Serra Leoa e ainda quer brilhar como velocista Imagem: Reprodução/Gofundme

Do UOL, em São Paulo

20/03/2015 06h00

Aos 20 anos, Jimmy Thoronka virou um caso de imigração, comoção popular e polêmica em Londres. O velocista de Serra Leoa não voltou para seu país ao fim dos Jogos da Commonwealth, disputados em Glasgow, em agosto de 2014. O motivo: descobriu que toda sua família morreu vítima do ebola. Jimmy, então, foi para Londres e se tornou morador de rua. Seu futuro está indefinido, mas o sonho de ganhar medalhas permanece.

Ele foi preso no início desse mês por estar com o visto expirado. Jimmy foi achado em uma rua londrina pedindo esmolas. Mas antes de virar caso de polícia, o velocista apareceu em uma matéria do The Guardian. Leitores, então, decidiram ajudá-lo. Uma campanha já arrecadou quase 30 mil libras (cerca de R$ 140 mil).

A comoção se justifica pela história de Jimmy. Durante os Jogos da Commonwealth, ele descobriu que seu tio morrera vítima do ebola. Competiu no revezamento 4x100 m rasos e não chegou à final. O próximo passo foi passar uns dias em Londres, quando alega ter tido dinheiro e passaporte roubados na estação de trem.

Na capital inglesa, um conhecido lhe deu abrigo por uns dias, mas logo precisou deixar a casa. Nesse meio tempo, veio a pior notícia possível: sua mãe adotiva, as três irmãs e um irmão também morreram com ebola. Jimmy diz que não quis voltar para casa por não ter mais parentes. Detalhe: sua família biológica já havia morrido nos anos 90 durante guerra civil. Nos curtos 20 anos de vida, ele perdeu duas famílias.

Mas seus dias em Londres também não estavam fáceis. Seu objetivo diário era comprar um passe de ônibus noturno para ter onde dormir durante o último inverno. De dia, as refeições dependiam de esmolas, e nem sempre ele as conseguia.

“Às vezes penso que não vou sobreviver e que estou me matando aos poucos. Meu sonho ainda é me tornar um dos melhores velocistas do mundo, mas não sei mais como alcançar isso”, contou ele ao The Guardian. “Não posso voltar para Serra Leoa, pois toda minha família foi exterminada. O ebola destruiu muita coisa lá. Mas sobreviver aqui também está difícil.”

Para piorar, dúvidas foram levantadas por um secretário do comitê olímpico de Serra Leoa ao alegar que a mãe de Jimmy estava viva. No entanto, logo o vice-presidente da entidade confirmou a morte dela, enviando o atestado de óbito aos jornais ingleses.

O caso do velocista está com o departamento de imigração da Inglaterra. No fim das contas, ele descumpriu leis do país. Os que o defendem, por outro lado, alegam se tratar de uma questão humanitária. E o destino do atleta eleito o melhor de seu país em 2003 segue indefinido.

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