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Lula descarta ministros 'só' técnicos e pede 'cabeça política'

Lucas Borges Teixeira, Allan Brito e Jessica Bernardo

Do UOL, em São Paulo, e colaboração para o UOL, em São Paulo

27/07/2022 10h39Atualizada em 27/07/2022 13h57

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que, caso eleito, seus futuros ministros, incluindo o da Economia, deverão ter perfil "político". Durante o UOL Entrevista, o candidato à Presidência disse que não importa o perfil só técnico e que não quer um "burocrata".

Como de costume, Lula se recusou a adiantar nomes, mas afirmou que "quem tem que dirigir é a política". O petista repetiu, mais uma vez, que deverá recriar alguns ministérios do seu governo, como Cultura e Igualdade Racial.

Também disse que deve fatiar novamente o Ministério da Economia para voltar com o do Planejamento. "Esse país precisa ter prateleira de projetos de curto, médio e longo prazo."

"Eu quero pessoa com cabeça política. Ele pode ser advogado, médico, catador de recicláveis. Mas quero que tenha cabeça política. Se ele tiver versatilidade política, pode ser ministro da Economia", afirmou Lula.

Não quero governo burocrata, só com técnicos. Se técnicos resolvessem, ia na USP [Universidade de São Paulo] e buscava técnicos. Ou ia em Harvard [EUA]. Quem tem que dirigir é a política. Todos os meus ministros vão ter que ter cabeça política boa. Ele monta a equipe com melhores técnicos."
Lula, candidato do PT à Presidência, durante o UOL Entrevista

Lula não quis tratar de nomes. Dentro do PT, um dos poucos consensos é que o ex-presidente realmente não promete cargos tanto para não criar amarras políticas quanto para não dar capital político para que outras pessoas se promovam.

"Em 1989, as pessoas queriam que anunciassem ministério antes. É como imaginar que [o técnico Adenor] Tite vai escalar seleção antes de começar a Copa [do Mundo de futebol]. É impossível, porque você vai arrumar mais inimigos do que amigos", explicou.

O ex-presidente, no entanto, prometeu mais uma vez recriar ministérios do seu governo, como Cultura, extinta pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) na primeira semana de mandato, e da Igualdade Racial.

"Vamos criar ministérios necessário porque, quando coloca uma coisa importante, como cultura, no lugar secundário, você não está dando importância. Cultura vai ser muito importante. Vamos criar comitês estaduais para ver se consegue nacionalizar cultura. É preciso que dê à cultura compreensão de indústria geradora de milhões de empregos", afirmou.