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Caso Ribeiro é "vergonha nacional", mas ele tem direito à defesa, diz Lula

Lucas Borges Teixeira

Do UOL, em São Paulo

23/06/2022 11h43Atualizada em 23/06/2022 13h38

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou hoje o ex-ministro da Educação Milton Ribeiro, preso ontem sob acusação de corrupção, mas defendeu que ele tenha amplo direito à defesa.

Em entrevista a uma rádio de Manaus nesta manhã, Lula afirmou que Ribeiro foi um "mau ministro" e que as acusações de recebimento de propina são "vergonha nacional". Conforme o UOL apurou, o ex-presidente não deverá ficar falando sobre o caso.

Ribeiro foi preso na manhã de ontem sob suspeita de envolvimento em um esquema de corrupção e tráfico de influência no MEC (Ministério da Educação). Também foram alvos da operação da Polícia Federal dois pastores que não tinham ligação oficial com a pasta, mas atuavam junto a prefeitos para liberação de verbas.

A prisão depende de apuração, de prova. Você não pode prender porque vai prender. Você tem prova contra o cidadão? Está provado que ele roubou? Você faz um processo e, aí, a Justiça decide se vai prender ou não. Eu defendo o direito à defesa para todo mundo. O direito à defesa é um valor monumental da democracia neste país. Eu não sei se já foi investigado, se tem uma autorização da Justiça para prender.
Lula (PT-SP), em entrevista

"Mas, que ele foi um mau ministro da Educação, foi. Aquela reunião dele distribuindo dinheiro para pastor é vergonha nacional", completou o presidente.

A prisão movimentou Brasília. No Planalto, o presidente Jair Bolsonaro (PL) e seus apoiadores já começaram a se preocupar com os efeitos que o caso pode ter na imagem do governo e na sua campanha à reeleição.

Ministro de Bolsonaro por quase dois anos, entre 2020 e 2022, Ribeiro deixou a pasta em meio às denúncias do gabinete paralelo, reveladas inicialmente pelo jornal Estado de S. Paulo, mas havia contado com a defesa do ex-chefe, que chegou a dizer que colocaria a "cara no fogo" por ele.

Já o PT, por sua vez, diz acreditar que, embora a prisão crie um empecilho para o discurso anticorrupção de Bolsonaro, não deverá causar tanto impacto entre seus eleitores. Com vantagem de 13 pontos percentuais, de acordo com o agregador de pesquisas do UOL, os apoiadores do ex-presidente seguem otimistas e avaliam que o caminho está favorável para Lula.

Por isso, a sugestão entre os partidos da aliança é que o caso deva ser tratado de forma partidária e parlamentar. Na teoria, Lula e Alckmin deverão ignorar o assunto e seguir tratando de pautas propositivas —uma recomendação antiga da área de comunicação— enquanto deputados e senadores agem.

Assinaturas para uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do MEC já estão sendo colhidas no Senado. Segundo o senador Alessandro Vieira (PSDB-SE), já há 27 assinaturas necessárias, enquanto o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) diz que ainda falta uma.