Belo e raro: conheça beija-flor que atrai observadores à Chapada Diamantina

Conhecida por suas trilhas que descortinam morros, grutas e cachoeiras, a Chapada Diamantina, na Bahia, vem se tornando destino de observadores de aves nos últimos anos.

Um dos responsáveis por esse movimento é o Augastes lumachella, mais conhecido como beija-flor-de-gravata-vermelha ou gravatinha, como é carinhosamente chamado pelos admiradores.

Esse animal existe somente na porção norte da Serra do Espinhaço, que abrange a Chapada. E, apesar de ser encontrado facilmente por ali, é considerado como quase ameaçado de extinção.

De acordo com a bióloga e guia de turismo de observação de aves Cristine Prates, essa classificação é por causa da sua ocorrência geográfica restrita e pela região pegar fogo com bastante frequência.

Quem é o gravatinha?

A ave é multicolorida, mede de 9 cm a 10 cm e o seu apelido deve-se a um prolongamento de penas em volta do pescoço, formando uma espécie de gravata. Os machos possuem coloração bem viva, brilhante, enquanto as fêmeas são ligeiramente mais pálidas. A espécie se alimenta principalmente do néctar das flores —suas favoritas são as da calliandra.

Além do gravatinha, outras aves como o tapaculo-da-Chapada-Diamantina, o papa-formiga-do-sincorá e o rabo-mole-da-serra também atraem os observadores. Mas é esse belo engravatado a grande estrela do lugar.

Diferentemente de outras espécies que não costumam ter muito contato com as pessoas e voam logo para elas não chegarem perto, o beija-flor-de-gravata-vermelha deixa que se aproximem e tirem fotos. Então, ele faz bastante sucesso.
Cristine Prates, bióloga

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Imagem: Cristine Prates
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Paixão pelas aves

Natural de Brasília, a bióloga se mudou para a Chapada Diamantina em 2019 e, no ano seguinte, abriu sua própria agência, batizada de Birding, para promover este tipo de turismo.

"Abri o negócio em janeiro de 2020 e, em março, veio a pandemia de covid-19. Inicialmente, foi um banho de água fria, mas à medida que as coisas foram se acalmando, as pessoas começaram a me procurar", lembra.

Única mulher guia de observação de aves na Chapada, a agência ainda não é sua principal fonte de renda. Prates atua também como consultora ambiental, em projetos de conservação de aves ameaçadas e com fotografia de natureza.

Aficionada por pássaros desde a infância, ela teve a oportunidade de aprender mais sobre sua paixão em estágios no Ibama e no ICMBio (Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), enquanto estava na faculdade.

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Imagem: Reprodução Instagram
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Foi meu avô quem me passou esse interesse por aves. Quando era criança, eu ia para o seu sítio e 'passarinhávamos' quase todos os finais de semana. Além de me mostrar as espécies, ele contava curiosidades sobre o joão-de-barro, a arara-canindé, garças e outros animais que avistávamos por ali.
Cristine Prates, bióloga

Hoje expert em levar outros apaixonados como ela para ver e fotografar diferentes espécies, a bióloga conta que ser guia de observação de aves exige muito tempo e dedicação. É preciso, por exemplo, estudar sobre a vocalização dos pássaros, saber em que locais eles ficam e entender seu comportamento.

Como funciona a observação

Desde que abriu sua agência, em 2020, Cristine já realizou 37 tours de observação de aves, com grupos de até 12 pessoas. Segundo a bióloga, na maioria dos casos, os visitantes são amantes de fotografia, mas o passeio pode atrair também diferentes perfis.

Por isso, ela faz a divulgação das aves para pessoas que nunca praticaram a observação e busca parcerias com agências de turismo de trilhas e cachoeiras para expandir esse tipo de atividade além da bolha dos observadores.

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"As trilhas para observação geralmente são curtas, então já guiei desde criança de 7 anos a uma pessoa de 80 anos. É uma atividade para todas as idades", explica.

Os passeios costumam ocorrer na primeira parte da manhã, entre 5h30 e 10h, e final da tarde, por volta das 16h. Cristine diz que mais cedo, até 8h, é o horário de pico por causa do momento de maior atividade das aves.

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Imagem: Cristine Prates

Como muitas pessoas que participam são fotógrafos, elas costumam levar seus próprios equipamentos, mas a guia também fornece binóculos e lunetas para avistar os animais.

Uma das técnicas que uso para atrair as aves para a observação é uma caixinha de som com gravações das espécies. Como são bem territorialistas, elas acham que há um outro animal ali e vêm ver. Levo os observadores a poleiros e comedouros com frutas e água que tenho em casa, onde é possível chegar bem perto das aves
Cristine Prates, bióloga

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Segundo ela, há cerca de 400 espécies de aves na Chapada Diamantina. "Isso acontece por causa da diversidade de paisagens que temos aqui, como caatinga, cerrado e mata atlântica", explica.

A procura maior pelos tours de observação acontece no final do ano e em feriados, quando a região recebe muitos visitantes. Considerando um grupo de até 3 pessoas, Cristine cobra R$ 500 pelo seu trabalho de guia.

Futuro sustentável

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Imagem: Reprodução Instagram

O objetivo da bióloga é atuar cada vez mais com turismo de observação. Ela sonha em, futuramente montar, junto com uma colega que também trabalha como guia, um roteiro por todo o país só com guias mulheres. Elas ainda são minoria nesse universo.

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Para Cristine Prates, essa modalidade de turismo pode ajudar a despertar consciência ambiental, ao mesmo tempo em que gera renda para as localidades onde ocorre.

No Brasil, além da Chapada Diamantina, a observação de aves pode ser realizada no Parque Nacional do Iguaçu, no Paraná, na Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso, e na Serra da Capivara, no Piauí.

"O impacto dessa atividade sobre a natureza é mínimo e as pessoas só preservam aquilo que elas amam. Quando elas praticam a observação de aves e se encantam pelos animais, vem a percepção de que, para eles existirem, o meio ambiente precisa estar de pé", avalia.

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