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Como mudanças climáticas e aquecimento global interferem na minha vida?

Getty Images
Imagem: Getty Images

Giacomo Vicenzo

Colaboração para Ecoa, de São Paulo

12/03/2021 04h00

É bem provável que você já tenha ouvido falar - e muito — sobre mudanças climáticas e aquecimento global nos últimos anos. O assunto pode parecer distante, como algo que está nos polos do planeta, derretendo as geleiras que estão bem longe de nossa casa ou apenas nos noticiários. Mas você saiba que eles afetam diretamente a sua vida no escritório e o que chega à sua mesa? Poderão até, se nada for feito e os cenários mais pessimistas se concretizarem, definir se os filhos dos seus filhos ou dos seus netos vão habitar a Terra em condições dignas de vida.

Isso tudo acontece com mudanças que podemos entender como mínimas na temperatura global. Os dados alertam que, nos próximos anos, podemos bater um recorde de aquecimento global, com aumento de 1,15 a 1,46 grau Celsius em relação às condições pré-industriais, de acordo com a previsão da agência oficial de meteorologia do Reino Unido.

Para entender como as mudanças climáticas e o aquecimento global interferem diretamente na nossa vida, Ecoa conversou com especialistas.

Clima desregulado pode gerar crise hídrica e doenças?

A bióloga Francyne Elias-Piera, mestre em oceanografia biológica (USP) e doutora em ciência ambiental (Universitat Autònoma de Barcelona), lembra que o aquecimento global está ligado à evaporação de rios e água potável de reservatórios, o que provoca escassez de um de nossos bens mais importantes.

"Isso pode levar a uma baixa disponibilidade de água potável. Em um futuro próximo, poderá haver competição por esse recurso, incluindo o gelo da Antártica, lugar que abriga 70% de toda água doce do planeta em estado sólido, que também está desaparecendo", alerta.

Acontece também um desequilíbrio na circulação atmosférica, e lugares frios como a Antártica, por exemplo, estão recebendo correntes muito quentes. Isso está causando o degelo e o aumento da temperatura do continente gelado, modificando a circulação das massas de ar polar que chegam ao Brasil, o que cria climas mais extremos - quentes e frios.

"Lugares que eram frios estão cada vez mais quentes e os mosquitos que transmitem a dengue e a malária estão se espalhando em diversas partes do mundo", completa.

O que a Antártica tem a ver comigo?

Quando o planeta está em desequilíbrio, uma série de fatores reagem em cadeia. Então, uma mudança lá longe vai, sim, ter efeitos em outras regiões. De acordo com a bióloga Elias-Piera, a cadeia alimentar é afetada da mesma maneira.

"Estamos longe da Antártica e não somos afetados diretamente por ela, porém, uma das correntes marinhas formadas no Oceano Austral chega até Arraial do Cabo e Cabo Frio, trazendo nutrientes a esses lugares e aumentado a quantidade de peixes e a economia pesqueira brasileira", explica a bióloga.

A pesquisadora estuda a cadeia alimentar de gorgônias (um tipo de coral primitivo da Antártica) há cerca de 11 anos. Ela observou que essa cadeia alimentar passou por uma mudança com o aumento da temperatura e o seu principal alimento, o fitoplâncton (microalgas), está diminuindo.

"A existência das gorgônias garante que outros animais se alimentem. O desaparecimento delas pode ocasionar efeitos em cascata, que podem fazer peixes brasileiros que nos servem de alimento entrarem em extinção, afetando a economia e a alimentação", aponta.

Se a produtividade cai, a desigualdade global sobe?

O calor tem ainda um efeito sobre a produtividade global de forma geral. Um estudo publicado pela revista britânica "Nature" apontou que acima de 13 graus Celsius a produtividade dos trabalhadores começa cair em setores agrícolas e em outros da economia.

A pesquisa foi liderada por Marshall Burke, da Universidade de Stanford (Califórnia) e sua equipe, que analisaram por 50 anos [1960- 2010] dados econômicos de 166 países.

Se a previsão dos pesquisadores sobre o ritmo do aquecimento se concretizar, o aumento de 4,40ºC projetado poderá causar uma queda de até 23% na renda média total mundial e aumentar a desigualdade entre os países mais pobres e os mais ricos. Cerca de 77% dos países menos desenvolvidos serão ainda mais pobres, em renda per capita, em comparação com um cenário em que o aquecimento global não existisse.

"Todos esses eventos climáticos afetam a agricultura interferindo no aumento de preço e na diminuição da qualidade do seu alimento. Estima-se que a cada grau de aquecimento haverá uma redução de 5,5% nas safras de milho no Brasil", explica a bióloga Elias-Piera, com base nos do IPCC 2019 (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas).

Como evitar que tudo isso aconteça?

Apesar de nos sentirmos muitas vezes impotentes diante da dimensão do aquecimento global, é importante que todos nós façamos a nossa parte, pessoas, governo e empresas.

Ecoa pediu ao especialista em sustentabilidade Marcus Nakagawa, para compartilhar alguns hábitos que ajudam a combater o aquecimento global. Nakagawa é ganhador do Prêmio Jabuti/2019 com o livro "101 dias com ações mais sustentáveis".

  1. Escolha produtos e serviços sustentáveis e conscientes de questões ambientais;
  2. Prefira refis e embalagens reutilizáveis;
  3. Use roupas e calçados sem matéria-prima de fontes de petróleo;
  4. Acompanhe o que empresas e governos estão fazendo para minimizar a emissão de gases do efeito estufa;
  5. Valorize empresas que realizam ações sustentáveis;
  6. Aponte e cobre as organizações que ainda não aderiram às práticas sustentáveis;
  7. Busque informação, cursos e aprendizados que te ajudem na sua mudança para um comportamento mais sustentável.

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