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Quantas cientistas você conhece? Pesquisadoras da USP querem mudar isso

Virgínias da Ciência é um podcast feito por mulheres para visibilizar as cientistas - Reprodução/ Virgínias da Ciência
Virgínias da Ciência é um podcast feito por mulheres para visibilizar as cientistas Imagem: Reprodução/ Virgínias da Ciência

Lígia Nogueira

Colaboração para Ecoa, em São Paulo

20/07/2020 16h48

Quantos nomes de mulheres cientistas você conhece? Provavelmente, bem menos do que de homens —que, ao longo da história, têm seus trabalhos reconhecidos com uma frequência muito maior. A trajetória da humanidade está repleta de cientistas que tiveram suas descobertas questionadas ou refutadas apenas por serem mulheres. Na maioria das vezes, elas ficaram em segundo plano ou foram simplesmente esquecidas.

Para dar voz —literalmente— às cientistas, divulgar suas descobertas e encorajar mulheres a entrar no universo da ciência, quatro pesquisadoras da USP se inspiraram em Virginia Woolf para criar o projeto Virgínias da Ciência. "Por que Virgínias? Em referência à escritora que foi pioneira, em sua época, ao escrever sobre o apartheid de gênero. Sobre como os homens experimentam a liberdade enquanto as mulheres a fazem apenas parcialmente", explicam as autoras Rita Tostes, Vânia Bonato, Alline Campos e Katiuchia Sales, todas professoras da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP.

"Acreditamos que as mulheres cientistas também precisam deste espaço", dizem elas, na apresentação do novo canal. A ideia é que as cientistas realizem podcasts semanais, sempre às sextas-feiras, entrevistando pesquisadoras das mais diversas áreas da ciência.

No segundo episódio da série (pela qual já estamos torcendo muito por aqui), a entrevistada é Ester Sabino, médica, pesquisadora e professora da USP que ficou conhecida recentemente ao realizar o sequenciamento do genoma do novo coronavírus em tempo recorde. A descoberta foi feita no dia 28 de fevereiro, apenas 48 horas depois da detecção do primeiro caso de Covid-19 no Brasil.

Ester foi a primeira diretora mulher do Instituto de Medicina Tropical da USP, criado em 1959 e responsável pela realização de pesquisas fundamentais para promover a queda dos índices de mortalidade por doenças infecciosas no mundo. Só para se ter uma ideia, no Brasil essa taxa caiu de 50 para 5% nos últimos 80 anos.

"A mulher tem de estar presente em todas as áreas e a ciência é uma delas. A gente tem de se organizar", diz Ester, que já tinha comandado um projeto importante em sequenciamento de zika antes de trabalhar com o coronavírus.

Ouça aqui o podcast: Virgínias da Ciência