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Quatro segredos para a excelência em liderança

Kaká Werá

Kaká Werá

Autor, ativista, professor e terapeuta da natureza a mais de 25 anos, além de facilitador de processos de autoconhecimento, autoliderança e desenvolvimento pessoal utilizando os fundamentos da sabedoria milenar da tradição tupi.

09/03/2020 04h00

Conhecer as raízes das palavras, suas origens etimológicas, nos dá um sentido mais apurado do que elas têm a transmitir. Gosto muito de verificar de onde vem determinados termos, principalmente quando eles fazem parte de uma área de conhecimento ao qual estou envolvido. Foi assim que fui procurar a raiz da palavra líder, dita quase da mesma maneira em muitas línguas europeias. Não foi difícil encontrar que sua origem vem da antiga cultura viking, onde o termo é "lead", e era atribuído ao comandante de embarcações que indicava o caminho para a tripulação.

Um "lead" tinha o domínio das correntes marítimas, dos tempos e contratempos do mar, tinha o domínio dos ventos, das rotas indicadas pelas estrelas. Possivelmente mesmo quando olhava a profundidade escura do céu e a infinitude abismal do mar e lhe vinha o desafio de ir para o desconhecido, mesmo com medo, alinhava o grupo em algum rumo provável.

A experiência adquirida para lidar com os tempos e contratempos; maresias e tempestades, rotas conhecidas e desconhecidas; faz de uma pessoa um líder em potencial. Digo em potencial porque muita gente tem experiência em sua embarcação de vida, mas não exerce necessariamente uma ação de comando de grupos, o que é uma pena, porque este é o primeiro grande mérito para o caminho da excelência em liderança: confiar na sua história pessoal, na sua experiência que com certeza foi adquirida após muitos percalços.

Como explicar pessoas que não possuem experiência de vida, mas exercem funções de lideranças? Sim, existem muitos, por diversas outras qualidades: temperamento, instinto, conhecimento teórico de um tema específico, esmero em sua área de atuação, facilidade de lidar com equipes ou até mesmo o apelo egoico de comando e poder. Mas quem tem o mérito da experiência faz toda a diferença. Na tradição tupi, aquele que tem os cabelos grisalhos da experiência de vida é chamado de "tamãi" (o que sabe das coisas) e não vai para um asilo, vai para o centro do círculo da equipe para partilhar seu saber. Isto não quer dizer que necessariamente também tem que ser um ancião, pois com certeza há jovens que assimilam com profundidade determinados temas que se tornam "anciões" em seus nichos de saberes.

O segundo mérito é exercer uma liderança sobre si mesmo. Não é fácil olhar para dentro de nós mesmos. Mas é isso que diferencia o líder mediano e o excelente. Cada um de nós tem um corpo de memórias, na sabedoria tupi isto é chamado de yvirá-nhenry, que significa árvore de crenças. Temos que olhar para essa árvore e identificar os frutos bons dos frutos maus, as crenças ancestrais e instintivas que nos limitam e aquelas que estruturam valores e nos impulsionam para o alto. Quanto mais nos conhecemos, mais conhecemos o outro, pois somos espelhos cujas tendências, hábitos e comportamentos se assemelham em muitos aspectos.

O terceiro mérito é lidar com o nosso corpo de emoções. Olhar para o fluxo de nossas emoções e como elas se externam é uma arte para os valentes. Não se trata de reprimir ou exaltar as emoções. Se trata de conhecer como elas funcionam conosco. Cada um de nós tem um jeito inconsciente de lidar com elas. Se trazermos para a nossa consciência iremos aprender muito sobre como lidar com os tempos e contratempos da vida.

O quarto mérito é lidar com o nosso corpo mental, com a nossa capacidade de foco, discernimento, clareza, inspiração. Com nosso acervo de ideias e ferramentas de conhecimento adquiridos. A nossa visão interior e seus potenciais. A nossa abertura para o desconhecido e o improvável.

Estes quatro méritos são os segredos que grandes líderes dominaram e que fizeram a diferença em suas vidas e na vida de muitas pessoas. Por isso a importância do autoconhecimento. Para nos dar a profundidade necessária gerando uma força interior para conduzirmos esta sagrada embarcação que muitos chamam destino, que carrega a nossa vida.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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