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Mari Rodrigues

Como controlamos nossos impulsos na pandemia?

Praia de Ipanema registra aglomeração em domingo com mais de 33 graus no Rio de Janeiro - DANIEL RESENDE/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Praia de Ipanema registra aglomeração em domingo com mais de 33 graus no Rio de Janeiro Imagem: DANIEL RESENDE/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Mari Rodrigues

12/12/2020 04h00

Esta semana precisei sair de casa, e aproveitei para tomar um café com uma amiga, que está trabalhando presencialmente nos arredores de onde eu estava, e tiramos uma foto. Uma outra amiga, bastante preocupada, me perguntou se eu não tinha medo do coronavírus, e que eu estava me arriscando demais tirando foto. Entendi a preocupação, mas disse que ela me fez sentir uma negacionista inconsequente, quando apenas tomei um café rápido e todos os cuidados.

E isso me faz pensar nas imprudências que cometemos ao longo dessa pandemia. Eu mesma cometi uma imprudência e fui castigada com um período em que não podia andar plenamente, como já falei anteriormente. Não serei hipócrita de dizer que não fui a alguns lugares sem necessidade, porque sim, fui. E sei que corri um risco, e não sou a pessoa perfeita que esperam que eu seja, mas ninguém precisa me tratar como se eu fosse uma preposta da morte, porque estava ciente dos cuidados a se tomar e dos riscos inerentes.

A pandemia veio para nos testar. Passamos a precisar buscar formas de controlar nossos impulsos. Será impossível voltarmos à "normalidade" do pré-pandemia, porque um mundo novo se configurou: saímos com mais cuidado e com mais medo. Ou pelo menos assim deveria ser.

Vejo um bocado de gente passeando por aí, sem máscara e com um discurso realmente inconsequente, e são essas pessoas as que dão medo. Estamos com medos altruístas (de nos infectar e de infectar nossa família) de pessoas cujos medos são apenas egoístas (de abdicar de prazeres que podem ser adiados). Como seres sociais que somos, estar em contato com outras pessoas parece primordial, e muitos desses medos egoístas parecem estar relacionados a isso. O medo de perder contato, o medo de ter tolhida a sua "normalidade".

Se pelo menos as pessoas tomassem voluntariamente um cuidado real e não saíssem por aí disparando sandices e assumindo comportamentos de risco que inclusive certas "autoridades" incentivam, no discurso direto ou na prática, quando não dão devido auxílio às pessoas e às empresas, talvez teríamos mais vitórias contra a pandemia, e não estaríamos vendo cenas tristes como as dos últimos dias.

Agora, mais uma semana trancafiada. Quem puder se manter em casa, evite sair sem necessidade! Se precisar sair, tome os cuidados necessários e pense não apenas em si, mas também nas pessoas com quem se mantém contato!