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Por que querem federalizar as investigações do assassinato de Marielle?

Márcia Foletto/Agência O Globo
Imagem: Márcia Foletto/Agência O Globo
Bianca Santana

Bianca Santana é jornalista. Autora de "Quando me descobri negra" e organizadora de coletâneas sobre gênero e raça, foi convidada da Feira do Livro de Frankfurt em 2018 e da Feira do Livro de Buenos Aires em 2019, quando também foi curadora do Festival Literário de Iguape. Pela UNEafro Brasil, tem contribuído com a articulação da Coalizão Negra por Direitos. No doutorado em ciência da informação, na Universidade de São Paulo, pesquisou a escrita e a memória de mulheres negras. Foi professora da Faculdade Cásper Líbero e da pós-graduação em jornalismo multimídia na Faap. Atualmente, está escrevendo uma biografia sobre Sueli Carneiro.

26/05/2020 04h00

Minha hipótese para a pergunta acima é de que o Presidente da República Jair Bolsonaro quer se aproveitar do cargo que ocupa para proteger os mandantes do crime.

De acordo com o vídeo da reunião ministerial divulgado na semana passada, sobre quem Bolsonaro busca proteger, podemos pensar em familiares do presidente como suspeitos, bem como em seus amigos. É preciso investigação isenta e séria para saber. Sem interferência. Sem troca de responsáveis pela investigação. Sem manipulação de provas.

A hipótese não é leviana, ela está sustentada por notícias que nos tiram o sono há mais de dois anos:

E a hipótese ganha ainda mais força se observarmos as relações da família Bolsonaro com os assassinos de Marielle e Anderson. Tudo bem desenhadinho abaixo (com evidências nas notícias acima, não trabalhamos apenas com convicção), para quem tiver dificuldade em interpretar textos longos:

Colaboração de Igor Carvalho, Flávia Lopes e Patrícia Firmino - Reprodução - Reprodução
Colaboração de Igor Carvalho, Flávia Lopes e Patrícia Firmino
Imagem: Reprodução

Mas e o Adélio? E a facada? Antecipo respostas porque essas perguntas sempre aparecem quando perguntamos #QuemMandouMatarMarielleEAnderson. A polícia federal concluiu que Adélio teria agido por conta própria, mas se há indícios de que esta não é a verdade: exigimos que essas investigações sejam reabertas. E feitas com seriedade e isenção. Muito nos interessa saber a verdade sobre a narrativa da facada. A busca é por verdade e justiça. Não por proteger mitos.

Dia 27 de maio, quarta-feira, o Supremo Tribunal de Justiça vai votar se o caso Marielle e Anderson segue em investigação no Rio de Janeiro ou se o pedido de federalização será atendido. Cabe lembrar que a polícia do Rio, responsável junto com a PF pela operação criminosa em que o garoto João Pedro Mattos Pinto foi assassinado, e tantas outras ações genocidas, também precisa ser monitorada de perto. Mas deixar a investigação sob o comando direto de Bolsonaro, pela PF em Brasília, significa aceitar a manipulação do caso.

Não aceito. E quem também não aceitar, pode se juntar às mais de 90 mil pessoas que apoiam a família de Marielle e Anderson contra a federalização pelo site e participando do tuitaço no dia 27, com a hashtag #FederalizaçãoNão.

Exigimos justiça!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.