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Como a Fiat Strada conseguiu botar medo nos carros mais vendidos do Brasil

Fiat Strada Ranch - Marcos Camargo/UOL
Fiat Strada Ranch Imagem: Marcos Camargo/UOL

Julio Cabral

Do UOL, em São Paulo

17/06/2022 04h00

A Fiat Strada é um fenômeno de vendas. Segundo dados da Fenabrave, o modelo vendeu 11.532 unidades em maio. Embora seja considerado um comercial leve, não tem como não dizer que é o veículo de quatro rodas mais vendido do Brasil, uma vez que o Hyundai HB20 foi o primeiro colocado entre os carros, mas teve 9.632 exemplares comercializados no mês passado.

É um desempenho que deixaria qualquer um curioso, e por isso mesmo UOL Carros resolveu tirar a dúvida: quais são os segredos para o sucesso da picapinha?

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Para compreender esse fenômeno, UOL Carros conversou com a própria Fiat e com um analista do mercado automotivo, tudo para entendermos esse caso inédito: uma picape dominar não só seu segmento, mas também o ranking geral.

O sucesso foi planejado desde a época em que o projeto estava em seu berço. A Fiat tinha objetivos claros desde o início, mas nem ela esperava a recepção do mercado. Eles tinham confiança no taco da Strada, porém, os números os surpreenderam. Antes do lançamento, a projeção de vendas era de comercializar mais do que o modelo original, no entanto, a demanda foi muito maior.

"Foi algo projetado para que pudéssemos vender mais do que a Strada anterior. Honestamente, não pensávamos que seria tanto mais, algo que se configurou logo depois. A expectativa era que tivéssemos um volume 25% superior ao que conseguimos fazer com a versão anterior. E hoje temos uma venda consolidada que coloca a Strada com o dobro do volume que tínhamos", revela Herlander Zola, vice-presidente sênior da Fiat para a América do Sul.

Fiat Strada Ranch - Marcos Camargo/UOL - Marcos Camargo/UOL
Robustez da suspensão traseira e o bloqueio eletrônico do diferencial são diferenciais
Imagem: Marcos Camargo/UOL

A capacidade produtiva foi ampliada, mas as filas ainda são grandes. O tempo de espera chegou a seis meses. Lembrando que a megafábrica de Betim, Minas Gerais, tinha capacidade de fazer 7 mil Stradas na época da antiga geração, e que o aumento planejado era de apenas 25%. Hoje em dia, o volume produzido mês a mês varia entre 8 mil e 10 mil, bem longe da demanda voraz.

Tamanho sucesso não se resume ao mercado nacional. "Ela foi o veículo mais vendido do Brasil com um share próximo de 5,7% no ano passado. Flutua dentro dessa casa, o que leva ela a assumir o posto de veículo mais vendido na América do Sul. O nosso volume de exportações gira em torno de 1.500 a 2.000 unidades/mês, não especificamente como Strada, mas também como RAM 700", complementa o executivo.

O posicionamento de mercado foi pensado para oferecer facilidades que não estavam presentes no carro original, exemplos do câmbio automático, das quatro portas e pelos práticos cinco lugares.

"Ela entrou em um segmento em que não está roubando mercado de outras picapes, ela está pegando dos SUVs. Antes não tinha picape compacta no preço dela, que tinha quatro portas e câmbio automático. Ela é uma mini Toro que serve de alternativa para os SUVs", analisa Cassio Pagliarini, sócio da Bright Consulting.

Mini o suficiente para não atrapalhar no trânsito urbano, tampouco deixar de caber na mesma vaga em que caberia um SUV. São 4,45 metros, o que não deixa de ser um tamanho respeitável para uma picape que tem muito do diminuto Mobi e seus 3,59 m na parte que vai até a caçamba. Houve uma boa dose de mudanças, conjugando aí uma plataforma mista. Além de incrementos de equipamentos, claro.

Quanto aos que buscam o trabalho, a Strada oferece cabine simples e uma opção de motor menos potente - o 1.4 rende 88/85 cv, contra 109/101 cv do 1.3, o único propulsor que pode ser associado ao CVT. A robustez está em algumas soluções exclusivas no segmento, entre elas o eixo traseiro rígido do tipo Ômega (é robusto e tem vão livre maior para a terra) e controle de tração capaz de agir como um bloqueio de tração, algo que ajuda muito na partida em pisos de baixa aderência.

Já que o assunto é trabalho, são 720 kg de capacidade de carga total na cabine simples e 600 kg na dupla. A despeito da versão para cinco passageiros ter caçamba menor, a praticidade em relação a um SUV é notável. E dá para colocar um bom tampão para impedir que o compartimento fique muito sujo.

Deixar de ser uma picape voltada para o trabalho e investir também no segmento de lifestyle foi uma decisão acertada. De acordo com Zola, a antiga Adventure não representava 5% das vendas no fim da vida da primeira geração. Hoje, as versões Freedom, Volcano e Ranch representam 50% das vendas da picapinha.

As com câmbio automático CVT já respondem por 20% do volume de vendas da Strada, mas a demanda chega a 30 a 35% do total. Só não vende mais porque a produção e suprimento estão no limite.

O segmento algo esvaziado ajuda a explicar parte do sucesso. A Volkswagen produz e vende o que pode da Saveiro, mas ela não oferece a praticidade da Strada. Uma possível atualização talvez ajude ela a enfrentar melhor as configurações voltadas ao trabalho da Strada, responsáveis por 50% das vendas, mas a mudança não virá em 2022.

A Renault Oroch é um pouco maior e ainda oferece motor turbo, algo não presente na picape da Fiat, uma vez que ela só conta com o antigo motor 1.4 e 1.3 Firefly, mas o número de vendas não chega a fazer cócegas. Foram apenas 385 unidades vendidas em maio, a despeito da modernização do utilitário.

"A Strada está sozinha no mercado, porque quem que tem para disputar com ela? Tem a Saveiro e a Montana, que parou de ser produzida no ano passado por causa do Proconve L7. E a VW também teve limitações de produção", relembra Cassio.

Há um lançamento no segmento que talvez atrapalhe a vida da Strada, contudo, será algo pelas beiradas: a nova Chevrolet Montana. De acordo com o Autos Segredos, a nova geração do modelo será lançada em janeiro. Dito isso, a Strada pode respirar um pouco aliviada e não perder o fôlego, uma vez que o verdadeiro alvo da General Motors é a Toro. É uma questão de porte e preço.

Será uma batalha difícil para a Montana, dado que a Fiat vendeu 5.287 Toros somente em maio. Para completar, a marca italiana também planeja uma picape média de verdade, afirma Marlos Ney Vidal, colunista do UOL Carros. Parece que eles vão dominar ainda mais esse mercado. As picapes são os novos SUVs.

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