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SUV mais caro do mundo custa R$ 4,6 mi e chega à segunda unidade no Brasil

João Anacleto

Colaboração para o UOL

11/03/2020 04h00

Nome de diamante, 5,34m de comprimento e um motor V12 sob o capô. Com essas três credenciais você já descobre do que se trata. O Cullinan é único, e até que a Ferrari traga à luz o seu SUV, ele será o utilitário mais comemorado do mundo. Fabricado na lendária planta de Goodwood, Meca do automobilismo clássico, este Rolls-Royce faz jus aos 114 anos de serviços prestados à mais alta casta do planeta.

Tudo nele é exclusivo e o preço separa o dono dessa mansão motorizada de outros que consideram pagar R$ 2,2 milhões em um "reles" Lamborghini Urus. O Cullinan não sai de sua vitrine localizada à rua Colômbia, em São Paulo, por menos de R$ 4,6 milhões. Na Europa seu concorrente mais próximo é o Bentley Bentayga, mas ele custa 70.000 euros a menos.

A Rolls-Royce levou tempo para considerar o ornamento do Spirit of Ecstasy (a clássica estatueta que parece flanar na ponta do capô") em um SUV. Afinal, é difícil encontrar elegância estética em algo de desenho tão distante da fluidez de um sedã ou de um cupê.

Mas a Rolls- Royce conseguiu... bem... mais ou menos. Talvez o Cullinan seja o modelo que menos congela as retinas de quem vê um dos carros de Goodwood passar. Ele tem uma parcela considerável de detratores no tribunal das redes sociais.

Já entre os compradores, que é o que interessa, ele é um sucesso. Entre 2018 e 2019 (primeiro ano "cheio" de vendas do Cullinan) o aumento nas vendas chegou a 25%, e 80% dos clientes do SUV estavam comprando um Rolls-Royce pela primeira vez e ele, sozinho, fez 40% dos 5.125 clientes da marca no ano passado. Comercialmente, ele é o que se chama de tempestade perfeita.

A unidade à venda em São Paulo é apenas a segunda a pisar em solo brasileiro. A primeira foi vendida durante o Salão do Automóvel de 2018, por R$ 4,4 milhões a um proprietário que faz questão do anonimato - e que pagou de IPVA do carrão em 2020, em São Paulo, R$ 119.193,84. E no caso dele será mais fácil, o Cullinan na cor cinza Gunmetal não chamará tanto a atenção quanto este Magma Red, duas das 32 cores disponíveis no catálogo.

E tal pigmentação o faz parecer ainda maior que seus 5,34m de comprimento, 1,83m de altura e 2,16 m de lagura distribuídos sobre um entre-eixos de 3,29m (20 cm maior que o de uma picape Amarok V6). Sob o capô mantém-se a megalomania de uma dúzia de cilindros, dispostos em V, que somam 6,75 litros e são sobrealimentados com turbocompressor.

A entrega é de 571 cv e 86,5 mkgf de torque, números que levam seus expressivos 2.660 kg (peso elevado considerando a plataforma exclusiva toda feita de alumínio) de 0 a 100 km/h em menos de 6 segundos. Seu câmbio é um ZF de 8 marchas, que transmite as grandezas às rodas de 22 polegadas, com cubo fixo, outra exclusividade da Rolls-Royce.

João Anacleto/UOL
Imagem: João Anacleto/UOL

Contudo, o apelo esportivo aqui é secundário, ainda mais em se tratando de uma marca que se vangloria por seus motores funcionarem com suavidade a ponto de permitirem que uma moeda mantenha-se em pé sobre a tampa do cabeçote enquanto ele está ligado (algo que tentamos e não conseguimos com o Cullinan).

Por dentro ele mantém os aspectos excêntricos. Para entrar você já se depara com imensas portas suicidas, daquelas que fazem a entrada no carro parece a entrada em uma casa, e que são elétricas podendo ser fechadas com um pequeno toque na maçaneta. Nas duas porções traseiras elas são equipadas com guarda-chuvas que ficam em um compartimento arejado diuturnamente, para que as peças nunca pereçam pela umidade.

Lá dentro, outra curiosidade: apenas 4 lugares. A importadora da Rolls-Royce para o Brasil não trará a versão com banco inteiriço, de três lugares para o Brasil. Isso porque, para carro lançados a partir de 2018, é obrigatório por lei que tenham três encostos de cabeça e o Rolls-Royce, pasme, só tem dois.

Divulgação
Imagem: Divulgação

Com essa configuração, os que viajam atrás têm ao seu dispor bancos com regulagens elétricas individuais e massagem, uma tela de 12" posicionada atrás dos encostos dianteiros, porta-garrafas e porta taças (não copos) refrigerado e um mini-frigobar para acomodar bebidas. Como opcional, pode-se equipá-lo com um vidro entre a cabine e o imenso porta-malas de 560, isolando ainda mais o habitáculo dos ruídos externos.

Segundo a marca, isso faz parte de um extenso trabalho de qualidade, onde além do vidro, há mais de 105 kg de materiais colocados nas portas, dianteira e assoalho para que o seu dono não sinta nenhum ruído e vibração além da que um Rolls-Royce deve dar. No sistema de som há 18 alto-falantes, que somam 1.200 W de potência.

Ao volante, a cada parte que se toca cai mais um grão na ampulheta da exclusividade. Há até botões para o fechamento das portas, dianteiras e traseiras pelo motorista. Os carpetes são de lã de carneiro, felpudos como em nenhum outro carro. Com mais de 30 opções de revestimento de couro, uma infinidade de acabamentos de painéis de portas e de console, incluindo aí folhas de madeira, configurar um Cullinan daria outra extensa reportagem.

Nessa unidade optou-se por um couro na cor Armagnac e revestimento de madeira escura. No volante o couro fino e liso como seda, aumenta seu poder de sedução. À frente do passageiro há um relógio analógico que contrasta com o mundo digital que tomou conta da aristocracia. Seu painel de instrumentos, digital, mostra tudo em modo analógico também.

Aliás, é nesse ponto que pode-se elencar a única penalidade do Rolls. Sua central multimídia, diante da magnitude do conjunto, se mostra um tanto acanhada e "normal demais" para um ícone do luxo.

E para quem quer uma vida menos isolada, a marca ainda dispõe de assentos lá no porta-malas, para que você curta a natureza enquanto faz um piquenique nos parques... ingleses. Por aqui, creio, não teriam muita serventia. Desta vez, não conseguimos dar uma voltas para colocar mais realidade na experiência.

Ainda sem emplacamento e sem seguro de rodagem, seria maluquice arriscar a única unidade à venda no Brasil antes do cliente, a verdadeira razão do Cullinan existir. Se o futuro dono deste SUV for você, nos chame para dar umas voltas, e concluir o espírito de êxtase, que invade qualquer experiência a bordo de um Rolls-Royce.

Em tempo: Culinnan é o nome de um diamante de 621g extraído de uma mina na África do Sul, de propriedade do magnata do garimpo Thomas Cullinan, em 1905. As duas principais partes dele, hoje, ornamentam o cetro e a coroa da rainha da Inglaterra

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