Paula Gama

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Carros elétricos ficarão até R$ 40 mil mais caros, dizem concessionários

A partir de 1º de janeiro, os carros eletrificados - elétricos e híbridos - que forem importados de países sem acordo de livre comércio com o Brasil pagarão entre 10% e 12% de imposto de importação. O anúncio do retorno gradual da alíquota, zerada desde 2015, como era de se imaginar, está causando rebuliço nas lojas de carros a baterias - e tem vendedor afirmando que os modelos ficarão até R$ 40 mil mais caros após o Réveillon.

Se, por um lado, quem já planejava comprar um eletrificado está correndo para as concessionárias para aproveitar a negociação sem imposto e as condições especiais oferecidas pelas montadoras, por outro, os vendedores usam a mudança como argumento de venda.

UOL Carros ligou, se passando por cliente, para concessionárias das cinco marcas que mais vendem veículos elétricos do Brasil para entender como está o cenário. As concessionárias BYD que falaram com a reportagem, em São Paulo, foram mais contidas em relação ao aumento.

"O que a gente sabe hoje é que, a partir de janeiro, os elétricos vão aumentar 10% e, os híbridos, 12%. A gente recomenda a compra o quanto antes porque, se nosso estoque acabar, mesmo quem comprar em dezembro vai pagar o imposto - já que o carro só será faturado em janeiro", explicou uma das vendedoras, que não acredita que a marca vá retirar o bônus nas próximas semanas. Procurada pelo UOL Carros, a BYD disse que não comenta o assunto.

Nas lojas da GWM, o aumento do imposto também é utilizado como argumento de venda. Os vendedores garantem que o tributo será repassado para os compradores já em janeiro, com aumento entre 10% e 12%, a depender do modelo escolhido (puramente elétrico ou híbrido). Assim como nas revendedoras da BYD, a recomendação dada é ter cuidado com a data de faturamento, já que mesmo fechando negócio em dezembro, a nota fiscal pode ser faturada em janeiro.

Os vendedores da Jac Motors foram os únicos a falarem em um preço fechado. De acordo com um dos consultores, o E-JS1, hoje à venda por R$ 126.900, vai custar a partir de R$ 145.900 em janeiro. Já o preço do E-JS4 saltará de R$ 229.900 para R$ 269.900. O que chama atenção é que os aumentos são bem superiores aos 10% do imposto de importação, chegando até 17%.

Tanto as lojas da Caoa Chery quanto da Volvo não souberam afirmar como ficará o preço dos carros a partir de janeiro. Em ambos os casos, os consultores de venda afirmam que é provável que os carros tenham a tabela ajustada, mas sem falar em valores ou porcentagem. Nenhuma das marcas citadas anunciou a sua estratégia de vendas para 2024, com exceção Volvo, que disse que pretende absorver a maior parte do imposto.

Não se desespere, mas não perca tempo

É preciso um pouco de parcimônia na hora de analisar as informações dadas pelos concessionários. O primeiro motivo é que, é claro, todos querem garantir suas vendas. O segundo é que o imposto incidirá apenas sobre os carros importados a partir de janeiro de 2024, ou seja, as unidades que já estão no Brasil não sofrerão nenhuma taxação. Isso significa que tudo depende se o exemplar já foi importado ou não.

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Outro fator é a estratégica de vendas de cada montadora. Atualmente, são oferecidos diversos bônus na compra de um carro eletrificado, como supervalorização de até R$ 40 mil no usado, seguro grátis, carregador gratuito - e é bem provável que esses benefícios sejam retirados primeiro, antes do aumento do preço, de fato.

O presidente da associação de montadoras de carros elétricos (ABVE), Ricardo Bastos, explica que o baque será maior em julho, quando a alíquota do imposto ficará entre 18% e 25%.

"Nossos associados são unânimes na certeza de que haverá um impacto grande, mas, inicialmente, será na redução de promoções e condições especiais - como supervalorização do usado na compra de um eletrificado, por exemplo. Isso porque existem estoques. No entanto, a partir de julho, quando o imposto saltar para 20%, ninguém conseguirá absorver. Certamente, será repassado para o cliente", explica.

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